Madureira, Bangu e Boavista estreiam no Campeonato Brasileiro Série D 2021

Foto de Capa: Divulgação/CBF

Por Rafael Cruz e Rodrigo Glejzer

A primeira fase do Campeonato Brasileiro Série D 2021 começa nesse sábado (05/06) e conta com 64 times, que foram divididos em oito grupos de oito. Dentro de cada chave, todos se enfrentam em turno e returno, em um total de 14 jogos. Os quatro melhores classificados de cada grupo avançam para o mata-mata, que começa com 32 equipes na Segunda Fase.  

O chaveamento segue até a grande final em confrontos eliminatórios com partidas de ida e volta, marcada para os dias 7 e 14 de novembro. Os quatro que alcançarem as semifinais garantem vaga no Campeonato Brasileiro Série C 2022. Na fase preliminar do torneio, oito equipes foram divididas em quatro grupos e se enfrentaram em jogos de ida e volta para definir os últimos classificados à Primeira Fase da Série D.  

Os confrontos da Fase Preliminar foram: Santana/AP x GAS/RR, vitória do time de Roraima. Tocantinópolis/TO x Picos/PI, triunfo tocantinense. Real Ariquemes/RO x Brasiliense/DF, passando o time do distrito federal. Por fim, Aquidauanense/MS x Rio Branco VIT/ES com os cabixabas se dando melhor no confronto. Os times que avançaram se juntam aos outros 60 já classificados para a fase atual. 

Confira as datas detalhadas de cada fase do torneio: 

Fase Preliminar – 26 a 30 de maio. (Concluído)
Primeira Fase – 5 de junho a 5 de setembro. 
Segunda Fase – 11 a 19 de setembro. 
Oitavas de final – 25 de setembro a 3 de outubro. 
Quartas de final – 9 a 17 de outubro. 
Semifinais – 23 a 31 de outubro. 
Finais – 7 e 14 de novembro. 

Cariocas 

Os representantes do Rio de Janeiro são Madureira, Bangu e Boavista. Eles estão no Grupo A7, com times de São Paulo e do Paraná. São eles: Inter de Limeira, Portuguesa, São Bento e Santo André (São Paulo), e Cianorte (Paraná).

Madureira

Atletas comemoram acesso a Série C, após vice-campeonato em 2010. Crédito: Blog Fut F-1.

Vice-campeão brasileiro da Série D em 2010, e com seis participações no currículo, o Madureira tenta chegar de novo na terceira divisão. No Campeonato Carioca desse ano o time foi o oitavo na classificação geral, com 15 pontos, e foi semifinalista da Taça Rio, sendo eliminado para o Vasco. Na Copa do Brasil caiu ainda na primeira fase para o Paysandu. 

O clube é um dos times mais tradicionais do Rio de Janeiro e também é conhecido como Tricolor Suburbano, por conta das cores de sua camisa em listras verticais grenás, azuis e amarelas. Além do vice campeonato da Série D, o time tem como maiores feitos dois vice-campeonatos cariocas da primeira divisão, dois títulos do Torneio Início, um título do Campeonato Carioca da Segunda Divisão e um da Copa Rio. 

Bangu

Bangu se prepara para o Campeonato Brasileiro Serie D. Crédito: Caio Almeida / Bangu AC

O Bangu tem 11 participações no Campeonato Brasileiro da Séria A. Foi vice-campeão em 1985, e já jogou a Libertadores, em 1986. É o décimo sexto clube brasileiro que mais cedeu jogadores à seleção brasileira, com noventa e seis convocações, e o décimo sexto  que mais cedeu jogadores para a Copa do Mundo da FIFA, com quatro convocações, considerando apenas clubes brasileiros, e quer voltar aos tempos de glória. 

Para isso, uma das apostas estará no banco de reserva comandando o time: o técnico Felipe. Na função, ele já viveu a experiência comandando o Tigres-RJ. No campo Marcelo Mattos, ex-jogador do Vasco e do Botafogo, também busca um recomeço, após conviver com lesões graves. 

O time vermelho e branco foi o penúltimo colocado na classificação geral do Campeonato Carioca deste ano, com 6 pontos. Na Série D, o Bangu tem duas participações, em 2017, quando foi 40º e em 2020, quando terminou em 42º. 

Boavista 

Boavista estreia na Série D, após derrota pro Vasco pela Copa do Brasil. Crédito: Rafael Ribeiro/Vasco

O Boavista estava a um mês sem disputar uma partida oficial até a derrota de 1×0 pro Vasco, nesta terça-feira (01), pela Copa do Brasil. O time chegou até a terceira fase da competição, após eliminar o Goiás, da segunda divisão, e o Picos, do Piauí, da quarta divisão (eliminado na fase preliminar). No Campeonato Carioca o time de Saquarema terminou em décimo, com 11 pontos. 

O time de Bacaxá já disputou a competição cinco vezes, a última em 2019, quando conseguiu a melhor posição: 10º. Para essa edição, o verdão aposta no técnico Leandrão, ex-atacante de Vasco, Sport, Ponte Preta, Botafogo e Internacional. Ele se formou recentemente no curso de técnicos da CBF, e está recebendo a primeira oportunidade como técnico, aos 37 anos. Outra aposta é no volante Jucilei, ex-São Paulo, Corinthians, Al-Jazira, dos Emirados Árabes, e Shandong, da China. 

Grupo A1 

Com duas equipes, o Amazonas será representado pelo Fast e Penarol. Heptacampeão amazonense, o Fast já conseguiu disputar junto à elite do futebol brasileiro entre os anos de 1977 e 1979, conseguindo um 24° na primeira temporada. Hoje passa por uma grave crise financeira, tendo desistido do campeoanto amazonense de 2021, e ainda não sabe se vai para sua sétima Série D. Homônimo do famoso clube uruguaio, o Penarol, venceu o estadual ano passado (pela terceira vez no total) e nesta temporada volta a jogar a quarta divisão depois de nove anos ausente. 

Quarto maior campeão estadual, o Atlético é um dos dois representante do Acre na Série D. Terceiro colocado em 2017, o time de Rio Branco foi mal ano passado (ficando em 59° de 68°) e nesta edição tem a chance de tentar repetir sua melhor campanha de quatro anos atrás. Também da capital e rival do Atlético, o Galvez possui menos títulos acreanos (apenas o conquistado em 2020) e menos tempo de fundação (9 anos contra os quase 70 do Galo Carijó), mas a três anos seguidos vem jogando a quarta divisão e na temporada passada conseguiu seu maior feito na competição ao chegar às oitavas de final. Clube mais antigo do grupo, o Castanhal do Pará nunca conseguiu ser campeão paraense, tem somente um vice-campeonato em 2000, e passou a última década sem divisão.  

O roraimense Grêmio Atlético Sampaio, o popular GAS, não disputa um campeonato brasileiro desde 1996, mas conseguiu o segundo lugar no estadual em 2020 e vai disputar as finais em 2021 (jamais levantou o título em 50 anos de existência). Jogará junto ao seu conterrâneo, onze vezes campeão roraimense, São Raimundo, que está em sua quinta passagem seguida pela quarta divisão. 

Decacampeão amapaense, o Ypiranga é um gigante em seu estado, mas a nível nacional ainda não mostrou muito. Tem quatro participações na série D, não passou da fase de grupo em nenhuma delas e ainda ficou em último na edição do torneio do ano passado. 

Equipe do Fast ainda não sabe se vai poder disputar a série D. Crédito: Antônio Assis/FAF

Grupo A2

No grupo A2, o Maranhão terá uma de suas principais equipes regionais. Em 80 anos de história, o Moto Club não só venceu 26 estaduais (é o segundo maior campeão) como também já chegou a competir junto à elite brasileira entre os anos 1960 e 1980, conseguindo um oitavo lugar na primeira divisão nacional em 1968. Hoje vai para sua sétima Série D a fim de reviver suas glórias passadas.  

Com menos peso regional, a Imperatriz de São Luís fará companhia ao Moto Club na disputa. Tricampeão estadual, o “Cavalo de Aço” tentará pela quarta vez se classificar para a Série C com o intuito de voltar à série B, torneio que disputou uma única vez em 1987. Ainda menos conhecido, o Juventude Samas fecha o trio maranhense na competição. Apesar de ter sido fundado em 1979, apenas agora o Samas tem conseguido resultados mais expressivos. Foi campeão da segundona local em 2019, terceiro colocado na primeirona  do Maranhão em 2020 e alcançou as oitavas na última edição da série D.  

O Tocantins terá dois representantes no grupo e um deles se confunde com a história do próprio estado. Até 1988, a região era ligada a Goiás e mesmo com tentativas separatistas desde o século XIX, só ficou independente em 1988 junto ao processo de redemocratização do Brasil. Um ano depois, nascia o Tocantinópolis, segundo clube mais antigo da região (atrás apenas do Kaburé). Depois de ficar apenas na 65° na série D passada, o Verdão do Norte terá uma nova chance esse ano de voltar a Terceirona (algo que não acontece desde 2005). Mais novo, porém com a galeria de troféu mais cheia (tem oito títulos estaduais contra três do Tocantinópolis), o Palmas é a grande força da região. Está em sua terceira campanha seguida na quarta divisão e tenta melhor sorte este ano (foi apenas o 64° em 2020).  

O 4 de Julho é um dos responsáveis por representar o estado do Piauí. Campeão em 2020 do estadual, o time de Piripiri surpreendeu ao conseguir vencer o São Paulo pelo primeiro jogo da terceira fase na Copa do Brasil. Em sua segunda série D, espera ao menos voltar às quartas (mesma campanha de 2018). Com apenas nove anos de existência, o Paragominas também carrega as cores do Piauí. Depois de ter um 2013 expressivo, quando foi vice-campeão local e 18° na série D, o Jacaré do Norte agora tenta o inédito acesso à terceira divisão.  

Completando o grupo, o Guarany de Sobral é um dos times mais importantes do interior cearense. Apesar de nunca ter sido campeão estadual, o Cacique do Vale é uma das poucas equipes dentro da série D a ter vencido a competição (2010). O time também tem em seu currículo 6 participações na série B (a última em 2002) e duas idas às quartas da Copa do Nordeste (1994 e 2014). Volta à série D depois de quatro anos ausente.  

O Moto Club trouxe de volta o atacante Márcio Diogo para disputar a quarta divisão. Crédito: Lucas Almeida / L17 Comunicação.

Grupo A3 

O grupo A3 terá um dos principais confrontos da fase de grupos ao juntar os dois maiores times do Rio Grande do Norte. Com 53 títulos estaduais, 14 participações na série A, 21 na série B e campeão da série C em 2010, o ABC de Natal faz a sua segunda participação seguida na quarta divisão brasileira. Como adversário pela terceira rodada da série D, o Alvinegro Potiguar enfrentará seu arqui-rival América. Detentor de 36 campeonatos potiguares, 15 atuações pela primeira divisão nacional e uma Copa do Nordeste (1998), o “Mecão” vem para sua quinta temporada consecutiva na Quartona.  

Fora o Guarany de Sobral jogando no A2, o Ceará ainda terá outras duas equipes buscando o acesso. Fundado em 1997 por Vanor Cruz, médico e  dono do Hospital de Clínicas do Ceará, como Uniclinic Atlético Clube e hoje controlado pelo atacante russo-brasileiro Ari, que por anos jogou no Lokomotiv de Moscou, o Atlético-CE não tem muitos títulos na estante. Suas maiores conquistas foram um vice-campeonato cearense (1996) e o 17° na série D de 2016. O Caucaia é outra equipe da região que não tem muito peso local, seu grande título é a Copa Fares Lopes (2019), mas isto apenas no masculino. No feminino, o time caucaiense é hexacampeão cearense.   

De Caruaru, interior de Pernambuco, o Central  já jogou contra os grandes do Brasil nos anos 1980, quando participou da primeira divisão da época. Depois ainda conseguiu acumular 15 participações na Série B e 5 na C durante a década de 1990 e início dos anos 2000. Hoje está na sua décima primeira temporada competindo pela série D. Dentro do estado, já foi vice-campeão duas vezes (2007 e 2018). 

A Paraíba também pode esperar grandes embates regionais nesse grupo. Com 16 títulos paraibanos, mais de 30 participações nas principais divisões brasileiras e recém-rebaixado da série C, o Treze terá pela frente um  “Clássico dos Maiores” na décima rodada da série D. Campeã da Copa do Nordeste (2013) e com quatro títulos regionais a mais que seus rivais, a Campinense de Campina Grande não pretende outra coisa a não ser deixar o Treze para trás e subir de volta para a Terceirona (torneio que não participa desde 2011).  

Diferentemente dos outros dois times paraibanos, o Sousa não tem a mesma quantidade de troféus em seu armário, é bicampeão do estado (1994 e 2009), mas tem certa experiência na competição, sendo sua quarta participação na Série D. Voltou a competir no torneio depois de se ausentar por 4 anos.  

O ABC de Natal é uma das equipes favoritas para subir. Crédito: Rennê Carvalho/ABC F.C

Grupo A4 

O quarto grupo é dominado por três times baianos, inclusive com dois deles tendo disputado a final do estadual deste ano. Com 83 anos de existência, o  Bahia de Feira é um dos times mais antigos do estado, no entanto, desde a sua fundação, conseguiu ser campeão regional apenas uma única vez em 2011. O bicampeonato poderia ter vindo em 2021 já que o “Tremendão” estava na final e Vitória e Bahia já haviam sido eliminados. O outro finalista seria o Atlético de Alagoinhas, cuja melhor campanha teria sido um vice-campeonato no baiano de 2020. Depois de empatarem em 2 a 2 no primeiro jogo, o Atlético venceria o segundo e se consagraria pela primeira vez com o título do estado. A série D será a chance do Bahia de Feira dar o troco pela derrota.  

Um dos times mais novinhos do grupo, o Juazeiro da Bahia tem apenas 14 anos de idade e acumula cinco participações na quarta divisão brasileira. Disputou pela primeira vez a competição em 2013, sete anos depois de sua fundação. Ao lado do Cancão de Fogo, o Retrô de Pernambuco é um dos caçulas da série D. Funcionando a apenas 5 anos, a equipe de Camaragibe ficou conhecida nacionalmente tanto por seu projeto, voltado ao conceito do “futebol bem jogado” e com um dos melhores centros de treinamento (CT) de todo o Nordeste, como por ter dado trabalho ao Corinthians na segunda rodada da Copa do Brasil. O “Azulão” faz sua estreia na Quartona.  

A outra região brasileira mais bem representada no A4 é Alagoas com 2 clubes em busca do acesso. Terceiro maior vencedor do alagoano, vice-campeão da Copa Nordeste em 2013 e segundo lugar na série C  de 2009, o Asa de Arapiraca volta a tentar subir para a Terceirona depois de se ausentar em 2020. Vindo do município de Murici e a 23 temporadas disputando a elite do estadual (conseguiu a medalha de ouro em 2010), o Muricy Esporte Clube não conseguiu ir às finais em nenhuma das quatro edições de série D que disputou, mas foi até a terceira fase em 2017. 

Empatado com Alagoas, Sergipe também terá duas equipes representando a bandeira do estado. Vindo do interior, o Itabaiana já conseguiu por 10 vezes ser coroado campeão alagoano, algo que não ocorre desde 2012. Ao seu lado terá um dos times mais populares da capital Aracaju, o Club Sportivo Sergipe. Conhecido como o “Derrubador de Campeões”, o Sergipe tem quase 40 títulos regionais. Juntos, ambos os clubes terão a oportunidade de realizar o “Clássico da Paz” por uma vaga na segunda fase da Série D.  

Depois de ter ido mal no pernambucano deste ano, o Retro espera melhor sorte na Série D. Crédito: Ytalo Silva/Retro FC.

Pela grande quantidade de times que estão disputando a Série D, a matéria será dividida em duas partes com a segunda contendo informações sobre os últimos quatro grupos: A5, A6, A7 e A8. 

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