Foto capa: Boa Notícia Brasil
Por Graziela Lucena
Entre os dias 5 e 12 de outubro, foram anunciados os vencedores do Prêmio Nobel de 2026, em Estocolmo, na Suécia, e em Oslo, na Noruega. A premiação, que contempla as áreas de Física, Química, Literatura, Ciências Econômicas e Paz, também reconheceu, na categoria de Fisiologia ou Medicina, uma das descobertas mais importantes da área: a optogenética.
O prêmio foi concedido ao psiquiatra, neurologista e bioengenheiro estadunidense Karl Deisseroth e aos biofísicos alemães Peter Hegemann e Georg Nagel.
A criação da optogenética
O desenvolvimento da optogenética teve início com os estudos de Hegemann e Nagel sobre uma alga unicelular chamada Chlamydomonas reinhardtii. Encontrada comumente em água doce, ela possui propriedades que favorecem sua locomoção em direção à luz azul.
Por meio das análises de Hegemann, foi possível identificar mecanismos presentes na alga que permitem sua locomoção em direção a uma fonte luminosa. Já as observações de Nagel possibilitaram a descoberta de proteínas sensíveis à luz na superfície das células desse organismo.

Uma das proteínas identificadas durante o estudo foi a channelrhodopsin, que atua como um canal iônico. Quando exposta à luz azul, ela pode alterar sua configuração e permitir a passagem de íons pela membrana celular, modificando o potencial elétrico da célula.
Com base nessa descoberta, Deisseroth passou a introduzir o gene responsável pela produção da channelrhodopsin em neurônios. Dessa forma, essas células podem funcionar como interruptores, sendo ativadas ou inibidas quando expostas a uma fonte de luz azul.
Assim, a optogenética consiste no controle da atividade celular, especialmente a dos neurônios, por meio da luz.
O impacto dessa descoberta para o futuro da medicina
A partir desses estudos, tornou-se possível investigar circuitos neurais específicos, contribuindo para pesquisas sobre comportamentos, emoções, sentimentos e doenças neurológicas e psiquiátricas relacionadas ao cérebro humano. De acordo com pesquisadores brasileiros e estrangeiros, a descoberta poderá contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para doenças como a cegueira, a doença de Parkinson e a epilepsia.
A importância das pesquisas científicas e tecnológicas para a humanidade
O principal objetivo do Prêmio Nobel é reconhecer grandes descobertas que contribuem para o avanço e o bem-estar da humanidade. Os estudos de Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel refletem esse propósito e evidenciam uma questão pouco conhecida pela população: muitas pesquisas científicas são financiadas com recursos públicos, e a disponibilidade desses investimentos influencia diretamente o desenvolvimento dos trabalhos acadêmicos.
Nesse contexto, premiações que incentivam a ciência e dão visibilidade ao trabalho de pesquisadores e especialistas contribuem para valorizar o conhecimento científico e estimular a continuidade de estudos capazes de transformar a vida das pessoas.
