“Se eu fosse Maradona, eu viveria como ele” – a vida de Don Diego

Por Fernanda Dias e Lucas Isaias Furtado

Diego Armando Maradona morre aos 60 anos, no início da tarde de quarta-feira (25), em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. O argentino esteve internado, no começo do mês, para uma cirurgia de um coágulo na cabeça e, após a intervenção, foi levado para a casa do Tigre, contando com o aparato médico em seus últimos dias de vida.  

Foto: Jorge Duran/ AFP

Maradona é, por que ele continua aqui, uma figura humana, um craque e dos maiores nomes da história do futebol mundial. Único. El Diego, como os argentinos o chamam, foi campeão do mundo em 1986, com a Seleção Argentina, episódio marcado pelo gol de mão nas quartas de final, contra a Inglaterra, que ficou imortalizado como o gol de la mano de dios. Diego também defendeu o seu país nas Copas de 1982, 1990 e 1994. Nesta foi pego no antidoping por uso de efedrina, estimulante muito presente em remédios para emagrecimento, e foi excluído do torneio ainda na fase de grupos.  

Em clubes, como jogador, defendeu a camisa do seu time do coração, Boca Juniors, e teve duas passagens; também jogou no Argentino Juniors, Barcelona, Napoli, onde ajudou o time a ser campeão nacional e da Europa, além de permanecer no clube italiano até ser suspenso pela FIFA, em 1991, por doping, passando também por Sevilla e Newell’s Old Boys. 

Atualmente ele era técnico do time argentino Gimnasia y Esgrima, mas também comandou as equipes Al-Wasl e Al Fujarah (Emirados Árabes Unidos), Dorados de Sinaloa (México), a Seleção Argentina, Textil Mandiyú e Racing (Argentina), as duas últimas nos anos de 1994 e 1995, enquanto não podia atuar como jogador, por conta da punição por doping sofrida durante a Copa do Mundo. 

Sua luta, durante anos, contra a dependência química foi árdua. Em 2004, ele teve complicações cardíacas e foi internado em Buenos Aires, levado depois para Cuba com intuito de fazer um tratamento contra as drogas, que começou, segundo ele, após a chegada ao Barcelona, em 1982. Também enfrentou muitos problemas de saúde nos últimos anos decorrentes das internações que teve e dos excessos em sua vida. Em sua última aparição, em 30 de outubro, em uma homenagem aos seus 60 anos, ele tinha dificuldades para caminhar. 

Mais do que um atleta, Maradona foi um personagem político relevante. Amigo de Fidel Castro, político cubano, que faleceu no mesmo 25 de novembro há quatro anos, e apoiador de outras personalidades conhecidas da esquerda latino-americana, como Hugo Chávez e Luiz Inácio Lula da Silva, defendia a soberania da América do Sul e de seus países. Além de ser contra o domínio dos Estados Unidos no continente. Mesmo assim, nos anos 90, em uma ação calculada, apoiou Carlos Menem, que era neoliberal, mas ressaltou, na época, que era peronista e não menista. 

Maradona foi apresentador de TV, em 2005, quando apresentou, no canal argentino Trece, o talk showLa Noche del 10“, em que recebeu grandes personalidades como Pelé, Mike Tyson, Robbie Williams, Thalía e Zidane. O programa teve 12 episódios e foi um grande sucesso de audiência em toda a temporada.

Boca Juniors homenageia Don Diego deixando apenas seu camarote acesso na noite do dia 25 de novembro – Foto: Reprodução/Boca Juniors

Uma estrela a brilhar ainda mais 

O impacto de sua morte foi imediato. O presidente da Argentina, Alberto Fernández, decretou luto oficial de três dias no país e, em mensagem em seu Twitter, afirmou que Maradona foi o “maior de todos”, levou o país ao topo do mundo e fez os argentinos felizes.  

O Boca Juniors solicitou à CONEMBOL o adiamento da primeira partida de oitavas de final da Libertadores, contra o Internacional, que seria realizada na quarta (25), e a entidade atendeu, remarcando as partidas para os dias 2 e 9 de dezembro, às 21h30, horário de Brasília.   

O prefeito da cidade de Nápoles, Luigi de Magistris, anunciou em seu perfil no Twitter, que o estádio do clube, onde o atleta viveu tempos áureos de sua trajetória, passará a contar com o seu nome, assim como já acontece no estádio do Argentino Juniors, clube que iniciou sua brilhante trajetória, e hoje é palco de homenagens, assim como por toda a Buenos Aires. 

Diego Armando Maradona é um gênio único com todas as suas qualidades, com todos os seus erros e acertos. Sua vida foi repleta de altos e baixos, mas sua trajetória como craque é imortal e será sempre lembrada pelo seu brilho, pelo jogo de alto nível e revolucionário, além de envolver milhares de mentes e corações ao seu jogo contagiante, sendo um jogador único, realizando seus sonhos e, certamente, alimentou muitos mundo afora.  

As homenagens

Crédito: Reprodução/ Twitter
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Crédito: Reprodução/ Twitter
Crédito: Reprodução/ Instagram

Infinitas são as homenagens nas redes sociais, na Argentina, na Itália e por todos os lugares que Don Diego passou e deixou o seu legado. No Brasil, clubes como Botafogo, Juventude, Vasco, Santos, Vitória, Cruzeiro, Grêmio, Ponte Preta prestaram suas condolências a Diego Armando Maradona. O ex-presidente Lula também o homenageou em sua conta no Twitter.

Em sua despedida, nada seria mais justo do que uma multidão a sua volta. Maradona fez muitos discípulos se dispersarem do principal ponto de comemorações na capital argentina: o Obelisco. Essa única e exclusivamente por causa dele: El Diego. Seu velório acontece desde as 6 da manhã de hoje (26) na sede do governo argentino, a Casa Rosada, e tem previsão para ocorrer até as 16h. 

Un genio, un díos que no murrió ayer. És eterno e la eternidad és su grand legado en millares de corazones de afficionados, de enamorados con el fútbol. Y dioses nunca serán olvidados.

Gracias, Diego!  

Crédito: Lucas Levitan

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