A reta final da eleição: pesquisas, alianças e a conta que fica para 2027
EDIÇÃO DE 16 DE OUTUBRO DE 2026
POR LUÍSA TORRÃO
ESTUDANTE DE JORNALISMO
O assunto da vez
A nove dias do segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam à reta final da disputa presidencial sem vantagem consolidada nas pesquisas. O empate registrado pelo PoderData nesta sexta-feira (16) aumenta a pressão sobre as campanhas, que intensificam a busca por apoios regionais e disputam a confiança de eleitores ainda suscetíveis a mudar de voto.
Enquanto os candidatos tentam ampliar suas bases, uma questão permanece aberta: como financiar as promessas eleitorais a partir de 2027? O próximo presidente terá de negociar com um Congresso renovado, enfrentar as restrições orçamentárias e transformar compromissos de campanha em políticas públicas. A votação acontece em 25 de outubro. As negociações pelo poder, porém, já estão em curso.
O que circula nos corredores
Governadores entram na disputa pelo Planalto
Dos 21 governadores eleitos no primeiro turno, 12 declararam apoio a Flávio Bolsonaro, cinco estão com Lula e quatro mantêm neutralidade, segundo levantamento da CNN Brasil publicado em 13 de outubro.
Flávio reúne apoios nos três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Lula concentra seus aliados entre os governadores eleitos no Nordeste.
A vantagem numérica nos palanques estaduais favorece a capilaridade da campanha de Flávio, mas não garante transferência de votos. A capacidade de mobilização dessas lideranças será testada nos últimos dias antes da eleição.
Lula mobiliza aliados para recuperar terreno
A campanha de Lula intensificou as articulações com dirigentes partidários e lideranças regionais. Segundo a Revista Oeste, o presidente reuniu aliados em Brasília, em 5 de outubro, para reorganizar a estratégia eleitoral e ampliar a atuação nos estados.
A movimentação busca fortalecer a presença da candidatura em regiões onde o petista enfrenta maior resistência. O desafio será transformar apoio político em mobilização efetiva, especialmente entre eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Onde o poder se encontra
Os palanques estaduais ganham importância
Com o segundo turno definido, governadores e lideranças regionais assumem papel de destaque na agenda dos presidenciáveis. Viagens, encontros reservados e atos conjuntos podem indicar onde as campanhas identificam oportunidades de crescimento.
A atenção se volta especialmente para os estados com grandes eleitorados e para aqueles que também terão segundo turno na disputa pelos governos locais. Nesses territórios, as negociações envolvem interesses que ultrapassam a eleição presidencial e podem influenciar a relação entre União e estados a partir de janeiro.
Negócios em movimento
Ajuste fiscal: as promessas ainda não fecharam a conta
A política fiscal tornou-se um dos principais pontos de atenção do mercado financeiro. Reportagem da Reuters publicada em 15 de outubro mostrou que Lula e Flávio Bolsonaro apresentam caminhos distintos para as contas públicas, mas ainda deixam perguntas sobre a execução de suas propostas.
Flávio defende um ajuste mais rápido das contas do governo, enquanto Lula aposta em uma consolidação fiscal gradual, com preservação das políticas voltadas à população de menor renda.
As diferenças são conhecidas. Falta explicar como as medidas serão financiadas, quais despesas poderão ser revistas e que apoio parlamentar cada governo terá para executar suas prioridades. A dívida pública e a rigidez do orçamento não desaparecerão depois da eleição.
Transporte gratuito entra na campanha
Lula anunciou, em 15 de outubro, a intenção de apresentar uma proposta de emenda à Constituição para garantir transporte público gratuito nos fins de semana em todo o país.
Segundo a Reuters, a ideia envolveria financiamento por meio de emendas parlamentares. A proposta, entretanto, ainda exige esclarecimentos sobre custos, distribuição dos recursos e responsabilidades dos entes federativos.
A gratuidade pode ampliar o acesso ao transporte, mas sua viabilidade dependerá de financiamento permanente e negociação com estados, municípios e Congresso. O anúncio eleitoral, por enquanto, deixa essas respostas em aberto.
No radar
Congresso eleito amplia pressão sobre o STF
A nova composição do Congresso já movimenta articulações que podem alterar a relação entre Legislativo e Judiciário em 2027.
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro discutem iniciativas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, incluindo pedidos de impeachment. A renovação do Senado pode modificar a correlação de forças em torno dessas propostas.
A ofensiva envolve disputas políticas e questões jurídicas que exigem procedimentos formais. A abertura e o eventual avanço de um processo dependerão das condições institucionais e da formação de maiorias no Senado.
Fim da escala 6×1 entra na conta eleitoral
A aprovação da proposta de redução da jornada de trabalho pelo Congresso colocou o fim da escala 6×1 entre os assuntos de maior repercussão da reta final da campanha.
A medida, aprovada em 14 de outubro, mobiliza interesses de trabalhadores e empregadores e pode influenciar o debate sobre produtividade, remuneração e organização do trabalho.
A implementação das novas regras e seus efeitos sobre diferentes setores da economia merecem acompanhamento. O tema também evidencia como decisões legislativas podem adquirir peso eleitoral às vésperas da votação.
NÚMERO DA SEMANA
50% a 50%
Empate em votos válidos na pesquisa PoderData/Aya
Lula e Flávio Bolsonaro aparecem com 50% das intenções de voto cada um no levantamento divulgado em 16 de outubro. A pesquisa ouviu 3 mil eleitores entre os dias 13 e 15, tem margem de erro de 1,8 ponto percentual e está registrada no TSE sob o número BR-04258/2026.
O resultado confirma o equilíbrio da disputa naquele período. A pesquisa não representa uma previsão do resultado das urnas, mas ajuda a dimensionar a importância da mobilização eleitoral na última semana.
FRASE DA SEMANA | Leitura da coluna
A eleição termina nas urnas. A governabilidade começa nas negociações.
A composição do Congresso e os acordos construídos durante a campanha terão influência direta sobre a capacidade do próximo presidente de aprovar reformas, organizar o orçamento e cumprir promessas. Uma vitória eleitoral não assegura, por si só, maioria parlamentar.
Giro político
Brasília concentra as articulações da campanha de Lula
O encontro do presidente com aliados, em 5 de outubro, colocou a reorganização da campanha e a atuação regional no centro das conversas políticas. Dirigentes partidários e representantes estaduais participaram das discussões sobre a estratégia para o segundo turno, conforme relato da Revista Oeste.
A reunião evidencia o esforço da candidatura para coordenar suas lideranças e ampliar a presença nos estados. A fotografia do encontro deverá ser acompanhada de identificação dos participantes, data e crédito da imagem.
AGENDA DA PRÓXIMA SEMANA
19 a 24 de outubro | Últimos dias de campanha
A programação dos presidenciáveis deverá concentrar viagens, atos públicos, entrevistas e encontros com aliados. Os estados escolhidos para os compromissos podem indicar onde cada candidatura pretende reforçar sua mobilização.
Pesquisas | Os últimos retratos do eleitorado
Novos levantamentos permitirão acompanhar eventuais oscilações nas intenções de voto. A comparação exigirá atenção às datas de coleta, aos métodos de entrevista e às margens de erro.
Economia | Propostas sob escrutínio
As equipes econômicas continuarão pressionadas a explicar como pretendem lidar com a dívida pública, as despesas obrigatórias e o financiamento de promessas eleitorais. A viabilidade das propostas depende também da capacidade de negociação com o Legislativo.
Congresso | As alianças para 2027
Os partidos eleitos começam a medir forças para a próxima legislatura. A formação de blocos e as articulações em torno das presidências da Câmara e do Senado poderão indicar as primeiras condições de governabilidade do futuro governo.
Para ficar de olho
A disputa pelo Planalto chega à última semana com um eleitorado dividido e campanhas empenhadas em ampliar suas alianças. Os números das pesquisas mostram uma eleição aberta, enquanto os movimentos nos estados revelam a importância dos acordos políticos.
O resultado de 25 de outubro definirá o próximo presidente. A capacidade de governar dependerá das negociações que já começaram, dos compromissos assumidos e da disposição do Congresso para participar da agenda do Executivo. A campanha está perto do fim. A disputa pelas condições de governabilidade está apenas começando.
