Retrospectiva 2020: em meio ao caos da pandemia, o Esporte sobrevive e adia planos para 2021

Por Rafael Cruz

O ano de 2020 foi diferente para todos. A pandemia do novo coronavírus mudou a nossa rotina, tivemos que nos adaptar e reinventar, e no esporte não foi diferente. Os estádios que eram palcos de festa e alegria viraram hospitais de campanha para salvar vidas. Não perdemos a tradição de “torcer para o time de que somos fãs”, apenas nos acostumamos com as arquibancadas vazias e trocamos a “cadeira numerada” pelo sofá de casa. 

Foi um ano importante para a conscientização social, para se importar com o outro e cuidar do próximo. Os atos de racismo no setor esportivo aumentaram em 52% em relação a 2018, segundo o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, porque passaram a ser denunciados. O posicionamento dos atletas no movimento Black Lives Matter, a reação de Neymar ao sofrer racismo no Campeonato Francês e a de Gerson, no Brasileiro, além da paralisação da partida entre PSG e Istanbul Basaksehir foram importantes neste aspecto. 

Foi um ano de muitas perdas: até o dia 30 de dezembro, foram 192.681 mortes no Brasil e 1.793.368 no mundo, segundo o Wikipedia, The New York Times e outras fontes confiáveis. No entanto, quem ficou teve um ano de aprendizado e pode ter muito a agradecer. E, com a chegada das vacinas, a esperança é de um 2021 muito melhor. 

Confira a retrospectiva: 

Janeiro

Foto: Reprodução/NBA 

Logo no primeiro mês do ano, perdemos um ídolo do basquete, Kobe Bryant, ex-jogador do Los Angeles Lakers. O craque nos deixou aos 41 anos, junto com sua filha Gianna, de apenas 13, e outras seis pessoas, após um acidente de helicóptero, no dia 26 de janeiro, na Califórnia (Estados Unidos). 

Fevereiro

Foto: Pedro Miranda/WSL 

Em fevereiro, a Guinness World Records reconheceu o recorde mundial da surfista brasileira Maya Gabeira, encarando uma onda de 23,5 metros, a maior já surfada por uma mulher. Ela bateu sua própria marca, na Praia do Norte, em Nazaré (Portugal). 

O segundo mês do ano ainda dava sinais de que 2020 seria dentro da normalidade: o Carnaval aconteceu como em todos os outros anos, apesar do início da pandemia em alguns pontos do mundo, e, no futebol, o Flamengo dava continuidade ao sucesso de 2019, conquistando o título da Supercopa do Brasil, contra o Athletico-PR, no Mané Garrincha, e a Recopa Sul-Americana, contra o Independiente Del Valle.  

Março

Em março, tivemos o primeiro caso do novo coronavírus no Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a pandemia e deu-se início à quarentena no país, que forçou a suspensão dos campeonatos. O principal adiamento foi o das Olimpíadas, fato que apenas havia acontecido durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, nos anos de 1916, 1940 e 1944. Eurocopa e Copa América também foram adiadas. 

Foto: Reprodução/ Twitter 

Nem o “bruxo”, apelido do ex-craque de futebol Ronaldinho Gaúcho, ficou ileso. O astro foi preso no Paraguai por suspeita de portar documentos falsos, junto com seu irmão Assis, durante mais um “rolê aleatório”. Os irmãos foram presos, preventivamente, no dia 4 de março e depois passaram a cumprir prisão domiciliar em um hotel em Assunção. Eles desembarcaram no Brasil em agosto. Ao todo, foram 171 dias detidos. 

Abril

Foto: Colagem/Instagram do R7 

Em quarentena, os atletas foram obrigados a se reinventar para treinar longe dos gramados e manter a forma física. Os próprios clubes fizeram treinos de forma virtual com a presença de preparadores físicos. Campeonatos de videogame e redes sociais, como Instagram e Tik Tok, serviram de distração para os jogadores. 

Maio

Jogadores da NBA foram às ruas protestar contra atos racistas nos EUA – Foto: Reprodução/ Instagram 

Em maio, deu-se início aos protestos antirracistas nos Estados Unidos, após o assassinato do negro norte-americano George Floyd. Atletas como Lebron James, Lewis Hamilton e Naomi Osaka se uniram na causa. Outros casos, como o de Breonna Taylor e de Jacob Blake, também nos Estados Unidos, aumentaram ainda mais a revolta. No Brasil, houve o caso de João Vitor, adolescente negro assassinado dentro de casa, no Rio de Janeiro, no mesmo período. 

Junho

Em junho, uma das principais ligas de futebol do mundo retornou com seus jogos: a Premier League. O Liverpool saiu da fila e sagrou-se campeão, após 30 anos, graças ao time do treinador Klopp, dos brasileiros Alisson, Firmino e Fabinho, e das estrelas Mané, Salah, Alexander Arnold e Van Djk. 

Foto: Reprodução/Globo Esporte 

Também foi mês de um importante aniversário: o Maracanã completou 70 anos. O estádio foi inaugurado em 16 de junho de 1950 para a Copa do Mundo daquele ano e virou templo do futebol brasileiro. 

Julho

Julho foi um mês importante para o futebol nacional. Após conquistar a Libertadores e o Brasileirão de forma folgada em 2019, a Recopa Sul Americana e a Supercopa do Brasil em 2020, o treinador português Jorge Jesus deixou o Flamengo após ganhar o título carioca. E, a partir daí, o time que caminhava para uma supremacia no futebol brasileiro foi eliminado, precocemente, da Libertadores e da Copa do Brasil, além de fechar o ano a quatro pontos da liderança do Campeonato Brasileiro.  

Foto: Reprodução/Reuters 

Em Orlando, nos Estados Unidos, foi criada uma bolha para sequência da temporada 2019/2020 da NBA. A liga excluiu alguns times que não tinham chances de alcançar os playoffs e isolou os atletas e os membros das equipes em um hotel. Os jogos aconteceram sem torcida no Complexo Esportivo da Disney. 

Agosto

Foto: Jesse D. Garrabrant / NBAE / Getty Images / G

Na bolha, além de cestas, bloqueios e enterradas, aconteceu uma série de protestos antirracistas. Um deles foi o boicote liderado pelo Milwaukee Bucks, que se recusou a jogar uma partida dos playoffs na série contra o Orlando Magic por conta da morte de Jacob Blake, negro assassinado por policiais brancos no estado de Wisconsin, onde está localizada a sede da franquia. Na ocasião, a NBA esteve perto de se encerrar sem vencedor, mas a competição seguiu, e o Los Angeles Lakers sagrou-se campeão. 

Foto: Matthew Childs/Associated Press 

Também em formato de bolha, a Liga dos Campeões da Europa seguiu para Lisboa, onde o Bayern de Monique conquistou o maior dos seus três títulos da temporada, e que viria a consagrar o artilheiro Robert Lewandowisk como o melhor jogador do mundo. Além de instaurar uma crise no poderoso Barcelona, após o time do atacante polonês vencer os espanhóis por 8×2 nas quartas de final, o que desencadeou uma novela sobre o futuro de Messi no clube catalão. 

No mesmo mês, encerraram-se os campeonatos estaduais e deu-se início ao Campeonato Brasileiro, mesmo em meio à pandemia. Com três meses de atraso, complicou ainda mais o já apertado calendário do Brasil, apesar de a temporada ter se estendido até fevereiro de 2021. 

Setembro

Com surto de Covid-19, Flamengo usou muitos jovens contra o Palmeiras – Foto: Alexandre Vidal/ Flamengo 

Setembro foi o mês do recomeço da Libertadores e da Copa do Brasil. Começou uma sequência avassaladora de jogos “quarta e domingo”, os jogadores e funcionários dos clubes ficaram ainda mais expostos ao vírus da Covid-19, e o Flamengo conviveu com um surto da doença. Por conta disso, aconteceu uma briga judicial entre Flamengo e Palmeiras para a realização ou não da partida entre os clubes pela 12º rodada do Campeonato Brasileiro.  

A partida estava suspensa pelo Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro até 20 minutos antes do horário para começar, quando uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho, a pedido da CBF, confirmou a realização do jogo, que terminou empatado em 1×1. 

A CBF também foi a responsável por uma marca histórica, ao anunciar duas coordenadoras mulheres para a Seleção Brasileira Feminina.  

No tênis, o brasileiro Bruno Soares conquistou ouro nas duplas do US Open

Outubro

Foto: Colagem/ Rafael Cruz

Em outubro, foi aniversário do Rei: Pelé completou 80 anos e recebeu homenagens de todos os lugares do mundo. 

Outros fatos marcantes: o Los Angeles Lakers conquistou seu 17º título da NBA liderado por Lebron James, Rafael Nadal igualou o recorde de Roger Federer de 20 Grand Slams ao vencer seu 13º Roland Garros, as Eliminatórias da Copa do Mundo retornaram, Robinho foi contratado e dispensado pelo Santos após pressão dos patrocinadores por envolvimento em caso de violência sexual em Milão (ele viria, mais tarde, a ser condenado em segunda instância pela justiça italiana). 

Novembro

Foto: Colagem/ Rafael Cruz

Novembro foi o mês da despedida de um dos maiores gênios do esporte mundial, o único a ser comparado a Pelé: o argentino Diego Armando Maradona, astro da seleção da Argentina e do Napoli. O craque conviveu com as drogas durante e após sua carreira. Aos 60 anos, teve uma parada cardiorrespiratória, duas semanas após realizar uma cirurgia na cabeça. 

Nas pistas, 2020 foi ano de quebra de recordes e consagração para o piloto inglês Lewis Hamilton. Mas, em novembro, foi quando ele conquistou seu heptacampeonato da Fórmula 1, igualando Michael Schumacher. O inglês ainda ultrapassou o alemão em número de vitórias, em vitórias em uma mesma pista e em uma escuderia, além de atingir outras marcas em poles, pódios, pontos, voltas lideradas, totalizando 24 recordes no ano. 

O mês também foi importante no ringue. O maior ídolo do boxe mundial, Mike Tyson, voltou a lutar, aos 54 anos, contra Roy Jones Jr, em uma disputa de exibição em prol da caridade, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Também nos EUA, mas em Las Vegas e nove anos mais novo, com 45, o lutador brasileiro de MMA Anderson Silva também se despediu do octógono, porém com um nocaute por parte do jamaicano Uriah Hall. 

Dezembro

Lewandowski superou Messi e Cristiano Ronaldo para ser eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA – Foto: Getty Images 

Em dezembro, são, tradicionalmente, realizadas as premiações da Fifa e da Revista France Football que coroam os melhores do mundo no futebol. Mas, em meio à pandemia, as cerimônias aconteceram de forma diferente. A revista francesa decidiu não entregar o prêmio para não cometer injustiças. Segundo ela, não seria possível avaliar os atletas de forma igualitária. Assim sendo, criou o Bola de Ouro Dream Team, para coroar os melhores jogadores de todos os tempos. Já a Fifa entregou o prêmio, mas realizou a cerimônia de forma virtual.  

O último mês do ano também teve jogo da Champions League interrompido por racismo, na partida entre PSG e Istanbul Basaksehir, e investigações no Brasil após acusação de racismo do meia Gerson, do Flamengo, no jogo contra o Bahia pelo Campeonato Brasileiro. O técnico do time baiano, Mano Menezes, envolvido na polêmica, foi demitido na ocasião. 

Além disso, a Rússia não conseguiu que seus atletas competissem por bandeira neutra nas Olimpíadas. O país tinha sido condenado a quatro anos de exclusão de competições internacionais, porque a Agência Antidoping da Rússia (Rusada) foi declarada “não cooperante” por manipular dados de laboratório entregues aos investigadores em janeiro de 2019, durante um escândalo de doping. Conseguiu diminuir a pena para dois anos (até 2022) após recurso. Desta forma, o país está fora das Olimpíadas de 2021 e da Copa do Mundo de 2022. 

Por fim, mas não menos importante, dezembro também foi importante para o futebol feminino. O presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, anunciou que a Copa América Feminina será disputada a cada dois anos, a partir de 2022, e revelou que a entidade conversou com a UEFA para a realização da Copa Intercontinental Feminina de Clubes. 

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