Uma breve história do primeiro ídolo da Seleção Brasileira

Foto de capa: Rafael Cruz  

Por Maria Carolina Fernandes 

Arthur Friedenreich, o primeiro ídolo da Seleção Brasileira, o atacante conhecido como Fried, nascido em São Paulo no dia 18 julho de 1892. Foi apelidado de “El Tigre” pelos uruguaios após a conquista do Campeonato Sul-Americano de 1919 pelo Brasil, torneio hoje em dia conhecido como Copa América. Começou sua carreira em 1909, jogando pelo Germânia, atual Pinheiros. Começou a destacar-se pela criatividade, técnica e sua improvisação nos jogos. 

Uma das grandes polêmicas que envolve o atacante brasileiro é a quantidade de gols em sua carreira. Segundo o site oficial da CBF, alguns registros apontam 1.300, mas outros dados mostram 558 gols. Outra grande polêmica envolvendo Fried é relacionada aos pênaltis marcados. Isso porque, durante anos, foi falado na mídia que o jogador nunca havia perdido nenhuma cobrança em mais de 500. Porém alguns registros apontam que ele desperdiçou 12 oportunidades. 

Em sua autobiografia, Fried recorda: 

“Fui aperfeiçoando meus recursos olhando Charles Miller, chutando a redonda sob seu olhar, que foi assim como o meu professor primário no futebol. Mas coube a Hermann Friese, que foi campeão no futebol alemão, me ensinar o secundário e o superior. Com ele, comecei a subir a ladeira e cheguei à efetivação no nível mais alto do futebol”. 

Friedenreich, em 1919 – Foto: Reprodução/CBF 

No início de sua carreira, Arthur jogou em times como Mackenzie, Ypiranga e Paulistano. Conquistou vários campeonatos paulistas pelo último, assim como comandou nove vitórias em dez partidas disputadas pelo time na Europa em 1925. Essa era a primeira vez em que um clube brasileiro jogava no exterior. Fried voltou de lá sendo considerado um dos “melhores jogadores do mundo”.  

Fried pelo Paulistano – Foto: Reprodução/Efemérides do éfemello

Em 1928, conquistou um marco histórico, fazendo sete gols em uma única partida contra o União Lapa, batendo o então recorde existente de balançar as redes em um mesmo jogo.  

Pelo São Paulo, conquistou também o Campeonato Paulista de 1931, com uma grande atuação sua e do seu time, que ficou conhecido como “Esquadrão de Aço” naquela época. Pelo Tricolor paulista, “El Tigre” marcou 103 gols em 125 jogos, sendo assim o 18º maior artilheiro da história do clube. 

Em 1935, Friedenreich voltou ao Flamengo, seu clube do coração, depois de ter defendido a camisa rubro-negra em 1917. E, assim, encerrou a sua carreira na Gávea.   

Fried é considerado o maior jogador brasileiro do período amador. Entrou logo no primeiro jogo da história da Seleção Brasileira em 1914, diante do Exceter, da Inglaterra. Mas foi em 1919, pelo Campeonato Sul-Americano, disputado no Estádio de Laranjeiras no Rio de Janeiro, que o jogador se consagrou um grande ídolo da nossa Amarelinha. “El Tigre” marcou quatro gols nesse campeonato e foi decisivo na vitória contra o Uruguai, a qual deu ao Brasil o primeiro grande título no futebol. 

De acordo com a estatística oficial do Centro de Memória e Acervo da CBF, contabilizam-se dez gols em 23 jogos com a camisa da Seleção Brasileira.  

O gol do título em 1919, pelo então Campeonato Sul-Americano – Foto: Arquivo Nacional/CBF 

Em 1935, Arthur Friedenreich resolveu encerrar a sua carreira, recusando a proposta de renovação de contrato oferecida pelo Flamengo, último clube pelo qual atuou. O atacante tomou essa decisão após o futebol brasileiro começar a tomar um rumo profissional na década de 1930, do qual ele não era a favor. 

El Tigre” veio a falecer em 1969, deixando para trás uma grande marca na história do futebol brasileiro.  

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