A Champions em um ano atípico

Por Idries Bulkool Bernstein 

Interrompida no dia 11 de março, por conta da pandemia do novo coronavírus, a Champions League finalmente voltou, quase cinco meses depois, no dia 7 de agosto. Tendo em vista o ano atípico, e considerando as exigências sanitárias, a disputa das fases finais teve algumas mudanças importantes, sendo condensada ao longo de 15 dias. 

Com exceção das últimas partidas de volta das oitavas de final, que não puderam ser realizadas, a competição foi preparada toda para Portugal. A torcida, como em quase todos os campeonatos ao redor do mundo, não pôde comparecer ao estádio para torcer pelo seu time. Por fim, a maior novidade foi a mudança para jogo único nas quartas de final em diante, diminuindo o espaço entre uma partida e outra, cabendo às equipes definirem sua vaga dentro dos 90 minutos, com a possibilidade de prorrogação e pênaltis. 

Fim das oitavas 

Com a paralisação no meio da etapa de oitavas de final, alguns times ainda tiveram que garantir uma vaga na sequência da competição. O Manchester City repetiu o placar de 2 a 1 e despachou o time 13 vezes campeão, o Real Madrid. O Barcelona segurou a pressão do italiano Napoli e também avançou. A surpresa Lyon conseguiu segurar uma derrota por 2 a 1 para a Juventus, e passou para as quartas com a vantagem do gol marcado fora de casa. Por fim, o Bayern aplicou mais uma goleada (3 a 0 no jogo de ida), dessa vez por 4 a 1, e passou com tranquilidade pelo Chelsea. 

Quartas de final incomum 

Já nas quartas o panorama foi diferente do que se vê. Isso porque dos oito times classificados, seis deles jamais ganharam a famosa ‘orelhuda’. As surpresas ainda maiores ficaram do lado de RB Leipzig e Lyon, que conseguiram vencer seus jogos e mandar de volta para casa nada mais nada menos do que os grandes Atletico de Madrid e Manchester City, respectivamente.  

O PSG, fazendo jus ao investimento pesado em contratações nos últimos anos, conseguiu passar pela surpresa Atalanta, estreante no torneio, com uma virada nos minutos finais. Coube ainda ao Bayern de Munique, em ritmo avassalador, aplicar uma goleada histórica de 8 a 2 para cima do Barcelona, que acabou o ano sem nenhum título conquistado. 

Semifinais inéditas 

Pela primeira vez, desde 1991, as semifinais da Liga dos Campeões não tiveram clubes italianos, tampouco espanhóis ou ingleses entre os classificados. Foi a vez de franceses e alemães medirem forças para decidir se haveria uma decisão com dois times do mesmo país ou não. No primeiro confronto, deu França, com a vitória contundente do PSG por 3 a 0 sobre o clube de apenas 11 anos de história, o RB Leipzig. O time francês iguala sua melhor campanha na competição com jogos consistentes e passagens sobre times de peso. 

Já o segundo confronto acabou confirmando o favoritismo alemão. O Lyon ainda assustou no início da partida, mas acabou não convertendo, enquanto a força individual e coletiva alemã se traduziu em gols e uma vitória com propriedade pelo placar também de 3 a 0. Com isso, Bayern de Munique segue em busca da tríplice coroa: vencer o campeonato nacional, copa da Alemanha e Liga dos Campeões na mesma temporada. 

Uma final especial 

Da promessa de grandes partidas, passando por resultados marcantes e surpreendentes, a Liga dos Campeões chega ao fim com a sexta conquista, essa de forma invicta, do Bayern de Munique. A partida demonstrou a força coletiva da equipe alemã, que controlou a posse de bola, chegando ao gol e administrando o resultado sem grandes sustos. Os franceses tiveram poucas chances, que acabaram não aproveitando, nessa que foi a primeira experiência em uma final de Champions para o time da capital francesa. 

Manuel Neuer ergue a taça de campeão e leva o Bayern a conquista da tríplice coroa na temporada 2019/20 (Foto: AP)

O clube alemão é o primeiro a vencer o torneio com 100% de aproveitamento, contando ainda com incríveis 43 gols em apenas onze jogos, uma média de 3,9 gols por jogo. Com o triunfo, o clube repete a tríplice coroa conquistada em 2013, quando era comandado por Jupp Heynkes. Por fim, se junta ao Barcelona como o segundo time a alcançar o feito por duas vezes em anos diferentes. 

Com o fim dessa edição do torneio, fica a dúvida se a implementação de jogos em partida única se manterá ou não. O mais certo é que as partidas continuem sem a presença do público, podendo ser liberada a presença de uma pequena porcentagem caso a situação sanitária se estabilize. Vale lembrar que a Liga dos Campeões da temporada 2021/22 já está acontecendo em sua etapa de playoffs, com a fase de grupos prevista para começar dentro um mês, ainda sem data definida. 

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