Vasco da Gama conquista o tricampeonato nacional e mostra ser a grande força brasileira no Futebol de Praia masculino

O “Trem Bala da Areia” venceu de forma invicta o brasileiro, com direito a derrotar o Flamengo nas semifinais e disputa dramática de pênaltis na final 

Por Rodrigo Glejzer 

Ocorreu entre 16 a 22 de novembro, a conclusão do Campeonato Brasileiro de Futebol de Areia marcado pela paralisação da competição e sua reformulação por causa da pandemia do coronavírus. Inicialmente programada para acontecer em 5 etapas, sendo 15 equipes de 11 estados diferentes, a Confederação Brasileira de Beach Soccer do Brasil (CBSB) conseguiu apenas organizar a primeira etapa, disputada em março no Espírito Santo, ao se ver forçada a mudar os planos com a proibição de eventos esportivos pelo país.  

Com as atividades retomadas em outubro, o campeonato retornou com mais uma classificatória, na capital pernambucana, e uma fase final, na cidade do Rio de Janeiro. As transmissões das duas primeiras etapas ficaram a cargo da própria CBSB, pelo Facebook e YouTube da confederação, enquanto a terceira foi de responsabilidade do SporTV. 

As classificatórias começaram com as 15 equipes divididas em dois grupos separados por regiões. A primeira etapa, cumprida entre os dias 9 e 15 de março ainda com a presença da torcida, realizou-se apenas com os times do grupo A, formado por equipes do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e disputado em sistema de pontos corridos com todas as 7 equipes (Anchieta-ES, Botafogo-RJ, Flamengo-RJ, Luziânia-DF, Rio Branco-PR, São José-RS e Vasco da Gama-RJ) se enfrentando em busca de uma das 4 vagas para a fase seguinte. Invictos e com o maior saldo de gols, os vascaínos conquistaram a classificação seguidos por Flamengo-RJ, Anchieta-ES e Luziânia-DF. Ainda deve-se destacar o péssimo desempenho do Botafogo-RJ, terceiro colocado no ano passado e agora eliminado na primeira eliminatória.   

Com a retomada da competição, após a suspensão pela Covid-19, a última etapa classificatória  aconteceu entre os dias 26 de outubro e 1 de novembro, já sem a torcida nas arquibancadas, com a disputa no grupo B, entre os times do Norte e Nordeste. Com 8 equipes (América-RN, Cabense-PE, Confiança-SE, Murici-AL, Náutico-PE, Sampaio Corrêa-MA, Sport-PE e Treze-PB) divididas em duas chaves, com duas vagas para as finais em cada lado, o Sampaio Corrêa conquistou a classificação com folga ao vencer seus três jogos e despontar como o melhor ataque. Completaram os classificados América-RN, Murici-AL e Confiança-SE, este qualificado apenas após as desistências de Cabense-PE e Náutico-PE. 

Tabela da etapa final do campeonato – Foto:CBSB

A parte final foi marcada para os dias 18 e 22 de novembro, novamente sem a presença da torcida, com uma preliminar seguida das semi e final. Divididos em dois grupos, dessa vez misturando as regiões, os times se enfrentaram em busca das 4 vagas classificatórias. Pelo Grupo C, formado por Vasco da Gama-RJ, América-RN, Anchieta-ES e Confiança-SE, os cariocas conquistaram a vaga, repetindo a campanha da fase anterior ao se manterem invictos e com o melhor ataque entre todos os times participantes, ao lado dos capixabas do Anchieta. No Grupo D, composto por Flamengo-RJ, Sampaio Corrêa-MA, Luziânia-DF e Murici-AL, o rubro negro não conseguiu repetir o mesmo desempenho de seus rivais vascaínos e acabou ficando em segundo, atrás do Sampaio Corrêa, também invicto e com a melhor defesa entre os classificados.  

As semi-finais ficaram marcadas pela tentativa de revanche do Flamengo contra o Vasco, já que os rubro negros perderam a final do campeonato brasileiro do ano passado para os cruzmaltinos e pelo confronto entre Datinha, defendendo o Sampaio Corrêa, e Bruno Xavier, capitão do Anchieta, ambos campeões mundias pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2017, nas Bahamas.  

No sábado (21), o Vasco entrou determinado a seguir rumo ao tricampeonato da competição, enquanto o Flamengo não tinha a menor intenção de ser outra vez deixado para trás por seu rival carioca. Tanto era a tensão na disputa que o primeiro tempo terminou apenas em 1 a 1 com direito a um golaço de bicicleta marcado pelo vascaíno, Lucão. O segundo tempo teve um Flamengo mais ofensivo e ligado na partida a ponto de conseguir abrir três gols de vantagens, deixando o jogo em 4 a 1, e fazer o Vasco correr desesperadamente para diminuir o prejuízo em 5 a 3. O terceiro, e último tempo, começou a favor dos flamenguistas já que Thanger, ao perceber o goleiro Rafael Padilha adiantado, chutou direto do campo de defesa e ampliou a vantagem no placar. Faltando 5 minutos para acabar a partida e com 3 gols de desvantagem, o Vasco pressionou no ataque e graças a 3 bolas paradas, uma falta e dois pênaltis, conseguiu o empate. A virada viria no último minuto com a redenção de Rafael Padilha ao acertar um chutaço, da sua própria área, no ângulo do gol adversário e garantir a vitória vascaína. Com 7 a 6 a favor, o “Trem Bala da Areia” agora apenas precisava esperar seu oponente na final. 

A outra vaga para a decisão não reservou menos emoção. Apesar do início avassalador do Sampaio Corrêa, terminando o primeiro tempo com uma boa vantagem de 4 a 0, o time de Anchieta não se deu por vencido e passou a buscar constantemente diminuir o placar. Tanto que no início do terceiro, e último, tempo conseguiram reduzir em apenas um gol a vantagem maranhense e colocar o placar em 6 a 5. Porém, o time do Sampaio Corrêa não se deixou abater e com calma no ataque conseguiram abrir mais dois gols de vantagem ainda na etapa final. Faltando 4 segundos para o término da partida, o Anchieta até conseguiu diminuir o placar, mas apenas para dar números finais e fechar a contagem em 8 a 6. Vasco e Sampaio Corrêa decidiram o campeão nacional, ao passo que Flamengo e Anchieta se contentaram em disputar o terceiro lugar.  

Jogadores do Vasco e Flamengo erguem o punho em homenagem ao dia da Consciência Negra – Foto: CBSB

O domingo (22) começou pela decisão da medalha de bronze com um Flamengo mordido, por levar uma virada de seu maior rival, enfrentando os determinados capixabas do Anchieta. O equilíbrio esperando entre as duas equipes apareceu e o placar se manteve a favor do Flamengo nos dois primeiros períodos com parciais de 3 a 1 e 4 a 3. No entanto, no início do terceiro tempo os capixabas conseguiram finalmente empatar a partida e passaram a pressionar pela virada, que veio após a falta e expulsão do capitão rubro negro Igor. Com um jogador a menos pelos próximos dois minutos, os cariocas não conseguiram segurar o oponente e não só o viu passar a frente no placar como também ampliar a vantagem para 6 a 4. Com o término da punição e o time completo novamente, os flamenguistas até conseguiram diminuir a vantagem do Anchieta, com belo gol de bicicleta de Felipe, contudo nada que fosse suficiente para evitar a amargura do quarto lugar.  

A final prometia muita paridade entre ambas as equipes. De um lado o esquadrão vascaíno, atual campeão brasileiro e das américas, e do outro a ótima equipe nordestina do Sampaio Corrêa, vencedora da Copa do Brasil de 2018. Acostumados com placares elásticos no futebol de praia, os torcedores devem ter se surpreendido com um primeiro tempo marcado por defesas bem postadas e poucos lances de perigo. O segundo tempo não se mostrava diferente, onde ambas as equipes prezavam mais pela marcação e não conseguiam construir muitas jogadas, tanto que o placar só foi aberto faltando 50 segundos para o fim do período com gol de Datinha, de falta, para o Sampaio Corrêa. Em desvantagem no período final, a equipe vascaína passou a jogar de forma mais ofensiva, tentando diversificar entre jogadas altas e chutes de longa distancia. O gol viria aos 8 minutos após o goleiro Rafa Padilha tentar um chute direto de sua área e Rafinha aparecer para desviar e empatar. A partir deste momento iniciou-se um bombardeio carioca contra o gol maranhense. Catarino, Boquinha e Jordan tentaram, mas não conseguiram passar por Bobô. O Sampaio Corrêa ainda contou com a sorte ao ver o voleio de Lucão passar rente a trave. Entretanto a pressão do Vasco não deu em muita coisa e o jogo acabou em 1 a 1 deixando a decisão para a prorrogação.  

Diferentemente dos tempos anteriores, os maranhenses não conseguiram segurar o ataque vascaíno com a mesma eficiência e acabaram cometendo falta perigosa a favor dos cariocas. Luquinha bateu com precisão e colocou os atuais campeões em vantagem. Forçados a buscar o empate, o Sampaio Corrêa passou a procurar mais o ataque, mas sem conseguir ser efetivo até receber um presente do adversário através de uma falta cometida em Datinha. O mesmo bateu no ângulo e empatou novamente a partida com menos de 1 minuto pro desfecho da prorrogação. Como nenhum dos dois times tinha muito mais fôlego para tentar uma nova investida, tudo acabou sendo decidido nos pênaltis. Melhor para o Vasco que voltou a vencer o brasileiro após Rafa Padilha pegar a terceira cobrança maranhense e Jordan confirmar a conquista ao converter o pênalti seguinte. É o segundo título nacional seguido do “Trem Bala da Areia” que se posta como a maior força do futebol de praia brasileiro. 

Equipe do Vasco comemora seu terceiro título brasileiro – Foto: CBSB

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