Mercado de trabalho na pós-produção audiovisual: flexibilidade e mente antenada são alguns dos segredos

Por Luciana Alves e Leo Bronstein 

Encerrando a programação de lives do Facha Festival da quinta-feira (05), Guto Neto, coordenador dos cursos de Cinema e Rádio, TV e Internet da Facha, mediou a live ”Novos Fluxos de Trabalho na pós-produção audiovisual”, com João Nogueira, coordenador de Tecnologias da Rede Globo.   O convidado deixa bem claro que o profissional que seguir para este mercado precisa ter flexibilidade, mente aberta, predisposição para aprender o novo e estar antenado por ser uma área que passa por mudanças e atualizações constantemente. 

Tela de celular com foto de homem

Descrição gerada automaticamente
Foto: Reprodução/YouTube FACHA

O Youtube, em 2006, e Netflix, em 2010, foram o marco inicial para esse movimento de constantes atualizações do conteúdo audiovisual. Em 2020, a virada tecnológica se solidificou. As novelas estão com uma linguagem semelhante à das séries, sendo que estas estão aderindo às características de cinema. O formato do novo cinema: primeiro assistir via streaming e depois na sala de cinema. Para João Nogueira, “nós estamos a sombra do futuro. Há sempre uma constante descoberta de tecnologia: 4K, 8K, 3D. O que importa é a capacidade da pessoa de produzir conteúdo de qualidade e se atualizar à nova linguagem”.  

O palestrante recomenda que, para quem está na faculdade, é importante ter uma visão crítica das profissões e entender que daqui a dois, três anos pode surgir uma nova função para aquela carreira que se formou.  

Oportunidades 

João Nogueira também traz atualizações sobre o comportamento econômico do mercado audiovisual no país. O Brasil é um país barato para produzir conteúdo audiovisual e, além disso, o brasileiro possui uma paixão no consumo deste conteúdo. Fatores que tem atraído grandes empresas internacionais, a exemplo, a DisneyClub, que está prevista para fazer parceria com a GloboPlay no próximo ano. Têm oportunidades e espaços surgindo. Sobre a indústria audiovisual brasileira, o convidado comenta que está sendo muito consumida pela Internet e seguindo para a plataforma On DemandO cinema brasileiro tem migrado para o Netflix e a plataforma streaming já pretende lançar as primeiras novelas brasileiras”, relata o palestrante.  

Muito questionado pelo público, o palestrante conta que as inovações tecnológicas, como a câmera 4k, por exemplo, é excelente na produção de conteúdo, mas por ser mais cara e mais técnica exige muito mais do profissional que irá fazer o seu uso. É preciso ter inteligência para o uso do equipamento, pois o mais importante é o cliente perceber o resultado produzido e aprovar, para então conseguir o investimento de um patrocinador.

Guto Neto, à direita, e João Nogueira, à esquerda, e a participação do público pelo chat – Foto: Reprodução/YouTube FACHA

Nogueira traz muitas dicas de produção audiovisual, especialmente para o uso de imagens de arquivos em documentários. Além da entrevista, as imagens precisam ser praticamente recicladas para o formato digital na melhor qualidade e sem perder a sua essência. É um trabalho difícil, que exige conhecimento e criatividade de outras áreas, como design e grafismo, por exemplo, para conseguir o conteúdo. É um universo híbrido.  

Por falar em qualidade, o convidado informa que, independentemente de qualquer mudança de tecnologia, produzir um conteúdo genuíno e de qualidade é o ponto mais importante de qualquer produto ou experiência audiovisual. Não importa o formato, o equipamento ou o veículo de comunicação, as pessoas gostam mais de produção de conteúdo que entretenimento. Um conteúdo com laço emocional e qualidade torna-se atemporal, vide Chaves, que mesmo há anos sendo transmitido, consegue manter a audiência com o público. 

Uma imagem contendo Interface gráfica do usuário, Aplicativo

Descrição gerada automaticamente
João Nogueira, coordenador de Tecnologia da Rede Globo – Foto: Reprodução/YouTube FACHA

Encerrando a live, o coordenador da Rede Globo atenta que o Brasil tem muito espaço no mercado audiovisual. O brasileiro gosta deste conteúdo e tem muita gente para produzir. Com o celular, a facilidade de registros e captação de imagens se amplia. Tem espaço e oportunidades para todos. Além disso, ele traz um dado importante: o brasileiro gosta de conteúdo produzido em português, ressalta. “84% do conteúdo consumido no Netflix é em português, seja produto nacional ou dublado. Tem um campo aí para dubladores. O brasileiro busca entretenimento para descansar e consumir conteúdo no idioma nacional”, complementa o palestrante sobre dados do consumo audiovisual no Brasil.  

live ”Novos Fluxos de Trabalho na pós-produção audiovisual” rendeu um dos maiores picos de visualizações do festival, 480, além da interação frequente do público com questionamentos sobre o mercado de trabalho, comportamento econômico no país, reflexões sobre o avanço deste mercado e a adaptação do profissional para seguir na área.   

Continue acompanhando a programação do Facha Festival que encerra seu evento amanhã com mais duas palestras para o público! 

Confira, na íntegra, a live:

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