Brasil é o campeão paralímpico desde a criação do Futebol de 5 em Atenas 2004 e busca manter hegemonia conquistando o penta em Tóquio

Foto de capa: Rebeca Doin 

Por Armando Edra  

O futebol para pessoas com deficiência visual, conhecido esportivamente como futebol de cinco, começou como um jogo recreativo para os alunos das escolas e foi praticado em vários países, cada um deles obedecendo às regras locais. Foi somente em 1996 que a atividade passou a ser considerada um esporte oficial através da Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBAS), e as regras reconhecidas internacionalmente foram criadas. O próximo passo foi se tornar um esporte paralímpico, o que aconteceu em Atenas 2004, e tem sido disputado em todos os Jogos desde então. 

O futebol de 5, assim como o futebol de 11, é um jogo rápido e fisicamente exigente. Os jogadores não precisam apenas ter velocidade, força e resistência, mas também uma excelente consciência espacial, apesar de sua falta de visão, permitindo-lhes ser eficazes em campo e jogar juntos como uma equipe. 

Um fato inédito irá ocorrer para a modalidade nesta edição dos Jogos Paralímpicos: será a primeira vez em que o esporte terá partidas transmitidas ao vivo, a semifinal e a final, em rede nacional, nas madrugadas de 2 e 4 de setembro. Além disso, há a expectativa dos integrantes da Seleção e de apoiadores do Comitê Paralímpico Brasileiro de que a narração, ao menos da final, seja feita por Galvão Bueno. 

O futebol de 5 (para cegos) nas Paralimpíadas de Tóquio terá oito seleções participantes, divididas em dois grupos de quatro, com os dois primeiros avançando para as semifinais, enfrentando-se o primeiro do A contra o segundo do B e primeiro do B versus o segundo do A. Os vencedores fazem a final, e os que ficarem para trás disputam o bronze.  

Crédito: Clara Flávio

O Brasil está no Grupo A, junto com Japão, China e França. No B, estão Argentina, Marrocos, Espanha e Tailândia. As semifinais vão ocorrer no dia 2 de setembro, entre 4h30 e 9h (de Brasília). A final está marcada para as 5h30 (de Brasília) de 4 de setembro. 

O calendário oficial da competição será entre os dias 28 de agosto e 4 de setembro. 

Regras e categorias 

O esporte é jogado somente por atletas com deficiência visual, usando uma bola com um dispositivo, similar a um guizo, que faz barulho no interior. Cada equipe consiste em quatro jogadores de campo e um goleiro, que pode ser total ou parcialmente cego. Para manter os jogadores seguros em relação aos choques existentes no futebol, eles devem dizer voy ou uma palavra semelhante ao se moverem em direção a um oponente, desarmando ou procurando pela bola. 

Estima-se que os humanos obtêm cerca de 80% das informações que recebem através do sentido da visão, por isso os jogadores de campo têm um guia cujo trabalho é servir de olhos. Esse guia fica atrás da baliza adversária e comunica informações, como a distância até a baliza e a localização dos outros jogadores. O técnico da equipe e o goleiro também podem dar dicas durante o jogo, que serão fundamentais para os jogadores encontrarem lacunas na defesa e explorá-las com habilidade para mover a bola em direção ao gol. 

As partidas são praticadas em campos de grama sintética que mede 20 metros de largura por 40 de comprimento, seguindo os padrões do futsal, e têm barreiras de um metro de altura descendo por ambas as linhas laterais para manter os jogadores e a bola dentro do campo de jogo. Além disso, não existem arremessos laterais e impedimento, o que garante ação ininterrupta nas partidas. 

Crédito: Clara Flávio

A duração dos jogos é de dois tempos de 20 minutos, com o relógio parando sempre que a bola sai de jogo ou quando ocorre uma falta. Aliás, faltas podem ser cometidas, sendo que qualquer jogador que cometer cinco faltas pessoais durante uma partida é expulso de campo, mas poderão ser substituídos, imediatamente, por outro jogador. 

Os espectadores devem sempre permanecer em silêncio durante o jogo para que os jogadores possam ouvir, perfeitamente, o som da bola e também responder à voz do seu guia. Porém é muito bem-vinda uma saudosa comemoração quando um gol é marcado! 

Os atletas são divididos em três classes que começam sempre com a letra B de blind, cego em inglês. Nos Jogos Paralímpicos, no entanto, competem apenas os da classe B1. 

Foto: Reprodução/CPB 

Perspectivas da Modalidade 

Considerado o melhor jogador do mundo no futebol de cinco, Ricardinho é o trunfo brasileiro na busca pelo penta paralímpico – Foto: Marcio Rodrigues/CPB/MPIX 

O Brasil é o rei indiscutível do futebol de 5, tendo conquistado a medalha de ouro em todas as quatro Paralimpíadas em que a modalidade esteve presente (Atenas-2004, Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016). A Argentina provou ser o adversário mais próximo do Brasil, conquistando uma prata em Atenas e dois bronzes, um em Pequim e outro no Rio de Janeiro.  

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