Tudo sobre o Ciclismo em Tóquio 2020: fique por dentro dos detalhes da modalidade nos Jogos

Foto de capa: Rebeca Doin 

Por Matheus Hartmann 

O ciclismo nos Jogos Olímpicos é composto por cinco modalidades: Estrada, Mountain Bike, Pista, BMX e a estreante BMX estilo livre. A principal forma de garantir a classificação, em todas as categorias, é conquistando uma boa posição no ranking mundial da Union Cycliste Internacionale (UCI).  

A esperança de medalha brasileira em Tóquio fica por conta de Henrique Avancini, 32 anos, no mountain bike. Atualmente, o brasileiro está em quarto lugar no ranking mundial da UCI, depois de terminar o ano de 2020 em primeiro lugar.  

Ciclismo de Estrada 

A modalidade é dividida entre provas de estrada e contrarrelógio. Nas provas de estrada, serão 130 homense 67 mulheres classificados para fazer o percurso da capital japonesa até o Monte Fuji. A corrida olímpica já havia terminado antes do início da pandemia. Dessa forma, o ranking da UCI de outubro de 2019 definiu a maior parte dos postos para cada país na corrida de estrada, com os campeonatos continentais de África, Ásia e América completando as vagas restantes (duas para cada uma das regiões no masculino e uma no feminino). No contrarrelógio, o Campeonato Mundial de 2019 também distribuiu dez vagas por gênero. 

O percurso na prova de resistência do Ciclismo de Estrada nas Olimpíadas é de 241,5 km no masculino e 141 km no feminino. No contrarrelógio, somente 65 (40 homens e 25 mulheres) correm a prova. Os ciclistas largam individualmente, a cada 90 segundos, justamente para que o competidor faça todo o percurso sozinho, sem poder pegar o vácuo de outra bicicleta e enfrentando o vento de frente. Na prova masculina, a distância é de 54,5 km. Já na feminina, as atletas percorrem 29,8 km. Vence a prova de contrarrelógio quem realizar o percurso em menos tempo. 

Sistema classificatório

No masculino, foram 122 vagas pelo ranking mundial de nações. Os países do Top 6 ganharam cinco vagas cada. Do sétimo ao 13º lugar, quatro vagas; do 14º ao 21º, três vagas; 22º ao 32º, duas vagas; 33º ao 50º, apenas uma vaga. As seis vagas restantes foram obtidas pelos campeonatos continentais. No feminino, foram 62 vagas pelo ranking mundial de nações. Para o Top 5, quatro vagas cada. Do sexto ao 13º, três vagas; do 14º ao 22º, duas vagas. Enquanto as três vagas restantes foram pelos campeonatos continentais. Lembrando que quatro vagas pertencem ao Japão como país-sede, duas entre os homens e duas entre as mulheres.  

Favoritos

De acordo com o ranking da UCI, os países favoritos no feminino são: Holanda, Itália e Dinamarca. Enquanto no masculino temos: Eslovênia, Bélgica, Colômbia, França e Reino Unido. 

Brasil

O Brasil não classificou nenhum ciclista para as provas de estrada pela primeira vez desde as Olimpíadas de Moscou em 1980. O país não terminou entre as 50 melhores nações do ranking masculino e nem entre as 30 melhores do feminino.  

Mountain Bike 

Mountain Bike – Foto: Reprodução/tokyo.org

Alerta para a possibilidade de medalha inédita para o Brasil na modalidade! As boas chances de pódio estão nas pedaladas de Henrique Avancini, atual quarto colocado do ranking da UCI. Principal nome do Mountain Bike no país, Henrique começou o ano como número 1 do ranking mundial e vai chegar a Tóquio como candidato às primeiras posições. 

Nas Olimpíadas, as provas de Mountain Bike são disputadas no formato cross-country, com múltiplas voltas. Uma prova da modalidade nas Olimpíadas dura entre 1 hora e 30 minutos e 1 hora e 45 minutos. A pista deve ter entre 4km e 6km, e o percurso não deve ter mais de 15% de parte plana, com subidas e descidas em terrenos irregulares. O primeiro ciclista a completar todas as voltas e cruzar a linha de chegada vence a corrida. 

Crédito: Rebeca Doin

A presença de um atleta brasileiro de elite na modalidade pode aumentar os holofotes e as expectativas para a competição. No entanto, toda esta atenção nos mostra como o agravamento da pandemia no Brasil prejudicou a preparação e logística de atletas e seleções. No caso de Henrique, o ciclista não pôde participar do Campeonato Pan-Americano de ciclismo mountain bike, que ocorreu em março deste ano e contou pontos para o ranking olímpico, pois as barreiras sanitárias proibiram a entrada de brasileiros em Porto Rico, sede da competição.  

Sistema classificatório

Nesta categoria, foram 76 vagas em disputa para os Jogos Olímpicos, sendo 38 para cada gênero. Além do ranking mundial, os atletas puderam carimbar o passaporte olímpico conquistando vagas em Campeonatos Mundiais, assim como uma vaga para os vencedores dos três campeonatos continentais. Trinta vagas foram para os primeiros do ranking mundial de nações. Os dois países líderes nele serão os únicos com três atletas em Tóquio. Do terceiro ao sétimo colocado, cada país ganhará duas vagas. E, do oitavo ao 21º, apenas uma vaga. Três vagas foram distribuídas nos campeonatos continentais de 2019, realizados nos continentes Africano, Americano e Asiático. Outras quatro vagaspelo Mundial de Monte Sainte-Anne, disputado em agosto de 2019, sendo duas na prova de elite e duas na sub-23, além de uma vaga para o Japão como país-sede. 

Favoritos

De acordo com o ranking da UCI, os favoritos no masculino são: França, Suíça, Brasil e República Tcheca. Enquanto no feminino temos França, Holanda, Suíça, EUA e Itália. 

Brasil

Crédito: Rebeca Doin

ranking considerou os resultados das competições entre 28 de maio de 2018 até 27 de maio de 2020. Com o fechamento da classificação olímpica, o Brasil terminou em quarto lugar no ranking masculino de nações, garantindo duas vagas para os Jogos. No feminino, o país ficou em 18º, garantindo uma vaga. Mas estas vagas não são nominais, por isso foi preciso uma convocação da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) para que os nomes fossem oficializados. Então, no dia 31 de maio, a CBC confirmou Henrique Avancini, Luiz Cocuzzi Jaqueline Mourão como representantes em Tóquio. 

Ciclismo de Pista 

Local da competição em Tóquio – Foto: Reprodução

O Ciclismo de Pista é uma modalidade derivada do Ciclismo de Estrada, mas realizada em pistas construídas, exclusivamente, para a sua disputa, os velódromos. Nesta categoria, os atletas se dividem em outras seis provas: 

Velocidade individual

Consiste no estilo um contra um. Os dois oponentes largam e, ao entrarem na terceira volta, é tocado um sino indicando que aquela volta é para valer. A partir das quartas de final, as provas são disputadas em três baterias. Quem chegar na frente em duas delas se classifica. 

Velocidade por equipes

A prova conta com três ciclistas no masculino e duas no feminino. Cada ciclista deve completar uma volta à frente dos demais e abrir caminho para o próximo. Em etapas eliminatórias e na final, as equipes largam simultaneamente, mas em lados opostos da pista. A equipe que cruzar a linha de chegada em primeiro vence.  

Keirin

Prova de sprint disputada por seis ciclistas simultaneamente. Os ciclistas percorrem 2 km na pista e começam a disputa seguindo uma bicicleta motorizada. Caso um ciclista ultrapasse a linha da roda traseira da bicicleta que dita o ritmo, será desclassificado. A bicicleta motorizada inicia a uma velocidade de 30 km/h no masculino e de 25km/h no feminino. A velocidade é aumentada até atingir 50 km/h entre os homens e 45km/h entre as mulheres. Até a motocicleta deixar a pista a 600/700 metros do fim, os ciclistas não podem ultrapassá-la. Quando ela deixa a pista, os atletas arrancam até a linha de chegada, atingindo 70km/h.  

Omnium

Esta competição engloba seis provas diferentes: scratch, perseguição individual, eliminação, contrarrelógio, flying lap e corrida de pontos. A intenção é acumular o maior número de pontos nas competições. 

Perseguição por equipes

É disputada por duas equipes de quatro corredores, que largam em pontos opostos da pista e percorrem a distância de 4 km. Uma equipe é considerada alcançada quando a equipe adversária atinge uma distância igual ou inferior a um metro. Vence a equipe que alcançar a outra ou obtiver o menor tempo. 

Madison

Prova com sprints intermediários, disputada por duplas. Enquanto um ciclista pedala devagar na parte alta do velódromo, o outro corre o mais rápido possível na parte baixa. Para trocar de posição, o ciclista da pista de baixo deve tocar no braço ou mão do outro, que passa a acelerar. A cada 10 voltas, a dupla pontua. A maior pontuação ao fim da prova determina o vencedor. 

Sistema classificatório

ranking olímpico do dia 02 de março de 2020 foi utilizado como base para definir todos os 189 atletas que vão competir em Tóquio. Os homens têm 98 vagas a serem preenchidas, e as mulheres têm 91. Para a formação do ranking, foram considerados os resultados entre 06 de julho de 2018 e 01 de março de 2020. A pandemia de Covid-19 não prolongou esse período, logo, todos os atletas do ciclismo pista já estão definidos. 

No feminino, 16 vagas para a Velocidade por equipes da modalidade. Cada uma das oito melhores equipes garante duas ciclistas em Tóquio. Na Velocidade individual, sete vagas foram distribuídas, sem contar países já classificados na Velocidade por equipes. Isto também serve para o Keirin, com uma vaga para cada um dos sete países do ranking mundial, fora os já classificados. Para a Perseguição por equipes feminina, 32 vagas. Cada uma das oito melhores equipes garante quatro ciclistas em Tóquio. No Madison, são 16 vagas, fora os países já classificados na Perseguição por equipes. Cada um dos oito melhores países garante uma dupla em Tóquio. E, finalmente, 13 vagas para o Omnium, fora os países já classificados no Madison. 

No masculino, serão 24 vagas para a Velocidade por equipes masculina. Cada uma das oito melhores equipes garante três ciclistas em Tóquio. Além de sete vagas para a Velocidade individual masculina, sem contar os países já classificados na Velocidade por equipes. O mesmo serve para o Keirin, com sete vagas, fora os países já classificados na Velocidade por equipes. Para a Perseguição por equipes masculina, 32 vagas. Cada uma das oito melhores equipes garante quatro ciclistas em Tóquio. Foram 16 vagas para o Madison masculino, sem contar países já classificados na Perseguição por equipes. Cada um dos oito melhores países garantiu uma dupla em Tóquio. Além disso, 12 vagas são para o Omnium masculino, fora os países já classificados no Madison. 

Favoritos

De acordo com o ranking da UCI, os países favoritos no masculino são: Japão, EUA, Áustria, República Tcheca, Trinidad e Tobago, Polônia e Espanha. Enquanto no feminino temos: Itália, Holanda, Polônia, Rússia, Hong Kong, Japão e Reino Unido. 

Brasil

Cada país pode classificar, no máximo, oito atletas no masculino e sete no feminino. O Brasil não está classificado, pois não terminou entre os melhores do ranking olímpico em nenhum dos eventos. As melhores colocações foram no Keirin (21º) masculino e no Madison (27º) feminino. 

Foto: Reprodução/Olimpíada Todo Dia

BMX 

O formato da disputa do ciclismo BMX nas Olimpíadas é chamado de “supercross”. Nele, os competidores largam de uma plataforma com cerca de 10 metros de altura e encaram diversos obstáculos montados na pista até a linha de chegada. A pista de BMX tem de 300 a 400 metros. As provas são individuais, em formato de corrida, em baterias com oito atletas.  

Serão 48 atletas, 24 pilotos de cada gênero, embarcando para Tóquio. Este total seria dividido em três possibilidades classificatórias (23 vagas) e mais uma vaga reservada para o país-sede. Mas, com o adiamento de Tóquio 2020 e o cancelamento do Mundial de BMX de 2020, os rankings iniciados em 1° de setembro de 2018 foram congelados em 3 de março de 2020. Apenas as pontuações de mais duas etapas de Copa do Mundo foram acrescentadas em 2021. As vagas reservadas na competição estão incertas e ainda não se sabe para onde elas irão, mas é possível que sejam distribuídas à tripartite.  

Sistema classificatório

São 18 vagas para os melhores no ranking mundial de nações. Os dois países líderes levam três vagas cada. Do terceiro ao quinto colocado, duas vagas cada; do quarto ao 11º, apenas uma. Já o ranking individual dará três vagas olímpicas aos atletas que ainda não tenham o país classificado no de nações. As duas vagas restantes seriam para os melhores colocados no Mundial de BMX em 2020, mas a competição foi cancelada. Com isso, a UCI indicou que só realizará uma nova edição em 2021, depois dos Jogos Olímpicos. Agora, com esta brecha aberta, é possível que as vagas sejam distribuídas à tripartite.  

Favoritos

De acordo com o ranking da UCI, os países favoritos no feminino são: Colômbia, Holanda, França, EUA e Aruba. Enquanto no masculino temos: França, Suíça, Colômbia e Holanda. 

Brasil

Crédito: Rebeca Doin

Com os resultados da última etapa da Copa do Mundo de Ciclismo BMX, realizada no fim de maio na Colômbia, o Brasil manteve dois classificados para Tóquio, um em cada gênero. No masculino, Renato Rezende e Anderson Ezequiel são os favoritos por essa única vaga brasileira. Lembrando que a escolha dos representantes ainda será feita pela CBC. 

No feminino, Paola Reis e Priscilla Stevaux são postulantes à vaga. A situação de Paola é mais complicada, pois ela foi retirada, pela Comissão de Ética da CBC, das últimas competições que valem pontos para o ranking olímpico após furar a concentração da Seleção Brasileira em Portugal antes dos 14 dias de isolamento obrigatório. Contudo a atleta afirmou ter autorização para deixar Portugal e disputar um torneio na Itália. Desse modo, conseguiu a suspensão, e a CBC foi intimada ao cumprimento da decisão judicial como informou a Assessoria de Comunicação da CBC, no dia 1° de junho. 

BMX Estilo Livre 

BMX Estilo Livre – Foto: Reprodução/Esportelândia

O BMX Freestyle fará sua estreia nos Jogos Olímpicos de Tóquio com disputas da modalidade Park, em rampas com grandes transições e obstáculos. Nas competições masculina e feminina, os atletas são julgados por manobras realizadas com fluidez pela pista. Os juízes analisam as performances com base na dificuldade, originalidade, estilo e execução. Cada ciclista tem duas voltas de um minuto para impressionar os juízes. A pontuação em cada volta vai de 0 a 100 pontos, e as notas são somadas para definir o vencedor. 

Sistema classificatório

Foram distribuídas oito vagas, além de uma vaga reservada para o Japão, todas por gênero, totalizando 18 atletas. Os caminhos para a classificação olímpica são através das seis vagas para os primeiros do ranking mundial de nações. O país líder será o único a ter dois atletas em Tóquio. Do segundo ao quinto colocado, uma vaga cada. As duas vagas para os melhores colocados no Mundial de BMX Estilo Livre de 2019 foram garantidos pelo Chile e Estados Unidos no feminino, e Austrália e Estados Unidos no masculino.  

Favoritos

De acordo com o ranking da UCI, os países favoritos no feminino são: Rússia, México, Venezuela e EUA. Enquanto no masculino temos: EUA, Austrália, Venezuela e Rússia. 

Crédito: Rebeca Doin

Brasil

Sem chances de se classificar, o Brasil não qualificou nenhum atleta pelo Mundial Urbano de 2019. Além disso, não possui chances de classificação via ranking, pois está bem distante das cinco primeiras colocações (24º no masculino e 19º no feminino). 

Calendário (dia e horários locais de Tóquio)

Crédito: Rebeca Doin
Crédito: Rebeca Doin
Crédito: Thalis Nicotte

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s