Festa junina: história das comidas típicas

Uma das épocas mais esperadas do ano é recheada de histórias tão boas que entram pelo mês de julho também

Por: Arlan Almeida e Ludmila Barros

Uma das comemorações mais populares no Brasil é a festa junina, que agrada pessoas de todas as idades e é caracterizada por suas músicas, mas também por serem celebrações animadas, com decorações coloridas, pessoas fantasiadas, comidas e tradições típicas.

No Brasil, a festa junina é um festival essencialmente católico, cujo principal objetivo é celebrar três grandes santos populares, sendo eles, Santo Antônio, o santo casamenteiro (13 de junho), São João Batista, protetor dos casados e enfermos (24 de junho) e São Pedro, guardião das portas do céu, protetor das viúvas e dos pescadores (29 de junho).

A festa junina, no entanto, tem origem pagã. Ela foi trazida ao Brasil pelos portugueses, e logo os costumes indígenas e afro-brasileiros foram incorporados ao festival. A festa, então, foi se tornando uma celebração multicultural. Se, na Europa, as fogueiras juninas de São João marcavam rituais que celebravam o solstício ou a chegada do verão, no Nordeste do Brasil, se agradecia às chuvas enviadas por São Pedro em regiões áridas para as lavouras. De toda forma, em ambos os casos, é comemorada em junho a época de ótimo período de colheita e fartura.

Os pratos de festa junina talvez sejam a principal atração do evento, atraindo milhares de pessoas em busca do gostinho do interior, aquela comidinha simples, mas muito saborosa. É durante o mês de junho que também acontece a colheita do milho, que é a base para grande parte dos quitutes juninos.

As festas juninas além de serem ótimas comemorações, são um sinônimo de comidas apetitosas com gostinho especial que só elas têm. Pensando nisso, selecionamos uma lista com algumas dessas delícias e a origem de cada uma delas especialmente para comemorar esse mês tão especial.

A pamonha 

Arquivo: google

A pamonha tem origem indígena. Os índios latino-americanos comiam muito milho verde amassado com leite de coco, manteiga e erva doce. Tanto que a palavra vem do tupi, pamu-ña, algo como empapado. Desde então a pamonha é um quitute consumido em várias regiões do Brasil.

Ela é mais comum nos estados do Nordeste e ainda em Goiás, porém Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Tocantins também consomem muito a pamonha nessa época do ano. 

O milho

Arquivo: google

Os primeiros registros do cultivo do milho datam de 7.300 anos, e foram encontrados em pequenas ilhas próximas ao litoral do México, no golfo do México. Seu nome, de origem indígena caribenha, significa sustento da vida.

No Brasil, a especiaria ganha muita força nos meses de junho, julho e agosto, especificamente nas festas juninas, pois é nestes meses que a safra do milho é grande, tanto nos estados do nordeste, quanto no sul de Minas.

O curau

Arquivo: Kitano

Doce, pastosa e de origem europeia e africana, o curau tem como principais ingredientes creme de milho verde, leite de vaca ou de coco, açúcar e canela em pó. O curau é prato típico em festas juninas no Brasil, chamado no nordeste como canjica nordestina. O curau tem sua origem na união de duas receitas: o pudim europeu e uma bebida densa dos tupis, que antigamente era utilizada em rituais. O próprio nome em Tupi já define sua origem, minga’u.

A canjica

Arquivo: Vovó Palmirinha

Apesar de muito amada por vários cantos do país, esse prato típico não é de origem brasileira, e sim uma herança cultural vinda da África. A especiaria foi muito consumida pelos escravos. O alimento era bastante comum nos quilombos e senzalas. Da senzala para a casa grande, a canjica ganhou novos ingredientes, com o hábito de se comer diversos derivados de milho.

Pé de moleque

Arquivo: google

Originário da culinária brasileira, o pé de moleque surgiu por volta do século 16, com a chegada da cana de açúcar. Por convenção, o doce foi ligado tradicionalmente à festa brasileira mais típica de nossa própria cultura. Seu principal ingrediente é a rapadura e o amendoim.

O doce de abóbora

Arquivo: google

O doce de abóbora é um doce típico da culinária brasileira, muito presente também nas festas juninas. A origem do doce é brasileira, porém 3 estados disputam sua autoria, sendo eles o Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Pode ser apresentado de 3 maneiras diferentes, como compota, com coco ralado, cravo e canela, em cubinhos mergulhados em calda de especiarias, ou em cubinhos envoltos em açúcar cristal. O doce é uma delícia e apesar de ser típico das festas juninas é apreciado o ano inteiro.

A paçoca

Arquivo: google

De origem indígena, a primeira paçoca conhecida, salgada, feita à base de carne seca e farinha, servia como alimento para os tropeiros viajantes dos séculos passados que atravessam regiões do Brasil em cima de mulas. Prato típico consumido no nordeste Brasileiro durante as festas juninas.

Já a tradicional, feita à base de amendoim, farinha de mandioca e açúcar, foi inventada durante a época do Brasil colonial. Nesta época, era comum os índios misturarem qualquer ingrediente com a farinha de mandioca e socar no pilão.

O arroz doce

Arquivo: google

O arroz doce é uma receita de origem asiática. Na Índia, por exemplo, é comum encontrar arroz com açúcar em preparações de pratos típicos dos casamentos hindus. O arroz doce acabou chegando à Europa por volta do século XIII. Depois, aportou em terras brasileiras via Portugal. Hoje em dia o prato se tornou comum nas festas juninas, estando presente em grande parte delas.

Quentão

Arquivo: google

Graças ao clima, que é frio em boa parte do país durante o mês junho, o quentão também é tradicional nas festas. Essa bebida, como o próprio nome já diz, é servida quente, sendo muito comum nos estados da região sul do Brasil. Feita de gengibre, canela e pinga ou vinho, faz sucesso nas comemorações. Sua origem não é exata, mas acredita-se que ele tenha sido feito pela primeira vez no interior de Minas Gerais e São Paulo com o objetivo de esquentar o corpo nos meses frios de inverno.

Maçã do amor

Arquivo: google

Um dos doces mais tradicionais das festas juninas e do mês dos namorados, a maçã do amor é uma iguaria que recebe uma calda cristalizada vermelha cobrindo a fruta. Em 1954, a família espanhola de Antonio Farre Martinez chegou ao Brasil e começou a fazer maçã do amor inspirada nos doces caramelizados chineses, como a uva e o abacaxi. Os irmãos Ramon e Antonio Farre Martinez batizaram o doce com esse nome por conta da clássica história de Adão e Eva e o “fruto proibido”, que era a maçã.

Cachorro- quente

Arquivo: google

O cachorro-quente é uma comida típica dos Estados Unidos que se popularizou no Brasil. Antes disso, acredita-se que a origem do alimento tenha sido em Frankfurt, na Alemanha. Um cozinheiro de lá preparava uma salsicha que lembrava os cães da raça “dachshund”. O sanduíche feito com salsicha, pão e molhos é presença certa nas barraquinhas de festa junina. Sua chegada no Brasil teria sido nos anos 1920 quando o empresário Francisco Serrador, idealizador da Cinelândia, começou a vender esse lanche nos cinemas do Rio de Janeiro.

Bolo de milho

Arquivo: google

O bolo de milho é um clássico da culinária popular brasileira. A palavra milho é de origem indígena caribenha e significa “sustento da vida”. No Brasil, o milho era o principal alimento consumido pelos índios guaranis. Junho é um dos meses de maior colheita do cereal, daí a variedade de receitas com esse ingrediente.

Depois de todas essas dicas, fica difícil escolher só um prato para saborear com tantas delícias que tem nas festas juninas. Esse é um dos motivos que faz a data ser tão especial, não só pela comida, mas por tudo que essas festas representam para a cultura e também para as pessoas.

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