125 anos do cinema: uma trajetória que encanta gerações

Por Fernanda Martins e Valentina Sulam

O cinema está comemorando 125 anos. No dia 28 de dezembro de 1895 acontecia em Paris a primeira exibição pública dos curtas-metragens produzidos pelos irmãos Lumière, que, ao aperfeiçoarem a invenção de Thomas Edison e desenvolverem o cinematógrafo, realizaram a utopia da época – a fotografia animada.

Também conhecido como a “Sétima Arte”, o cinema traduz o dinamismo da vida urbana no início do século XX. O termo é atribuído ao cineclubista italiano Ricciotto Canudo. Em seu Manifesto das Sete Artes, de 1911, defende que por contemplar simultaneamente o espaço e o tempo, na imagem e no movimento, o cinema representa a forma de expressão artística que, em sintonia com as inovações tecnológicas do mundo moderno, sintetiza todas as demais.

De Ed Wood, considerado o pior diretor de todos os tempos, a John Ford, maior vencedor do Oscar na categoria Direção, muitos talentos abrilhantaram as telonas com roteiros cativantes e personagens inesquecíveis. As histórias que marcaram gerações continuam encantando o público e passeiam por movimentos como o Expressionismo alemão, a Nouvelle Vague francesa, até a “Era dos blockbusters” hollywoodianos.

Mesmo depois de mais de um século, o cinema segue se reinventando e sua trajetória está em permanente construção. Resgatando referências do passado e combinando com o melhor do presente, a Sétima Arte proporciona experiências memoráveis e estabelece uma linguagem universal: a emoção.

História

A história do cinema parte do início da história da fotografia. É impossível diferenciar as duas, já que foi a partir das imagens feitas em papel, placas de metal ou de vidro, que surgiram as imagens utilizadas nos filmes.

Diversos inventores tentaram fazer a junção de imagens para criar uma projeção, mas foram os irmãos Auguste e Louis Lumière que conseguiram produzir sequências de imagens em movimento, dando origem ao primeiro filme conhecido, A Saída dos Operários da Fábrica Lumière.

Os irmãos Lumière, responsáveis pela invenção do cinematógrafo, eram filhos de um fabricante de materiais fotográficos e com o acesso aos equipamentos, passaram a trabalhar na produção de curtas-metragens que retratavam a vida cotidiana.

De início, o cinema era visado para fins documentais, mas a francesa Alice Guy-Blaché resolveu utilizar o filme como narrativa pela primeira vez em A Fada dos Repolhos. Georges Méliès foi além e criou Viagem à Lua, introduzindo um roteiro às filmagens, cortes e sobreposições.

Os filmes a cores vieram depois e eram tingidos manualmente, quadro a quadro, utilizando pincéis e lentes de aumento. Era um processo demorado, em que algumas vezes ocorriam erros. Com a evolução das técnicas, os filmes passaram a ser mergulhados em tanques de tinta ou pintados com grandes pincéis que facilitaram a atividade.

Até chegar nas produções vistas hoje nos cinemas e nas televisões, muitas pessoas foram importantes e adicionaram um detalhe especial para que grandes filmes e premiações surgissem.

25 filmes que marcaram a história do cinema

A Chegada do Trem na Estação (1895) – Produzido pelos irmãos Louis e Auguste Lumière e com apenas 1 minuto de duração, foi um dos primeiros filmes a ser exibido em uma sessão comercial. Segundo a lenda, o público teria fugido, aterrorizado, acreditando que o trem em aproximação atravessaria a tela.

Viagem à Lua (1902) – Precursor da ficção científica, o filme, dirigido pelo francês Georges Méliès, foi eleito um dos 100 melhores de todos os tempos.

The Story of the Kelly Gang (1906) – O filme australiano dirigido por Charles Tait é considerado o primeiro longa-metragem do cinema.

O Cantor de Jazz (1927) – Do diretor Alan Crosland, o musical foi o primeiro longa falado.

Metrópolis (1927) – Considerado pioneiro no gênero de ficção científica, o filme de Fritz Lang é um ícone do cinema expressionista alemão.

Tempos Modernos (1936) – Embora devesse ser a primeira produção com diálogos sonoros de Charlie Chaplin, para evitar a descaracterização do personagem Carlitos, o filme foi lançado mudo.

Branca de Neve e os Sete Anões (1937) – Produzido por Walt Disney, foi o primeiro longa-metragem de animação totalmente colorido.

… E o Vento Levou (1939) – Com um dos melhores desempenhos comerciais de todos os tempos, o filme de 233 minutos, dirigido por Victor Fleming, George Cukor e Sam Wood, foi o mais longo vencedor na categoria principal do Oscar. Por seu trabalho nesta produção, Hattie McDaniel se tornou a primeira mulher afro-americana a conquistar o prêmio da Academia como Melhor Atriz Coadjuvante.

Cidadão Kane (1941) – O filme, dirigido, produzido, co-escrito e protagonizado por Orson Welles, foi o primeiro de sua carreira e é reconhecido pela inovação na música, na fotografia e na estrutura narrativa.

Era Uma Vez em Tóquio (1953) – O filme de Yasujiro Ozu apresenta um ritmo lento, com aspectos visuais ocultos revelados no diálogo. O posicionamento de câmera baixo e estático também é característico do diretor japonês.

La Pointe Courte (1955) – O longa de estreia da cineasta belga Agnès Varda, primeira mulher a receber um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra, precedeu em quase cinco anos as produções reconhecidas como ícones da Nouvelle Vague, consagrando-se pioneiro no radicalismo visual e narrativo que marcaram o movimento.*

Rastros de Ódio (1956) – O faroeste de John Ford é considerado um dos mais influentes filmes já realizados.

O Sétimo Selo (1957) – Uma das obras mais conhecidas do cineasta sueco Ingmar Bergman.

Os Incompreendidos (1959) – Primeiro longa de François Truffaut, impulsionou a Nouvelle Vague na França.

La Dolce Vita (1960) – Um dos mais célebres trabalhos do diretor italiano Federico Fellini, o filme representa a transição do cineasta do neorrealismo para o simbolismo. Em preto e branco, traz elementos da estética noir e do expressionismo alemão.

Psicose (1960) – Um dos maiores clássicos do cinema moderno, o thriller marcou a carreira de Alfred Hitchcock.

Terra em Transe (1967) – Uma das mais polêmicas obras de Glauber Rocha, o filme, precursor do Cinema Novo brasileiro, foi premiado pela crítica internacional em Cannes.

2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968) – A produção de Stanley Kubrick revolucionou as técnicas de efeitos visuais, privilegiando uma trilha sonora clássica e uma narrativa não linear, com poucos diálogos, para discutir temáticas ousadas como os primórdios da civilização, inteligência artificial e vida alienígena.

Tubarão (1975) – O suspense é uma das emblemáticas produções de Steven Spielberg, um dos cineastas mais rentáveis da indústria do entretenimento.

Star Wars (1977) – O primeiro filme da franquia de George Lucas foi lançado em 1977 e até hoje continua sendo um fenômeno mundial, com uma legião de fãs. Seu enorme sucesso despontou a “era dos blockbusters”.

Pulp Fiction (1994) – Sucesso comercial e de crítica, o filme icônico de Quentin Tarantino é recheado de referências e violência gráfica, mesclando elementos clássicos e populares.

Titanic (1997) – O romance épico de James Cameron é recordista de indicações e prêmios na história do Oscar, são, respectivamente, 14 e 11.

Guerra ao Terror (2008) – Com esse filme, a cineasta norte-americana Kathryn Bigelow se tornou a primeira mulher a ganhar um Oscar de melhor direção.*

Vingadores: Ultimato (2019) – Direção de Joe e Anthony Russo. Maior bilheteria da história do cinema até então.

Parasita (2019) – Dirigido por Bong Joon Ho, fez história como primeiro filme sul-coreano a ser indicado ao Oscar na categoria principal e o primeiro longa não falado em inglês a levar a estatueta de Melhor Filme.

*Nessa seleção, foram preservadas as proporções referentes à participação por gênero na indústria cinematográfica. Segundo dados do relatório Ceiling Ceiling, sobre mulheres que trabalham no cinema, em 2018, o sexo feminino representava apenas 8% dos diretores dos 250 filmes de maior bilheteria doméstica.

Um comentário sobre “125 anos do cinema: uma trajetória que encanta gerações

  1. Fernanda e Valentina.
    Que bela matéria! Nós olhamos as diversas telas disponíveis hoje e não paramos para imaginar o quanto gênios pensaram para termos acesso a um filme com qualidade de som e imagem.
    Parabéns pela matéria!

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