Como Isabel Teixeira transformou o show do Jão em espetáculo teatral

Foto capa: Reprodução/Divulgação

Por Manuela Greenhalgh

A turnê “Memórias Póstumas”, nova fase do cantor Jão, trouxe o teatro para dentro do show. Na estreia, em 25 de setembro, no Nubank Parque, em São Paulo, a atriz Isabel Teixeira abriu a apresentação de forma inesperada. O espetáculo foi montado em um palco 360º no centro do estádio, para mais de 50 mil pessoas, e repercutiu nas redes sociais pela estrutura e pelo roteiro.

Conhecida por interpretar a vilã Pilar em “Quem Ama Cuida”, Isabel abriu o show em monólogos intensos, conduzindo a plateia a um percurso cativante que mescla a música ao teatro. A atriz dá vida a uma personagem que simboliza o luto: a figura da morte, que abre os atos com monólogos. Ao longo do show, ela volta ao palco em diferentes momentos, como uma espécie de narradora, de forma poética, sarcástica e reflexiva.

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Ao todo, são cinco monólogos, que funcionam como transição entre os atos: “Espírito”, “Amor”, “A perda”, “A distração” e “A vida”. O tema dialoga com o momento atual em que o cantor se encontra.“Memórias Póstumas”, lançado em 26 de julho, é o primeiro álbum do cantor desde “Super”, lançado em 2023.

Esse álbum chega de uma forma diferente, é mais maduro e possui um tom melancólico. Seu tema principal representa o processo de luto do Jão, que em 2025 sofreu com a perda de seu pai, Carlos Alberto, de forma inesperada. Nesse contexto, a personagem de Isabel funciona como fio condutor entre as músicas e a reflexão sobre perda e passagem do tempo.

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A escolha de uma atriz de teatro para o papel tem uma explicação na trajetória dela. Isabel começou nos palcos em 1984 e é fundadora da Cia. Livre de Teatro, e chegou à televisão apenas nos últimos anos. O convite veio depois dela declarar publicamente que era fã de Jão. A turnê segue por outras cidades, e Isabel continua no elenco das próximas apresentações, que passam por Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife (28 de novembro), Brasília (12 de dezembro), Lisboa (19 de março de 2027) e São Paulo, novamente no Nubank Parque (27 de março de 2027).

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Na performance de “Passeios Noturnos”, a Morte deixa de ser apenas narradora e dança ao lado de Jão no palco. A cena carrega uma ironia, o cantor de “Vou morrer sozinho”, um de seus maiores sucessos, divide o espetáculo justamente com a Morte, que atravessa o show ao lado dele. Se no título da música a morte vem acompanhada de solidão, na turnê ela ganha companhia e corpo.  A cena resume a proposta de “Memórias Póstumas”, em vez de afastar o luto, o cantor o convida para dentro do show e transforma a perda que inspirou o álbum em parte do espetáculo. Com isso, a turnê mostra que o show pop também pode ser um espaço para falar de finitude, memória e existência.

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