O outro lado da moeda: o papel do advogado nas investigações criminais

“Direito penal é igual a cloroquina: serve para qualquer coisa”, disse Flávia Pinheiro Fróes

Por Thalis Nicotte

A última palestra do primeiro dia do Facha Festival abordou o tema “Advocacia investigativa no Tribunal do Júri”. Flávia Pinheiro Fróes foi convidada como palestrante do evento e a coordenadora do curso de Direito da Facha Carolina Médici atuou como mediadora.

Flávia é mestre em Ciências Penais e advogada criminalista. Além de presidir o Instituto Anjos da Liberdade ela é uma crítica do punitivismo, afirmando que a prisão deve ser sempre em último caso. O livro de Marcelo Semer, “Sentenciando o tráfico”, é usado como exemplo da cultura prisional do nosso país.

Flávia fala da importância da investigação realizada pelo advogado. Fonte: Youtube

A advogada questiona o trabalho da polícia e da magistratura carioca na qual 37,5% dos presos são soltos no seu dia de julgamento por falta de provas. Com base nesses dados, Flávia ressalta a importância da investigação por parte dos advogados. “Ir ao local, conversar com as testemunhas, para tentar diminuir as chances de fraude no processo penal”, ela diz.

Flávia embasa suas informações em números. São mais de oitocentos mil presos em todo o Brasil, e desses, 40% são prisões cautelares, que em sua visão, não havia necessidade de acontecer.

Flávia Pinheiro Fróes: “O conhecimento liberta”. Fonte: Youtube

A comunicação e o direito

O papel das redes sociais e da mídia também são abordados. Flávia explica que usa as redes sociais para tentar criar um perfil de júri imparcial, assim como tenta se apropriar da influência da mídia para gerar contraprovas no seu processo. Segundo a advogada, a mídia impõe uma cultura de medo e insegurança à população, e é papel do advogado mostrar o outro lado da história.

Em uma das perguntas realizadas pelos alunos que acompanhavam a live, Flávia foi indagada sobre como ela lidava com o medo de não sofrer nenhuma retaliação pelo trabalho executado. Ela prontamente respondeu que por causa de suas atividades, o medo não é algo que permeia a sua vida. Segundo a criminalista, o medo é uma escolha: “Todo mundo vive com medo de alguma forma, algum nível. Você só escolhe o tipo de medo que você quer ter”.

A live alcançou mais de 400 visualizações e a programação do Facha Festival continua amanhã, então fique ligado.

Confira, na íntegra, a live:

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