O poder dos fãs: um amor que não tem fim

Já imaginou o que seria de uma banda ou artista sem os fãs?

Por Bárbara Scarpa

Quando pensamos em uma banda ou em um artista logo pensamos em seu público e nos seus fãs. Em todos shows, vemos muitas pessoas grudadas na grade, com cartazes, camisetas, faixas, tudo para tentar chamar atenção do artista. Esses fãs são fiéis e amam a banda ou o cantor, como se fosse uma segunda família, como cita Renata Pfisterer fã da cantora Pop Katy Perry. Você já imaginou o que seria de uma banda sem os fãs? Ou como são importantes os fãs para quaisquer artistas? Já se perguntou o que é ser fã?

Para a Alessandra Rezende, 22 anos, estudante de Relações Públicas da Facha, fã desde os 6 anos de RBD, “ser fã é um mix de sentimentos bons, acho que envolve conexão, amor em sua forma mais pura, é um sentimento inexplicável. Para mim é muito difícil explicar em palavras, mas está diariamente em minhas atitudes e ações. É muito doido e gostoso ao mesmo tempo, sou feliz demais de ter o privilégio de ser fã, ainda mais de quem eu sou!”

Maite Perroni e Alessandra Rezende no show em 2017 (Foto: arquivo pessoal)

Já Renata Pfisterer, 22 anos, estudante de Cinema da Facha, fã da cantora Pop Katy Perry, desde quando tinha 10 anos, acredita que ser fã é “acima de tudo você se identificar de alguma forma com o artista, seja através da música ou da personalidade, carisma ou de como trata o fã. E pelas músicas você pega esse amor incondicional. É algo que você vai construindo, criando esse afeto, essa proximidade com o artista. Ser fã pra mim também são as loucuras que você faz pelo artista, as amizades que se tornam uma segunda família.”

Ser fã é além de gostar de algumas músicas ou ir aos shows de bandas que fazem sucesso.  É admirar o trabalho do artista, amar todas as músicas ou todo o trabalho em si. Representa e significa algo muito importante para quem escuta as músicas e se identifica. Pode ser um ponto de refúgio, uma paz, uma luz no fim do túnel. Ser fã, para muitos, é amar e não deixar de gostar nunca do artista.

Para Lorraine Perillo, 29 anos, formada em Jornalismo pela Facha, fã da banda de metal sinfônico “O Epica é meu refúgio. É a banda que me inspira, que me distrai, que me dá forças quando eu preciso. São poucas as pessoas que têm uma ligação tão forte assim com a música ou com uma banda e eu posso dizer que tenho essa ligação com eles.”

Lorraine Perillo, com cartaz, The Quantum, Enigma Tour, em 2015 no Rio de Janeiro Foto: arquivo pessoal

É notório a existência de fãs de bandas e músicos, mas também vemos fãs de outros segmentos, como é o caso da estudante de Rádio, TV e internet da Facha, Bárbara Costa, de 22 anos, que é fã do humorista Paulo Gustavo. Ela que sempre gostou muito de programas de humor, teatro e filmes de comédia, desde 2013, começou a acompanhar o artista nas redes sociais e ir nas peças que ele fazia.  Ela acredita que “não é muito diferente ser fã de um humorista para uma banda, tem o lado de ir para o teatro e seguir ele no programa que participa. Para banda tem uma pequena diferença de poder ir nos shows, uma outra forma de ficar mais perto e também ir no hotel que se hospedam.”

Paulo Gustavo e Bárbara Costa, fã do humorista. (Foto: arquivo pessoal)

O SUCESSO DE K- POP

Vivemos em uma sociedade repleta de diversidade, onde todos podem e devem gostar de quantos gêneros musicais quiser. Por isso, temos uma cultura tão diversificada e com tantas escolhas para ser fã. Um gênero que é bastante famoso e que surgiu com uma força total é o K-pop que vem da abreviação de korean pop, a música popular sul-coreana. Descrito como um gênero musical, o k-pop é, na verdade, uma mistura de diversos gêneros, como um estilo híbrido. Basta ouvir qualquer música para perceber como o pop, o hip-hop e o eletrônico se misturam.

E os fãs deste gênero musical tem agido não apenas como fãs da banda, mas também como atores políticos. Segundo reportagem do G1, fãs de artistas pop sul-coreanos, incluindo o popular BTS, se uniram aos principais movimentos políticos dos EUA, usando as redes sociais e fãs clubes. Em junho, eles entraram em protestos nas mídias sociais contra o racismo e a brutalidade policial. Fãs do BTS igualaram a doação de 1 milhão de dólares da banda ao movimento Black Lives Matter.

É neste contexto que os fãs de K- pop se inserem. Através das mídias sociais eles ganham mais poder e força. Se as redes sociais não estivessem tão em alta, a fã Daniele Moreira, 30 anos, treinadora de futebol, acredita que não teriam o mesmo sucesso, “claro que se falarmos de pessoas que moram perto de comunidades coreanas, isso não seria uma questão. Mas em termos globais, sem dúvidas. A minha primeira experiência foi através do YouTube. Sem procurar especificamente sobre K-pop. E de lá pra cá foi migrando pro Twitter, Facebook, Whatsapp e então Instagram.”

Show BTS em Nova York, em 2018 (Foto: arquivo pessoal de Dani Moreira)

FÃS E REDES SOCIAIS

Com advento da internet e as redes sociais, a divisão de tipos de fãs é imensa. Vimos como o K POP é intrínseco aos meios tecnológicos, já a banda RBD começou em 2004 quando não havia muitas redes sociais e teve muito sucesso, superando recordes de vendas de grupos emblemáticos da música mundial como The Beatles e The Rolling Stones, vendendo mais de 15 milhões de cópias no mundo todo, sendo um dos grupos latinos de maior sucesso da história da música.

E agora, com a pandemia, a live do RBD já faturou R$ 15milhões em seus dois primeiros dias de venda. De acordo com a BBC, a música do grupo BTS, Dynamite, primeira música cantada totalmente em inglês, alcançou 33,9 milhões de streams nos Estados Unidos na primeira semana, para estrear em primeiro lugar na Billboard Hot 100.

Questionada sobre o fato de quando RBD surgiu não havia muitas redes sociais, a fã de RBD, Alessandra Rezende declarou que “eles conseguiram ganhar diversos prêmios e bater vários recordes sem essa ferramenta que com certeza ajuda bastante. Mas eu lembro que as redes sociais foram surgindo enquanto eles ainda estavam juntos como banda, mas nem se compara a hoje. Acho que se o RBD tivesse surgido atualmente o boom seria ainda maior, até mesmo em um possível retorno, um Maracanã ficaria pequeno para o sucesso.”

Fã clube do RBD administrado por Alessandra Rezende (Foto: arquivo pessoal)

Com as redes sociais os fãs clubes cresceram ainda mais e qualquer fã pode fazer um fã clube. Alguns começam com um fã clube particular e depois abrangem e querem atingir mais pessoas até chegar no seu ídolo, como foi o caso da Bárbara Costa que “nunca tinha ido em uma peça dele, só conhecia da internet. Depois me deparei pensando o quanto gostava muito dele e resolvi criar um fã clube. Pois já estava tão ligada, já sabia tudo da vida dele e foi no meio de 2014 que iniciei o fã clube, sozinha. E desde então postava quase todos os dias tudo que acontecia. Entrevistas, fotos, vídeos que ele fazia, TUDO! Comecei a ser reconhecida com curtidas e comentários dos amigos/conhecidos dele e até familiares.”

Fã clube do Paulo Gustavo criado e administrado por Bárbara Costa (Foto: arquivo pessoal)

Já a Lorraine Perillo, fã da banda Epica afirma “faço parte de um fã clube oficial chamado A New Age Dawns. Temos uma página no Facebook e conversamos com os fãs por ali. Reunimos notícias, entrevistas, sorteios e tentamos fazer com que o fã brasileiro fique mais conectado com a banda, que é holandesa.”

Fã clube administrado por Lorraine Parillo (Foto: arquivo pessoal)

Para Renata Pfisterer foi um pouco diferente, “eu tenho um fã clube, uma conta no Twitter dedicada para a Katy Perry, desde 2013. É algo meu. Não é o tipo de fã clube grande, que manda notícias dela para os fãs. Mas esse ano, eu entrei em um portal que se chama Canal Katy Perry. É muito bom porque eu me sinto mais próxima dela de alguma forma. É uma equipe com 10 pessoas, tem uma parte da equipe que fica no Twitter e eu e outra amiga, ficamos no Instagram. A equipe tem designers, editores de vídeo e redatores. Eu edito vídeo e sou administradora da página.”

Canal Katy Perry que Renata Pfisterer administra (Foto:arquivo pessoal)

HISTÓRIAS DE FÃS

Ter um fã clube significa ter pessoas que se identificam e entendem o que todos sentem. Quando o artista publica uma foto ou uma reportagem, quando confirma um show e começa a venda dos ingressos, tudo, para eles, é muito. Muito amor, muito carinho, companheirismo e verdade. O que os fãs passam é verdade. Cada história de correria, loucuras, tensões e nervosismo, é real.

Para contar uma história sensacional, que pode ser triste, engraçada, ou melhor inacreditável, a fã de Katy Perry, Renata Pfisterer conta como foi romper o ligamento em um show tão esperado, ouçam abaixo:

História Renata Pfisterer – Katy Perry Em Todo Lugar

A fã Renata Pfisterer conta uma história inacreditável que passou em um show da Katy Perry.
  1. História Renata Pfisterer – Katy Perry
  2. História Alessandra Rezende – RBD
  3. #01 Machado de Assis e a sua influência na Literatura Brasileira
Renata Pfisterer no hospital depois de romper o ligamento no show da Katy Perry. (Foto: arquivo pessol)

Histórias de fãs são inacreditáveis e não é só Renata Pfisterer que já passou por histórias engraçadas ou preocupantes. A fã de RBD Alessandra Rezende escolheu uma das várias histórias para compartilhar o encontro que teve com uma das integrantes da banda, ouçam abaixo:

História Renata Pfisterer – Katy Perry Em Todo Lugar

A fã Renata Pfisterer conta uma história inacreditável que passou em um show da Katy Perry.
  1. História Renata Pfisterer – Katy Perry
  2. História Alessandra Rezende – RBD
  3. #01 Machado de Assis e a sua influência na Literatura Brasileira

O QUE UM ÍDOLO REPRESENTA?

Quando ouvimos que fãs fazem loucuras pelos ídolos, não é brincadeira, não é mesmo? É por isso que quem é fã nunca desiste de conhecer ou de ir em um show ou evento que o famoso esteja. Pessoas que não fãs de algo ou alguém, talvez tenham certas dificuldades de entender a importância que tem um famoso ou uma banda.

Para cada fã, o artista representa algo lindo, como para Alessandra Rezende, RBD pra ela “representa muito minha vida. Ele me transformou no que eu sou hoje. Todos que me conhecem me associam a ele de alguma forma. O RBD trouxe muitos ensinamentos em suas falas nos shows, as músicas mexem comigo de uma forma absurda, eu amo os seis incondicionalmente e eu tenho uma gratidão enorme pelas pessoas/amigos que eles me proporcionaram conhecer. É isso, o RBD faz parte de mim e acredito que isso diz bastante coisa.”

Alessandra Rezende com os integrantes da banda RBD (Foto: arquivo pessoal)

Fã do humorista Paulo Gustavo, Bárbara Costa declarou que “o Paulo é uma das referências da comédia atualmente. Ele vai muito além do entretenimento. Tem seu papel de passar uma mensagem para as pessoas, o que ocorre na vida de uma forma espontânea, engraçada e leve, como na televisão e no teatro.”

Renata Pfisterer, emocionada, expõe “a Katy representa uma luz e uma paz na minha vida. Ela me ajudou e me ajuda em diversos momentos difíceis que eu passei e passo. Me traz uma paz, um refúgio, quando eu estou mal ou quando eu estou feliz também. É bom se sentir assim por alguém, e eu sinto isso nela. O jeito que ela trata os fãs, de uma forma tão carinhosa, tão amigável.”

Quando Katy Perry curtiu o tweet de Renata Pfisterer (Foto: arquivo pessoal)

SER FÃ É PRA SEMPRE?

Essa pergunta foi muito difícil para todas as fãs responderem, mas muitas pessoas acreditam que ser fã é algo momentâneo e que depois que cresce, esquece. A maioria das entrevistadas responderam com veemência que é para sempre.

Fã de RBD, Alessandra Rezende reitera “Em nenhum momento eu duvidei disso. Essa é uma das minhas maiores certezas. É uma das poucas coisas que eu gasto dinheiro sem nem pensar duas vezes. Acho que só quem é realmente fã sabe do que eu estou falando, é um sentimento inexplicável e sem igual.”

Alessandra Rezende no show do Christian, em setembro de 2019 (Foto: arquivo pessoal)

Dani Moreira, fã de K POP, “acredito 100%. Tenho uma irmã mais nova e ela é super fã de RBD. Ela comprou o ingresso pro show deles esse mês.  No meu caso, eu nunca tive um grupo/banda/cantor único e especial na minha adolescência. Gostava mesmo do gênero das músicas e era isso. O BTS chegou na minha vida e eu já estava na casa dos 20 e tantos anos. As Armys dizem que o BTS entra na nossa vida no momento que a gente mais precisa e no meu caso isso foi muito verdade. Minha primeira música foi FAKE LOVE. E ela disse muito para mim no momento. Enfim, me identifiquei bastante com a mensagem dele e sem sombra de dúvidas eu falarei sobre eles para meus netos.”

Fã da Katy Perry, Renata Pfisterer, “acredito que fã é algo pra sempre. É claro que você vai crescer com o artista, amadurecer, mas eu acho que esse amor e carinho, não vai morrer. Eu acho que você pode deixar de mexer em fã clube, pode se afastar das redes sociais, mas o amor e carinho, seja pela música ou por tudo, é para sempre sim.”

Renata Pfisterer com seu CD autografado pela Katy Perry (Foto: arquivo pessoal)

Já Bárbara Costa e Lorraine Perillo, acreditam que depende. Para Lorraine, “você pode não ser fã pra sempre da mesma coisa, mas, com certeza, você vai ser sempre fã de algo.” E para Bárbara, “muitas pessoas podem deixar de ir, ou diminuir a frequência de ir nos lugares onde são feitos os shows, teatros, programa, por maturidade mesmo.”

E você, acredita que ser fã é para sempre? Você é fã de algum artista ou banda? Já fez alguma loucura por um ídolo? Conta pra gente que vamos adorar saber!

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