Fla Flu na Superliga Feminina de Vôlei – cariocas têm tradição na modalidade e sonham com título da temporada 2020/21

Por Júlia Nascimento

A Superliga Brasileira de Voleibol Feminino está de volta para a temporada 2020/21. A edição anterior não teve uma equipe levantando a taça porque, no dia 19 de março, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) determinou o cancelamento da competição 2019/20 devido ao início da pandemia de Covid-19 no Brasil. 

No dia 28 de outubro, começou a ser disputado o Troféu Super Vôlei, campeonato que abriu a nova temporada da elite nacional do vôlei feminino. A ideia foi reunir os oito melhores times da última Superliga (Sesc RJ Flamengo, Fluminense, Minas Tênis Clube, São Paulo/Barueri, Dentil/Praia Clube, Sesi Vôlei Bauru, Osasco Audax/São Cristóvão Saúde e Curitiba Vôlei) e substituir os playoffs que não foram disputados. 

Fluminense e Flamengo são os representantes do Rio de Janeiro na ponta de cima do vôlei feminino. E a dupla não está presente apenas para participar, mas para brigar pelo título da Superliga. Ambos os clubes possuem tradição na modalidade, acumulando troféus estaduais e nacionais há décadas. 

O Tricolor é o maior vencedor do Campeonato Carioca, com um total de 28 títulos. Em 19 de outubro, perdeu a chance de se isolar ainda mais na história da competição, sendo derrotado na final, pelo Rubro-negro (3 sets a 0). Já em âmbito nacional, o time das Laranjeiras é bicampeão da Liga Nacional, torneio que antecedeu a Superliga entre 1976 e 1994, erguendo o caneco nos anos de 1976, estreia do campeonato, e 1981. 

Time do Fluminense se prepara para a estreia na Superliga Feminina 2020/21 – Foto: Gilvan de Souza/FFC

A equipe tricolor, quando já era bicampeã nacional, chegou a ser desativada em 1984. Nos períodos de 1994 a 1997 e de 2012 a 2013 foi remontada, porém apenas para as disputas do Campeonato Carioca. Em 2016, participou da Superliga B e ficou com o vice-campeonato. Com o resultado, pôde disputar a repescagem visando a Superliga A e, após vencer todos os jogos, conquistou a vaga na elite para a edição 2016/17.

Como primeiro compromisso da atual temporada, as tricolores participaram do Troféu Super Vôlei e foram eliminadas, em mais um Fla Flu, no dia 28 de outubro por 3 sets a 1.  

O técnico Hylmer Dias possui reforços para os próximos desafios: as centrais Fran Jacintho (ex-Praia Clube) e Jéssica (atleta da base); as opostas Bruna Moraes (ex-São Caetano) e Arianne, que retorna de uma temporada na Europa; a central argentina Julieta Lazcano; as ponteiras Fernanda Tomé e Dayse; e a multicampeã Mari, que será a décima campeã olímpica em ação na Superliga.  

O Fluminense conta, ainda, com as remanescentes: Giovana e Rose, de levantadoras; Andressa e Lelê, de líberos; Julia Moura, Stephany e Giovanna Fant, de ponteiras; Mayara, de oposta; e Natasha e Marcella, de centrais. Na primeira rodada da Superliga 2020/21, o tricolor enfrenta o São Paulo FC/Barueri nesta terça-feira (10), às 17h, no ginásio das Laranjeiras. O clube foi procurado para falar sobre as expectativas para a temporada na competição, mas até o momento não retornou.

Seguindo na zona sul do Rio, a expectativa para a temporada também é grande na Gávea. Em especial porque o Flamengo firmou parceria com o Sesc RJ, a equipe mais vezes campeã nacional e segunda maior campeã estadual: 12 pela Superliga e 16 pelo Campeonato Carioca. O anúncio oficial foi feito no dia 17 de outubro. Segundo o clube, “a junção das iniciativas visa a manutenção do vôlei de alto rendimento no Rio de Janeiro, além do fortalecimento do trabalho na base rubro-negra”. 

Time do Sesc RJ Flamengo para a temporada da Superliga 2020/21 – Foto: Divulgação

Além do novo nome, Sesc RJ Flamengo, o Rubro-negro também conta agora com o técnico multicampeão pelo Sesc RJ e pela Seleção Brasileira Masculina, Bernardinho, e com grande parte de seu forte elenco (apenas Tandara deixou a equipe e acertou com o Osasco). Para Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, a ideia é valorizar e investir nos esportes olímpicos, especialmente no vôlei feminino, modalidade em que o clube possui tradição.  

“Uma das missões da nossa gestão é a valorização, mais do que merecida, dos esportes olímpicos do Flamengo, aliada ao espírito vencedor que foi uma marca do clube, em terra e mar, desde o ano passado. Sempre de maneira sustentável. O vôlei, além de ser uma das modalidades esportivas preferidas do torcedor brasileiro, tem enorme tradição no nosso clube, que já foi a casa de grandes craques e campeãs. Nosso desejo é seguir no resgate dessa tradição e contando com a parceria com o Sesc RJ e o apoio da nossa torcida para atingir esse objetivo”, afirmou Landim ao site oficial do Flamengo. 

O Rubro-negro é tricampeão da Liga Nacional, vencendo nos anos 1978, 1980 e 1985, e campeão da Superliga na temporada 2000/01, com direito a outro clássico carioca na final. O confronto foi contra o Vasco da Gama em um Maracanãzinho lotado. A equipe da Gávea conquistou o título na quarta partida da série final. 

Pelo Campeonato Carioca são dez troféus levantados, incluindo o primeiro da história (1938) e o da última edição, da qual já participou como Sesc RJ. O último título estadual havia sido há 36 anos, em 1984. A parceria, então, já conquistou um primeiro lugar e chegou a outras duas finais. Pelo Troféu Super Vôlei (3 sets a 0) e pela Supercopa de vôlei (3 sets a 1), as cariocas ficaram em segundo lugar, ambos contra o mesmo adversário, o Praia Clube. Disputada desde 2015, a Supercopa possui apenas dois vencedores: justamente os finalistas desta edição, com três canecos para cada.  

Além do elenco estrelado que Bernardinho já comandava, o treinador ganhou os reforços da oposta Lorenne, das líberos Camila Gomez e Marcelle e da ponteira Ana Cristina, de apenas 16 anos e já considerada uma estrela das seleções de base. Renovaram contrato as ponteiras Amanda e Drussyla, a levantadora Fabíola, as meios Juciely e Milka e a líbero Natinha, todas titulares na última temporada. A estreia do Sesc RJ Flamengo na Superliga é contra o Brasília em casa, no Ginásio Hélio Maurício, nesta terça-feira (10) às 21h30.  

Lorenne chega para ser comandada por Bernardinho pela segunda vez, com a primeira tendo sido na temporada 2015/16, quando ainda estava começando. No entanto, após boa passagem pelo Barueri, onde foi campeã paulista e convocada para a Seleção Brasileira, a oposta chega com status de titular e de esperança rumo ao título nacional. A atleta garante que a equipe é forte, está evoluindo cada vez mais e vai brigar pelo título. Ela falou, com exclusividade, para o Em Todo Lugar

Lorenne é a nova oposta do Sesc RJ Flamengo – Foto: Reprodução/ Instragram da atleta

“O Sesc RJ Flamengo é a equipe mais vencedora do país, carrega toda a filosofia de trabalho do Bernardo, então o elenco é sempre formado para conquistar títulos. Ainda estamos em início de temporada, buscando os ajustes do time e o melhor ritmo de jogo, mas sempre com a responsabilidade de dar o nosso melhor em quadra e conquistar vitórias. O Carioca é sempre o primeiro passo em busca dos maiores objetivos da temporada”, comentou. 

Lorenne explica como ficou a montagem do time, uma vez que Sesc e Flamengo, separados, já contavam com boas atletas. 

“A gente já está com o elenco definido. Infelizmente, tivemos a lesão da Natinha no último mês, mas a comissão conseguiu trazer a Camila Gomez e a Marcelle para posição de líbero, o que com certeza vai agregar muito ao time. É uma equipe muito interessante, porque conta com jogadoras muito experientes e também atletas jovens que estão buscando seu espaço. Essa mistura com certeza vai ser ótima para a gente”, acrescentou. 

Sobre a expectativa da parceria para a Superliga, a oposta acredita que será vantajosa para os dois lados. Além disso, conta com a força da torcida rubro-negra.  

“Acho que a parceria entre o Sesc RJ e o Flamengo vem para trazer ainda mais valor para o vôlei brasileiro. Apesar de o Sesc RJ já ser uma das melhores equipes do país, com o peso da camisa do Flamengo fica ainda maior. A gente espera que essa torcida imensa esteja sempre junto com a gente nos momentos difíceis e nas conquistas. A gente espera que (a parceria) seja para sempre! (risos)”, finalizou. 

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