1 ano da Glória Eterna: como o Flamengo se comportou após a conquista da Libertadores

Por Fernanda Dias e Gabriel Orphão

23 de novembro de 2019. Se você perguntar para qualquer flamenguista o que ele fez na noite desse dia, certamente ele te responderá que viveu uma das melhores noites de sua vida.  Hoje, completa-se 1 ano desde a vitória do rubro-negro carioca em cima do River Plate, trazendo o título da Copa Libertadores da América. Em homenagem a esse dia, o Em Todo Lugar preparou uma matéria especial sobre a retrospectiva desse ano. Desde a glória eterna até o momento em que o clube passa hoje. 

Elenco titular da final da Libertadores de 2019 – Foto: Alexandre Vidal/Flamengo 

A conquista da Libertadores de 2019, começou no dia 5 de março, em Oruro, na Bolívia. Jogando a 3.735 metros de altitude, o Flamengo derrotou o São José por 1 a 0, com bela atuação de Diego Alves. Na semana seguinte, venceu a LDU no maracanã, por 3 a 1. E no dia 3 de abril, foi derrotado pelo Peñarol, no Maracanã, em partida marcada pela expulsão de Gabigol, além de uma atuação apagada de grande parte do time. O duelo seguinte, pela fase de grupos, foi contra o San José, onde fez uma partida de alta qualidade e doutrinou a equipe boliviana, vencendo por 6 a 1. Os dois últimos jogos da fase de grupo trouxeram angústia para os rubro-negros: a derrota para a LDU, em Quito, e o empate com o Peñarol, em Montevidéu, garantiram a classificação do time para as oitavas de final.  

Entre o último jogo da fase de grupos e o primeiro das oitavas, mudanças importantes aconteceram no Flamengo: a demissão de Abel Braga, as contratações de Gerson, Filipe Luís e Pablo Marí, além do técnico português Jorge Jesus.  

No dia 24 de julho, no primeiro jogo de Jorge Jesus pela Libertadores, o Flamengo foi derrotado pelo Emelec por 2 a 0, em Guayaquil, em partida marcada pela grave lesão do meio-campista Diego Ribas. No jogo de volta, com um grande apoio da torcida no Maracanã, o rubro-negro devolveu o placar de 2 a 0, vencendo a partida nos pênaltis.  

Depois desses duelos, o clube teve outros dois com brasileiros, logo em sequência. O primeiro, pelas quartas de final contra o Internacional. Venceu a partida de ida por 2 a 0, no Maracanã, e empatou em 1 a 1 no estádio do Beira-Rio. Em seguida, enfrentou outro gaúcho: o Grêmio. No jogo de ida, na Arena do Grêmio, o Flamengo teve 3 gols anulados, pelo árbitro Néstor Pitana, e a partida terminou empatada em 1 a 1. A classificação para a final da Copa Libertadores se deu com uma atuação exemplar. Na partida de volta das semifinais, no Maracanã, o Flamengo, de Jorge Jesus, envolveu o Grêmio, de Renato Portaluppi, e venceu a partida por 5 a 0.  

A grande final, no dia 23 de novembro de 2019, contra o River Plate, trouxe emoção até os últimos minutos do jogo. Rafael Santos Borré abriu o placar pra equipe argentina ainda no primeiro tempo. Já Gabriel Barbosa definiu o jogo nos últimos 5 minutos do segundo tempo e consagrou o Flamengo como bicampeão da Copa Libertadores da América. 

O pós-título 

Voltando ao Brasil, logo após a conquista da América, o elenco rubro-negro foi recebido, em um trio elétrico, e foi “abraçado” pela sua torcida com uma linda festa na Avenida Presidente Vargas, centro do Rio. Ainda durante a comemoração, o Palmeiras, segundo colocado do Brasileiro, foi derrotado pelo Grêmio, e fez com que o Flamengo se tornasse heptacampeão nacional ainda em cima do trio. Infelizmente, o final da festa foi marcado por confusão entre torcedores do clube e a Polícia Militar. 

Mais de 100 mil pessoas estiveram presentes na comemoração para receber os campeões da Libertadores 2019 – Foto: Marcos Serra Lima/G1 

Ainda pelo Campeonato Brasileiro, o Flamengo teve que cumprir a tabela e jogar mais quatro jogos contra Ceará (quando recebeu o troféu de Campeão Brasileiro), Palmeiras, Avaí e Santos. 

tão esperado Mundial de Clubes da FIFA 

Na tarde do dia 13 de dezembro de 2019, a equipe do Flamengo decolou rumo a Doha, no Catar, para a disputar o bicampeonato do Mundial de Clubes. A equipe embarcou com grande festa da torcida, que acompanhou o translado do time desde a saída do Ninho do Urubu até o terminal de cargas do Aeroporto Internacional Tom Jobim. 

Torcida do Flamengo realizou o famoso “AeroFla” e foi passar energias positivas no embarque da equipe com destino ao Catar – Foto: Brenno Carvalho/O Globo 

Após mais de 15 horas de viagem, o Flamengo chegou ao destino e foi recebido por um grupo de cerca de 30 torcedores, que viajaram de diversas partes do mundo para acompanhar a delegação na busca pelo campeonato mundial. Aos gritos de “Fica Gabigol” (que na época ainda não havia renovado contrato com o clube) e “Mister, Mister”, o elenco rubro-negro foi recebido na sua chegada ao hotel, com rápida saída para o estádio Jassim Bin Hamad para assistir ao confronto entre Al Hilal (Arábia Saudita) e Espérance (Tunísia). O vencedor desse confronto, enfrentaria o clube carioca na semifinal do torneio. O Al Hilal, equipe do ex-volante do Flamengo, Gustavo Cuellar, acabou vencendo e se classificando para as semifinais do torneio. 

Na tarde do dia 17 de dezembro, Flamengo e Al Hilal se enfrentaram em partida válida pelas semifinais do Mundial de Clubes da FIFA. O Flamengo garantiu a vitória com gols de Giorgian De Arrascaeta, Bruno Henrique e um gol contra de Ali Al-Bulaihi. O meia Salem Al-Dawsari descontou para a equipe do Al Hilal. Com o resultado, o Flamengo foi o primeiro clube a se classificar para a final do torneio. No dia seguinte, o Liverpool (Inglaterra) venceu o Monterrey (México) por 2 a 1 na outra semifinal e se classificou para enfrentar o Flamengo, 38 anos após o último encontro entre as duas equipes, no Mundial de Clubes de 1981, em Tóquio, Japão. 

Arrascaeta, Gabigol, Bruno Henrique e Éverton Ribeiro comemoram um dos gols do Flamengo na vitória contra o Al Hilal – Créditos: Karim Jaafar/AFP

 A grande revanche 

21 de dezembro de 2019, Flamengo e Liverpool voltaram a se encontrar pela final do Mundial de Clubes da FIFA. No último confronto entre os times, a equipe brasileira venceu por 3 a 0, com gols de Nunes (2) e Adílio. A equipe comandada por Jorge Jesus tinha um objetivo: fazer uma atuação digna de uma equipe comandada por Zico e companhia. 

Segundo dados do governo do Catar, cerca de 19 mil torcedores do Flamengo estiveram presentes no Khalifa International Stadium para assistir à grande final. Havia uma expectativa de que o Liverpool viesse com um desfalque de extrema importância: o zagueiro Virgil Van Dijk, eleito o segundo melhor jogador do mundo, segundo o prêmio The Best, da FIFA. O jogador vinha de uma lesão, não participou da semifinal do Mundial e nem dos primeiros treinos. Porém, o técnico Jurgen Klopp confirmou a escalação do zagueiro holandês. Já a equipe de Jorge Jesus veio com sua escalação titular, a mesma que enfrentou o River Plate e garantiu o título da Copa Libertadores da América. 

Escalações de Flamengo e Liverpool na final do Mundial de Clubes da FIFA – Créditos: BeSoccer 

O Liverpool começou o jogo com mais intensidade, buscando o gol ainda nos primeiros minutos da partida. Roberto Firmino, Naby Keita e Alexander-Arnold desperdiçaram três chances claras de gol. Aos 15 minutos, o Flamengo começou a se encontrar no jogo e equilibrar a partida. Equilibrou tanto, que terminou o primeiro tempo com quase 60% de posse de bola e mexendo no psicológico dos jogadores da equipe inglesa. Henderson e Gabigol se desentenderam no final do primeiro tempo e tiveram que ser contidos pelo árbitro. Logo após o apito de Abdulrahman Al Jassim para encerrar o primeiro tempo, o lateral Rafinha se desentendeu com dois jogadores do Liverpool: o lateral Robertson e o atacante Sadio Mané. O lateral-esquerdo da equipe inglesa deixou o campo, no intervalo, falando com o atacante senegalês ao passarem próximo ao brasileiro: 

“Sadio, deixa que eu pego ele. Eu pego ele, não se preocupe, disse Robertson.” 

Aos 7 minutos do segundo tempo, Rafinha, em lance sem bola, recebeu uma falta dura de Robertson, que não foi marcada pelo árbitro. O roteiro da etapa final foi praticamente o mesmo. Discussões entre atletas, pressão do Liverpool no começo e equilíbrio do Flamengo da metade até o final. Já aos 49 minutos, o árbitro marcou um pênalti de Rafinha em cima de Mané. Mas, para a alegria dos rubro-negros, o VAR foi consultado, o pênalti anulado e assim o juíz determinou o final do segundo tempo, o que levou o jogo para a prorrogação. 

No primeiro tempo da prorrogação, Gabigol começou a sentir cãibras e preocupou o técnico Jorge Jesus. O português chegou a chamar o volante paraguaio Piris da Motta para entrar na vaga do atacante, mas, aos 8 minutos, o atacante perdeu a bola no meio de campo para Mané, que lançou para Roberto Firmino. O brasileiro fez o breque, tirou Rodrigo Caio e Diego Alves da jogada e fez o gol que deu a vitória e o título para a equipe inglesa. O Flamengo ainda tentou pressionar até o final da prorrogação, mas o Liverpool conseguiu se defender e acabou ficando com o título do Mundial de Clubes da FIFA. 

Jogadores do Flamengo assistindo a entrega do troféu para a equipe do Liverpool. Créditos: Getty Images. 

2020 – Será possível manter o mesmo ritmo de 2019? 

Menos de um mês após a última partida de 2019, o Flamengo teve seu primeiro confronto do ano de 2020. Pela Taça Guanabara, o Flamengo enfrentou o Macaé no Maracanã. Porém, durante praticamente todos os jogos, a equipe rubro-negra optou por jogar com sua equipe sub-20, para dar férias aos jogadores do profissional. A equipe teve quatro jogos durante o primeiro mês do ano para utilizar sua base. Com o comando do técnico Mauricio Souza, o Flamengo empatou com o Macaé, venceu o Vasco e o Volta Redonda e perdeu pro Fluminense. Em 3 de fevereiro, a equipe principal voltou as atividades e venceu a equipe do Resende por 3 a 1. 

Assim, o Flamengo iniciou o ano com pensamentos altos, tentando manter o mesmo ritmo de 2019. Tudo indicava que o time poderia ter os mesmos ou até melhores resultados que no ano anterior, embora com algumas perdas importantes no elenco, como a venda de Pablo Marí, para o Arsenal, e Reinier, para o Real Madrid, sendo mais uma vez destaque na janela de transferências. Em contra partida, contratou os atacantes Pedro Rocha, do Cruzeiro, Michael, do Goiás, e Pedro, da Fiorentina, o meio campo Thiago Maia, do Lille, e o zagueiro Gustavo Henrique, do Santos. O clube ainda conseguiu renovar os contratos de Renê, Bruno Henrique, Willian Arão e Diego Ribas, além de contratar, em definitivo, o atacante Gabriel Barbosa, que estava emprestado pela Inter de Milão. 

Um começo impressionante 

Apenas 13 dias após a volta dos jogadores profissionais, o Flamengo já disputou sua primeira final. No dia 16 de fevereiro, em Brasília, o Flamengo enfrentou o Athletico Paranaense pela final da primeira edição da SuperCopa do Brasil, evento organizado pela CBF, que o vencedor do Campeonato Brasileiro enfrenta o vencedor da Copa do Brasil. No duelo de rubro-negros, a equipe carioca venceu por 3 a 0, com gols de Bruno Henrique, Gabriel Barbosa e Arrascaeta e se consagrou campeão do torneio.  

Três dias depois, o Flamengo enfrentou o Independiente Del Valle, em Quito, no Equador, pela primeira partida da final da Recopa Sul-americana, torneio que o campeão da Libertadores enfrenta o campeão da Sul-americana. Jogando a 2.850 metros de altitude, a partida terminou empatada em 2 a 2, com gols de Pedro e Bruno Henrique, para a equipe carioca, e Murillo e Pellerano, para os donos da casa. 

 Voltando ao Brasil, três dias após o duelo contra os equatorianos, o Flamengo enfrentou o Boa Vista, no Maracanã, pela final da Taça Guanabara, garantindo seu segundo título do ano, com gols de Diego e Gabigol. Na mesma semana, enfrentou o Independiente Del Valle pelo jogo de volta com uma partida excepcional. O Flamengo se tornou campeão da Recopa Sul-americana, vencendo o jogo de volta por 3 a 0, com gols de Gabigol e Gerson duas vezes, conquistando, assim, o terceiro título do ano. 

pandemia 

No dia 14 de março, o Flamengo enfrentou a Portuguesa, pelo Campeonato Carioca, e foi o último jogo da equipe antes da paralisação dos campeonatos por conta da pandemia da Covid-19. Sem jogos do clube entre os meses de abril e maio, a preocupação dos torcedores ficou por conta da parte física dos jogadores. Muitos estavam acima do peso.  

Embora os índices de preparação física e nutrição do Flamengo não indicassem atletas acima do peso, era nítida a diferença de antes e depois da paralisação, o que gerou diversos memes na internet. Muitos torcedores compararam Gabigol a Jefferson Sales, conhecido como “Gabigol da torcida”, como prefere ser chamado, ou “Gabigordo”, como ficou conhecido nacionalmente. Conhecido sempre pela sua alegria em todos os momentos, além da semelhança com o atacante, Jefferson, é um dos sósias dos jogadores da equipe rubro-negra. 

Torcedor compara Gabigol ao “Gabigordo”, por causa da forma física do atleta – Créditos: Reprodução/Twitter

O fim da era Jorge Jesus 

A volta do Campeonato Carioca trouxe incertezas. Sem datas para as competições nacionais e internacionais, como o Campeonato Brasileiro e a Copa Libertadores, diversos clubes eram contra a volta dos jogos profissionais, o que gerou discussão na mídia. Clubes, como Fluminense e Botafogo, se mostraram totalmente contra a volta das partidas e essa incerteza preocupava uma pessoa em específico: Jorge Jesus. 

O Flamengo voltou a campo no dia 18 de junho, contra o Bangu, pela quarta rodada da Taça Rio. Pouco mais de 2 semanas depois, Flamengo e Fluminense se enfrentaram pela final do torneio. Em partida bastante disputada, o tempo regulamentar terminou 1 a 1, levando a partida para os pênaltis. Willian Arão, Leo Pereira e Rafinha acabaram não convertendo suas cobranças e o Fluminense se sagrou campeão. 

Na mesma semana, Flamengo e Fluminense voltaram a se enfrentar, dessa vez pela partida de ida da final do Campeonato Carioca. Com gols de Pedro e Michael, para os rubro-negros, e Evanilson, para a equipe tricolor, o Flamengo acabou vencendo o primeiro jogo. Na partida de volta, em 15 de julho, Vitinho fez o único gol da partida, o que levou o Flamengo a se tornar campeão Carioca, seu quarto título do ano. 

Jogadores do Flamengo e o treinador Jorge Jesus comemoram o título do Campeonato Carioca – Foto: André Durão/Globo Esporte 

Porém, dois dias após o título, Jorge Jesus comunicou sua saída da equipe e o seu acerto com o Benfica, de Portugal. O “Mister” levou consigo toda a sua comissão técnica, formada por outros seis portugueses. Jesus também pretendia levar o chefe do departamento médico do Flamengo, Marcio Tannure, que acabou recusando o pedido. 

Com muito churrasco, samba e uma mistura de tristeza e alegria, Jorge Jesus e sua comissão técnica se despediram do elenco e dos profissionais do departamento de futebol no dia 20 de julho, em um almoço realizado no CT Ninho do Urubu, zona Oeste da cidade. 

Domènec Torrent – A solução ideal? 

O presidente Rodolfo Landim e a diretoria do clube tiveram mais um desafio em sua gestão: encontrar um novo técnico ao nível de Jorge Jesus. O departamento de Futebol sabia que não seria uma missão fácil. Diversos nomes foram especulados no clube, como Carlos Carvalhal, Miguel Angel Ramirez e Fernando Hierro. Porém, a diretoria optou por apostar em Domènec Torrent, técnico catalão, que trabalhou por 10 anos como auxiliar de Pep Guardiola, atual técnico do Manchester City. Antes de assumir o Flamengo, “Dome”, como gosta de ser chamado, havia sido treinador do New York City e teve 48% de aproveitamento em sua passagem. 

Dome chegou no Flamengo junto de dois espanhóis: o auxiliar técnico Jordi Guerrero e o analista de desempenho Jordi Gris. O trio desembarcou no Aeroporto do Galeão no dia 1º de agosto, junto do vice-presidente de futebol Marcos Braz e foram recebidos com grande festa pela torcida. 

Domènec Torrent em seu vídeo de anúncio como novo treinador do Flamengo – Créditos: Reprodução

O catalão estreou no dia 9 de agosto contra o Atlético Mineiro, pelo Campeonato Brasileiro. Porém não foi como o esperado. A equipe mineira venceu a partida, com gol contra marcado pelo lateral Filipe Luís. Pouco tempo depois, mais um tropeço: o Atlético Goianiense derrotou o Flamengo por 3 a 0, pela 2ª rodada do Campeonato Brasileiro, e gerou uma preocupação ainda maior, tanto na diretoria, quanto nos torcedores. Na mesma semana, veio a primeira vitória: o Flamengo derrotou o Coritiba por 1 a 0, no Couto Pereira, e trouxe um alívio para Dome e sua comissão. 

Goleadas, crises, lesões e surtos de COVID – ainda existe esperança? 

No dia 17 de setembro, o Flamengo voltou a enfrentar o Independiente Del Valle, agora pela 3ª rodada da fase de grupos da Libertadores. Com muita expectativa, por ser a primeira partida do espanhol no torneio, o clube carioca sofreu sua maior derrota na história na Libertadores: 5 a 0 em Quito. Após a derrota, torcidas organizadas começaram a se manifestar nas redes sociais pedindo a demissão do treinador Domènec Torrent. 

Torcedor pede a saída de Dome, após a derrota de 5 a 0 pro Independiente Del Valle – Reprodução/Twitter 

As notícias ruins não paravam para a equipe rubro-negra: um surto de Covid-19 atingia grande parte dos atletas e membros da comissão técnica, incluindo o treinador Domènec Torrent, que faz parte do grupo de risco. Com isso, o clube precisou enfrentar o Palmeiras, no dia 27 de setembro, com parte dos jogadores do sub-20 do clube. Apenas 6 atletas (Gerson, Thiago Maia, João Lucas, De Arrascaeta, Pedro e Lincoln) faziam parte do elenco profissional. Além disso, o auxiliar técnico Jordi Guerrero teve que assumir a função de Dome. Mesmo com tantos desfalques, os “garotos do ninho” empataram com o Palmeiras em 1 a 1 e foram recebidos com muita festa pela torcida, ao retornarem para o Rio de Janeiro.  

Alguns dos atletas do sub-20, que atuaram no jogo, tiveram destaques positivos e foram convidados a fazerem parte do plantel principal do elenco: o goleiro Hugo Souza, o zagueiro Natan e o lateral Ramon. Na mesma semana, com parte do elenco profissional de volta, o Flamengo enfrentou o Independiente Del Valle, pela quarta vez no ano, e derrotou os equatorianos por 4 a 0. 

Em outubro, a equipe rubro-negra teve resultados positivos: 7 vitórias e 2 empates, com desempenhos bastante acima da média, como a goleada de 5 a 1 contra o Corinthians. Porém, em novembro, a história estava diferente. O Flamengo começou o mês sofrendo uma goleada por 4 a 1 do São Paulo, com direito a 2 pênaltis perdidos pela equipe carioca. Pedro e Bruno Henrique desperdiçaram as suas cobranças, ambas defendidas pelo goleiro da equipe paulista, Tiago Volpi.  

Na mesma semana, a equipe rubro-negra venceu o Athletico Paranaense, por 2 a 1, na partida de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, com direito a um pênalti defendido pelo jovem goleiro Hugo Souza. Porém, quando muitos torcedores tinham esperança de que a equipe pudesse embalar e voltar ao ritmo de outubro, a equipe foi derrotada por 4 a 0 pelo Atlético Mineiro. Após essa derrota, a diretoria anunciou a demissão do treinador Domènec Torrent e sua comissão técnica, que deixaram o Flamengo com 14 vitórias em 24 jogos. 

Perfil oficial do clube anuncia a demissão de Domènec Torrent – Reprodução/Twitter 

Um sonho recente se torna realidade 

Logo após a demissão do treinador catalão, a diretoria do Flamengo começou a estudar os nomes que poderiam assumir o clube e um deles chamou a atenção do departamento de futebol: Rogerio Ceni, até então no Fortaleza. O clube entrou em contato com o ex-jogador e apenas um dia após a demissão de Dome, Rogério foi anunciado como novo treinador da equipe do Flamengo. 

Perfil oficial do clube anuncia a contratação de Rogério Ceni – Reprodução/Twitter 

Um dia após o anúncio e apresentação do novo treinador, Ceni já comandou a primeira partida com o elenco: a derrota para o São Paulo por 2 a 1, pela partida de ida das quartas de final da Copa do Brasil. Na mesma semana, o Flamengo empatou com o Atlético Goianiense por 1 a 1, em partida marcada por um gol perdido pelo atacante Lincoln. Quatro dias depois, o São Paulo bateu a equipe de Rogerio Ceni, por 3 a 0, eliminando o rubro-negro da Copa do Brasil. A primeira vitória de Ceni no comando do clube carioca, veio apenas na noite do dia 21, ganhando do Coritiba por 3 a 1, no Maracanã. 

Com muitos altos e baixos, certamente essa não era a temporada em que a torcida, os jogadores e a diretoria esperavam. O legado deixado por Jorge Jesus ainda traz efeito nos corredores do clube. Tanto Domènec Torrent quanto Rogério Ceni foram constantemente comparados ao treinador português, seja nos resultados da equipe em campo ou no estilo de jogo dos atletas. 

É difícil dizer, hoje, como se comportará o time no comando de Rogério Ceni. São apenas duas semanas de trabalho, mas já é possível notar diferenças dentro de campo, se comparado ao trabalho de Domènec Torrent. Pro torcedor, resta a saudade do último ano e a esperança de que, em algum dia, a equipe consiga ter o mesmo desempenho que teve no ano de 2019. 

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