Tênis olímpico reserva diversas histórias marcantes nas Olímpiadas de Tóquio 2020

Foto de Capa: Rebeca Doin 

Por Lucas Furtado Isaias 

Na Rio 2016, o torneio de tênis teve diversos desfalques devido ao temor de uma possível epidemia de Zika Virus se alastrar pelo país. Felizmente, a epidemia não se concretizou e, mesmo com os temores, ainda contou com estrelas do circuito como Serena Williams, Roger Federer, Rafael Nadal, Angelique Kerber, Andy Murray, Garbiñe Mugurza, entre outros.  

Em Tóquio 2020, a situação será muito diferente. A pandemia do novo coronavírus e outros diversos fatores individuais ajudaram a criar uma debandada de nomes importantes, como Roger Federer, Rafael Nadal e Serena Williams. Mas os números 1 do mundo dos circuitos da ATP e WTA, Novak Djokovic e Ashleigh Barty, respectivamente, e diversos nomes conhecidos dos circuitos estarão presentes. Mesmo não sendo um evento pertencente aos circuitos tradicionais do tênis, a Olímpiada tem uma importância especial: o sonho de dar uma medalha ao seu país.  

Apesar de a ATP, desde 2020, ter um torneio de seleções próprio, a ATP Cup, e a ITF ter a Davis Cup e a Billie Jean King Cup, o desejo de representatividade nacional surge de quatro em quatro anos, quando inicia-se o torneio olímpico. Desde Seoul 1988, com a Era Aberta já consolidada, estes momentos se tornaram decisivos para gigantes do esporte e também para tenistas que se destacam no circuito. Como é o caso de Monica Puig que, em 2016, vinha sendo presença constante nos torneios e conquistou a primeira medalha de ouro da história de Porto Rico nos Jogos do Rio.  

A vitória de Puig na íntegra

No torneio masculino, o grande favorito e destaque será Novak Djokovic que, com os títulos nos três grand slams realizados neste ano, pode tentar não só seu primeiro ouro olímpico, como um Golden Slam, caso vença a competição. Além do US Open, que terá a final de simples masculina realizada em 12 de setembro. Outros quatro nomes que estão entre os 10 melhores tenistas do mundo estarão na lista: Danill Medvedev, Stefano Tsitsipas, Alexander Zverev e Andrey Rublev.  

Novak Djokovic em partida contra Juan Martin Del Potro na Rio 2016, em 7 de agosto – Foto: Danilo Borges/ME/Rio 2016
Crédito: Clara Flávio
Ashleigh Barty na final do torneio de Sydney contra Petra Kvitova em 2019 – Foto: Neerav Bhatt 

No feminino, o circuito está cada vez mais aberto, e todas as campeãs de slam deste ano estarão presentes. Naomi Osaka, que venceu o Australian Open, Barbora Krejcikova, vitoriosa em Roland Garros, e Ashleigh Barty, número 1 do mundo no ranking da Women’s Tennis Association e que conquistou Wimbledon. Angelique Kerber, vice-campeã olímpica na Rio 2016, também marcará presença.  

Na semana do fechamento deste texto, das 10 tenistas mais bem-ranqueadas, apenas Sofia Kenin e Simona Halep não participariam dos Jogos. Além de Barty e Osaka, Aryna Sabalenka, Bianca Andreescu, Elina Svitolina, Karolina Pliskova, Iga Swiatek e Garbiñe Muguruza estão na lista da International Tennis Federation (ITF) para o torneio e ocupando as posições mais altas do circuito feminino.  

Duas protagonistas de histórias marcantes do circuito nesta temporada estarão presentes na competição. Carla Suárez Navarro, no ano passado, se afastou do circuito para enfrentar o maior duelo de sua vida: o linfoma de Hodgkin, doença que se origina no sistema linfático, e venceu. Mais do que derrotar o câncer, ela conseguiu voltar às quadras para sua última temporada profissional e será uma das representantes da Espanha no torneio pela quarta vez.  

Carla Suarez Navarro em partida da 3ª rodada de Wimbledon, em 6 de julho de 2019, contra Lauren Davis – Foto: si.robi 

Já Ons Jabeur escreveu um capítulo importante na história do tênis ao vencer o torneio de Birmingham: tornou-se a primeira tenista árabe a vencer um torneio de tênis profissional, derrotando Daria Kasatkina. E, inspirando milhares de futuras tenistas, representará a Tunísia pela terceira vez na competição. 

Outra grande história, mas que pertence ao circuito da ATP: dono de uma marca histórica, Andy Murray, único tenista a conquistar duas medalhas de ouro consecutivas nos Jogos Olímpicos, estará presente em Tóquio. Nos últimos anos, vem sofrendo com uma lesão crônica no quadril, o que quase o fez se aposentar das quadras. Porém o tenista seguiu em frente, apesar dos longos períodos forçados a ficar longe do jogo, e voltou ao circuito em Roterdã. E, por ter vencido o torneio na Rio 2016, estará presente representando a Grã-Bretanha e, em especial, a Escócia pela quarta vez.  

Andy Murray recebendo saque de Victor Troiki em 7 de agosto de 2016 – Foto: Rwjabour 
Partida que levou à segunda medalha de ouro de Murray no simples masculino, na íntegra

O torneio de tênis em simples é composto por 64 tenistas. Cada país pode ter até 12 representantes, tendo limite de seis homens e mulheres, quatro simplistas e dois duplistas. Em simples, há também o limite para os mais bem-ranqueados, podendo apenas ter quatro por país entre os 56 melhores tenistas do mundo. Duas vagas vêm dos Jogos Pan-Americanos, uma dos Jogos Asiáticos e outra dos Jogos Africanos. Também há uma vaga para o campeão olímpico de edições anteriores ou de slam e que não tenha se qualificado por outras formas, para um tenista do país-sede do torneio e outra para o tenista mais bem-posicionado entre os que não conseguiram qualificação via ranking da Europa e da Oceania.  

Nas duplas masculinas e feminina, são 32 parcerias na competição. Uma dupla é do país-sede do torneio, e as outras vagas foram preenchidas por intermédio de um ranking combinado com os mais bem-posicionados, e a combinação não pode dar mais de 300. A participação de tenistas de simples que não disputam, regularmente, os campeonatos de duplas é restrita a apenas um atleta por país. Nas duplas mistas, haverá 16 duetos competindo, e a classificação é feita por decisão das confederações nacionais de tênis, que definem os pares que disputarão a competição. O sorteio do chaveamento dos torneios será realizado em 21 de julho. 

Nas duplas masculinas, os duplistas mais bem-posicionadas do mundo são da Croácia e são favoritos na competição: Mate Pavic e Nikola Mektic venceram em Wimbledon e estão liderando com folga o ranking da ATP. Mas os franceses Pierre-Hugues Herbet e Nicolas Mahut e os colombianos Juan-Sabastian Farah e Roberto Farah também são destaques, já que são duplas que jogam, regularmente, no circuito e podem fazer a diferença na disputa pela medalha. Nomes importantes do circuito, como Horacio Zeballos, Bruno Soares, Ivan Dodig e Lukask Kubot, jogarão, respectivamente, com Andres Molteni, Marcelo Melo, Marin Cilic e Hubert Hurkacz.  

Nas duplas femininas, Elise Mertens, número 1 entre as duplistas e que, ao lado de Su-Wei Hsieh, venceu o torneio de Wimbledon, representará a Bélgica ao lado de Alison Van Uytvanck e será uma das protagonistas do torneio de duplas. Outra dupla com destaque é da República Tcheca: Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova vão representar o país sendo a dupla n° 1 no ranking da corrida para o WTA Finals. Mesmo derrotadas no grand slam inglês por Elena Vesnina e Veronika Kudermetova nas quartas de final, venceram Roland Garros e chegaram à final do Australian Open e vêm tendo um desempenho constante no circuito. 

Barbora Krejcikova e Katerina Siniakova em partida contra Julia Georges e Karolina Pliskova no torneio de Nottingham, em 20 de junho de 2018 – Foto: Peter Menzel 

Vesnina e Kudermetova participarão do torneio, mas a dupla n° 11 na corrida do Finals não vai participar junta na competição, e, sim, com outras parceiras: respectivamente, Vera Zvonareva e Anastasija Pavlyuchenkova. As quatro são as duplistas representantes do Comitê Olímpico Russo. O país foi suspenso de todas as competições até 2023 por conta de um escândalo de doping que envolve a atuação estatal no uso de substâncias ilícitas. Os atletas que participam da competição precisaram comprovar que não participaram do esquema.  

Anastasija e Kudermetova também estão nas simples, assim como Medvedev e Rublev estarão como simplistas e duplistas nesta Olímpiada. Também participam: Karen Khachanov, Aslan Karatsev (ambos simples e duplas masculinas), Daria Kasatkina e Ekaterina Alexandrova (ambas simples feminino).  

Antes deste ciclo, o tênis esteve entre os esportes fundadores dos Jogos Olímpicos em Atenas 1896 e participou até Paris 1924, numa época em que não tinha um nível de organização como tem hoje. O primeiro torneio foi, eminentemente, masculino, e as mulheres passaram a participar em simples na edição Paris 1900, mas ficaram de fora em Saint Louis 1904, voltando na edição seguinte e de maneira permanente. As duplas femininas tiveram sua primeira edição em Antuérpia 1920.  

As duplas mistas tiveram idas e vindas em sua trajetória e só se consolidaram nos últimos anos. Sua primeira realização ocorreu em Paris 1900, mas depois voltou apenas em Estocolmo 1912, ficando até a retirada do tênis do programa olímpico. Contudo o campeonato de duplas mistas não regressou após o hiato de 64 anos sem o esporte, de maneira competitiva (houve torneios de tênis como demonstração nas edições Cidade do México 1968 e Los Angeles 1984), na Olimpíada. Foram mais 34 anos longe do programa olímpico, só regressando em Londres 2012.  

Em simples, a Grã-Bretanha conquistou as primeiras medalhas de ouro da história do tênis olímpico. John Pius Boland foi o vencedor do torneio masculino na primeira Olímpiada, e Charlotte Cooper venceu a primeira competição para mulheres. Nas duplas, a equipe mista conquistou o primeiro ouro para o masculino com Boland e o alemão Friedrich Traun; no feminino, a conquista foi das britânicas Kathleen McKane e Winfred McNair. Os alemães Dorothea Köring e Heinrich Schomburgk foram os primeiros campões em duplas mistas.  

O tênis, em seu formato atual, surgiu no século XII na Itália e na França, com monges jogando em locais fechados, mas há antecedentes na Antiguidade apenas usando a palma da mão. Com o desenvolvimento e mudanças ao longo do tempo, o primeiro torneio de tênis foi feito em 1877, existe até hoje e é realizado no All England Lawn Tennis and Croquet Club. Wimbledon, ao longo de 144 anos, se tornou um ponto de tradições singulares e que segue até hoje. A ITF foi criada em 1913 e cuida hoje dos torneios juniors, olímpico, paralímpico e de seleções. A ATP, que cuida do circuito masculino, foi fundada em 1972, enquanto a WTA, responsável pelos torneios femininos, em 1973. A Confederação Brasileira do Tênis (CBT) surgiu em 1955.  

Seus golpes, táticas e momentos são conhecidos do público amador da modalidade, além de que suas técnicas inspiraram e foram incorporadas por diversas modalidades. Ace, rally, paralela, bola cruzada, drop shot, curtinha, entre outros. O tênis é um esporte apaixonante, que traz partidas emocionantes, imprevisíveis e muita emoção aos Jogos Olímpicos.  

Brasil em Tóquio 

Com várias desistências para o torneio, Thiago Monteiro, brasileiro mais bem-posicionado no ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), conseguiu um lugar para a participação do torneio de simples. João Menezes, medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Lima, também participará da disputa de simplistas.  

Nas duplas, Bruno Soares e Marcelo Melo participarão do campeonato, pela terceira vez juntos, e conseguiram a vaga por intermédio de posicionamentos no ranking. Marcelo Demoliner também conseguiu sua vaga por posição no ranking, após desistências de duplistas, e vai disputar o torneio ao lado de Thiago Monteiro.  

Luisa Stefani e Laura Pigossi, também por consequência das desistências, conseguiram se classificar para as duplas femininas, sendo as únicas representantes brasileiras no tênis feminino nesta Olímpiada, visto que o Brasil não terá representantes no torneio de simples. Esta será a primeira vez em que a dupla participa de Jogos Olímpicos.  

Marcelo Melo e Bruno Soares em partida do torneio de duplas masculinas contra Florea Mergea e Horia Tecau, em 9 de agosto de 2016 – Foto: Danilo Borges/ME/Rio 2016 
Crédito: Clara Flávio

Programação Prevista  

Os eventos de tênis ocorrem no Arianne Tenis Park. As disputas por medalhas vão acontecer nos dois últimos dias de torneio. A programação dos eventos pode sofrer alterações por conta de condições climáticas, já que as quadras não são cobertas, e os jogos são interrompidos em casos de ocorrência de chuva no local.   

Crédito: Clara Flávio
Crédito: Thalis Nicotte

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s