Donos das duas melhores campanhas, Palmeiras e Santos têm trajetórias parecidas na Libertadores de 2020

Os dois times fizeram 16 pontos na fase de grupos e precisaram eliminar argentinos na semifinal para terem a chance de alcançarem a “Glória Eterna”

Por Gabriel Orphão e Rafael Cruz

Palmeiras e Santos chegaram à final da Copa Libertadores da América com campanhas parecidas. Os paulistas foram as duas melhores equipes da primeira fase, ambos com 16 pontos, e tiveram que eliminar gigantes argentinos para fazerem uma final brasileira, que não acontecia desde 2006. Confira a trajetória dos finalistas até a decisão: 

Palmeiras 

Sob comando do técnico Vanderlei Luxemburgo, o Palmeiras foi campeão paulista e fazia uma das melhores campanhas da fase de grupos da Libertadores, com 13 pontos (quatro vitórias e um empate). Apesar dos resultados positivos e dos 12 gols marcados nos cinco jogos da primeira fase em que esteve presente, Luxemburgo foi cobrado pelo desempenho da equipe e por ter uma atitude defensiva em campo. Isso somado ao início ruim no Campeonato Brasileiro ocasionou sua demissão. 

O treinador foi mandado embora após perder para o Coritiba, no dia 14 de outubro, pela 16ª rodada do Brasileirão. A quinta passagem dele pelo clube teve 36 jogos oficiais, 17 vitórias, 14 empates e cinco derrotas. O aproveitamento foi de 60,2%. O português Abel Ferreira chegou ao clube para a sexta rodada da fase de grupos, já com o time classificado, e goleou o Tigre, da Argentina, por 5 a 0, resultado que deu ao Verdão a melhor campanha da primeira fase. 

Abel levou a equipe à final da Libertadores vencendo os adversários com folga. Nas oitavas de final, bateu o Delfin, do Uruguai, com 8 a 1 no agregado. Os sustos ficaram para o jogo de ida das quartas de final, quando quase perdeu para o Libertad, no Paraguai, no empate em 1 a 1, mas fez 3 a 0 em casa; e, principalmente, na volta das semifinais.  

Após dar show e vencer o forte River Plate por 3 a 0 em Buenos Aires, o Palestra viu os argentinos quase devolverem o placar no Allianz Parque, em um jogo frenético que terminou em 2 a 0 para o time de fora e tirou a chance de o Palmeiras ser campeão invicto. 

Jogadores do Palmeiras comemorando um dos gols da vitória por 3 a 0 sobre o River Plate na Argentina- Foto: Cesar Greco/Palmeiras 

O Palmeiras chega a uma final de Libertadores após 21 anos. A última vez foi quando conquistou seu primeiro e único título da competição. Aquele time tinha: Marcos, Arce (Evair), Júnior Baiano, Roque Júnior e Júnior; César Sampaio, Rogério, Zinho e Alex (Euller); Paulo Nunes e Oséias, com Felipão no comando técnico. 

O time de 2020, que também pode entrar para a história, tem: Weverton, Marcos Rocha, Luan, Gustavo Gómez e Matías Viña; Danilo, Zé Rafael (Emerson Santos) e Gabriel Merino; Rony, Gustavo Scarpa e Luiz Adriano. 

Apesar do tempo que separa esses dois times, os elencos palmeirenses de 1999 e de 2020 possuem muitas semelhanças, a começar pelos goleiros: ambos foram titulares da Seleção Brasileira no ano em que chegaram à final do torneio continental com o Palmeiras e fizeram defesas importantes e parecidas na semifinal. A de Weverton foi no chute de Carrascal, do River Plate, enquanto a de Marcos foi na finalização de Saviola, também do River, 21 anos atrás. As semelhanças não param por aí, o protagonismo dos jovens e os gols de reservas de luxo (Evair em 1999 e William Bigode em 2021) aumentam a lista e aguçam a memória dos torcedores. 

Legenda: Perfil da Libertadores compara as defesas de Marcos e Weverton contra os argentinos – Foto: Reprodução/Twitter CONMEBOL Libertadores 

O Palmeiras chega com muita moral depois de ter eliminado o River Plate. A equipe era contestada por não ter enfrentado nenhum adversário “grande” em sua campanha e por ter tido apenas sorte no chaveamento. Mas o 3 a 0 na Argentina foi emblemático e mostra um pouco do que a equipe brasileira do português Abel Ferreira é capaz de fazer. O time também está na final da Copa do Brasil e ainda tem chances remotas de título no Brasileirão. 

Confira todos os resultados da campanha do Palmeiras na competição: 

Fase de Grupos: 

1ª rodada: Tigre (ARG) 0 x 2 Palmeiras 

2ª rodada: Palmeiras 3 x 1 Guarani (PAR) 

3ª rodada: Bolívar (BOL) 1 x 2 Palmeiras 

4ª rodada: Guarani (PAR) 0 x 0 Palmeiras 

5ª rodada: Palmeiras 5 x 0 Bolívar (BOL) 

6ª rodada: Palmeiras 5 x 0 Tigre (ARG) 

Oitavas de Final: 

Ida: Delfin (QUE) 1 x 3 Palmeiras 

Volta: Palmeiras 5 x 0 Delfín (EQU) 

Quartas de Final: 

Ida: Libertard (PAR) 1 x 1 Palmeiras 

Volta: Palmeiras 3 x 0 Libertad (PAR) 

Semifinal: 

Ida: River Plate (ARG) 0 x 3 Palmeiras 

Volta: Palmeiras 0 x 2 River Plate (ARG) 

Santos 

O Santos teve seus dois primeiros confrontos na fase de grupos da Copa Libertadores da América e conseguiu bons resultados logo no começo do torneio, que levaram o Peixe à liderança do Grupo G: venceu o Defensa y Justicia (ARG) por 2 a 1 em Buenos Aires, e bateu o Delfin (EQU) por 1 a 0 na Vila Belmiro, ainda em março, antes da paralisação da competição por conta da pandemia de COVID-19.  

Porém, se a situação na Libertadores era de alegria, não se podia dizer o mesmo do Campeonato Paulista: nas quartas de final da competição, a equipe, então comandada pelo técnico Jesualdo Ferreira, foi eliminada pela Ponte Preta, em julho, após sofrer uma virada do time de Campinas. Com a eliminação precoce, a equipe da Baixada Santista optou pela demissão do treinador português, que deixou o clube após 15 jogos no comando. Pouco tempo depois da saída de Jesualdo, a diretoria anunciou a contratação do técnico Cuca. 

Perfil oficial do Santos anunciando a contratação do técnico Cuca – Foto: Reprodução/Twitter Santos FC 

O experiente técnico brasileiro estreou na Copa Libertadores no empate em 0 a 0 com o Olimpia, do Paraguai, obteve a segunda melhor campanha da fase de grupos – atrás apenas do Palmeiras – e acabou levando o Peixe para as oitavas de final da competição.

Nessa fase, o Santos enfrentou a LDU, do Equador, e sabia que não teria missão fácil: com sete casos de COVID-19 no elenco (os jogadores João Paulo, Sandry, Madson, Luan Peres e Ângelo, o treinador Cuca e o auxiliar técnico Cuquinha) e indo jogar no Estádio Rodrigo Paz Delgado, a mais de 2.800 metros de altitude, a equipe da Baixada Santista precisava de um bom resultado para levar a vantagem para o jogo de volta. E, mesmo com todas as dificuldades, Marinho comandou a equipe que venceu a partida por 2 a 1. Na Vila Belmiro, ainda sem o técnico Cuca, acabou perdendo por 1 a 0, mas garantiu a classificação para as quartas de final por conta do critério de gol fora de casa. 

Nas quartas de final, um confronto brasileiro: o Grêmio eliminou o Guaraní (PAR) e classificou-se para enfrentar o Santos. No jogo de ida, na Arena do Grêmio, as equipes levaram emoção até os minutos finais. Cria da Vila Belmiro, Kaio Jorge abriu o placar aos 35 minutos do primeiro tempo e deixou o Peixe na frente até os últimos lances da partida. Porém, aos 56 do segundo tempo, veio o empate da equipe comandada por Renato Portaluppi com gol marcado por Diego Souza, de pênalti. Com o resultado, o Santos precisava apenas de um empate em 0 a 0 no jogo de volta para se classificar. Contudo, com uma atuação de gala, a equipe de Cuca conseguiu golear o Tricolor gaúcho por 4 a 1 e classificar-se para as semifinais da competição.

Técnico Cuca e o goleiro John comemorando a classificação do Santos para as semifinais da Libertadores – Foto: Staff Images/CONMEBOL 

Nas semifinais, o Santos enfrentou o Boca Juniors, segundo maior campeão da competição. O jogo de ida foi marcado por um lance polêmico: aos 28 minutos do segundo tempo, Marinho foi derrubado dentro da área por Carlos Izquierdoz. O lance foi checado pelo VAR, que concordou com a não marcação de penalidade do árbitro chileno Roberto Tobar. Com isso, o pênalti não foi marcado, e a partida terminou com um empate em 0 a 0.

No jogo de volta, na Vila Belmiro, o Peixe não teve dificuldades e atropelou a equipe argentina, aplicando um 3 a 0 e garantindo uma final de Libertadores totalmente brasileira, algo que não acontecia desde 2006, quando o Internacional bateu o São Paulo e conseguiu seu primeiro título da competição.

Venezuelano Yeferson Soteldo comemorando seu gol na vitória por 3 a 0 contra o Boca Juniors, que levou a equipe do Santos à final da Libertadores – Foto: Staff Images/CONMEBOL 

O Santos, embalado por Marinho e Soteldo, chega à sua quinta final de Libertadores na história e busca o seu quarto título, agora em cima do Palmeiras.  

Confira todos os resultados da campanha do Santos na competição: 

Fase de Grupos: 

1ª rodada: Defensa y Justicia (ARG) 1 x 2 Santos 

2ª rodada: Santos 1 x 0 Delfín (EQU) 

3ª rodada: Santos 0 x 0 Olimpia (PAR) 

4ª rodada: Delfín (EQU) 1 x 2 Santos 

5ª rodada: Olimpia (PAR) 2 x 3 Santos 

6ª rodada: Santos 2 x 1 Defensa y Justicia (ARG) 

Oitavas de Final: 

Ida: LDU (EQU) 1 x 2 Santos 

Volta: Santos 0 x 1 LDU (EQU) 

Quartas de Final: 

Ida: Grêmio 1 x 1 Santos 

Volta: Santos 4 x 1 Grêmio 

Semifinal: 

Ida: Boca Juniors (ARG) 0 x 0 Santos 

Volta: Santos 3 x 0 Boca Juniors (ARG) 

Palmeiras e Santos se enfrentam neste sábado (30) no Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro, e protagonizam final em jogo único pela segunda vez na história da Copa Libertadores. Na primeira, em 2019, o Flamengo foi campeão em cima do River Plate, portanto a final única será de novo vencida por uma equipe brasileira. 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s