Atletismo brasileiro conta com o homem mais rápido do mundo

Petrúcio Ferreira corre atrás de sua quarta medalha paralímpica e o quinto recorde mundial seguido 

Foto de capa: Rebeca Doin

Por Thalis Nicotte

O atletismo é a modalidade em que o Brasil possui mais medalhas em Jogos Paralímpicos. São 142 medalhas: 40 de ouro, 61 de prata e 41 de bronze. As primeiras medalhas brasileiras foram conquistadas na edição de Nova York/Stoke Mandeville, em 1984. Na ocasião, foram 21 medalhas. No entanto, o melhor desempenho na modalidade aconteceu na Paralimpíada Rio 2016. Foram 33 medalhas, sendo oito de ouro, 14 de prata e 11 de bronze. 

Crédito: Clara Flávio

As provas 

Os competidores são divididos em classes esportivas de acordo com a funcionalidade na prática esportiva para atletas com deficiência física e acuidade visual para atletas com deficiência visual.  São 167 eventos com disputas de medalhas em Tóquio. 

As provas são divididas em pista, campo e rua: 

  • Pista 
  • Velocidade: 100m, 200m, 400m e revezamentos 4x100m e 4x400m; 
  • Meio fundo: 800m e 1.500m; 
  • Fundo: 5.000m e 10.000m; 
  • Salto em distância; 
  • Salto em altura; 
  • Salto triplo. 
  • Campo 
  • Lançamento de disco e club; 
  • Lançamento de dardo; 
  • Arremesso de peso. 
  • Rua 
  • Maratona (42,195 km) 
Beth Gomes é recordista mundial no arremesso de disco – Foto: Daniel Zappe/Exemplus/CPB

As classes 

Os atletas são divididos em classes de acordo com o grau de sua deficiência, que é verificado através de classificações funcionais, indicadas por números. Para os competidores que disputam as provas de pista e de rua usam a sigla T (do inglês track, que significa pista em português), já os atletas que competem as provas de campo se identificam pela letra F (do inglês field, que se traduz como campo). 

  • T11 | Corre ao lado do atleta-guia e usa o cordão de ligação. No salto em distância, é auxiliado por um apoio; 
  • T12 | Atleta-guia e apoio, no salto, são opcionais; 
  • T13 | Não pode usar atleta-guia e nem ser auxiliado por um apoio no salto; 
  • T20 | Deficiências intelectuais; 
  • T31 a T38 | Paralisados cerebrais (31 e 34 para cadeirantes: 35 a 38 para andantes); 
  • T46 e T47 | Deficiência nos membros superiores; 
  • T51 a T54 | Competem em cadeiras de rodas; 
  • T61 a T64 | Amputados de membros inferiores com prótese; 
  • F11 a F13 | Deficiências visuais; 
  • F20 | Deficiências intelectuais; 
  • F31 a F38 | Paralisados cerebrais (31 a 34 para cadeirantes: 35 a 38 para andantes); 
  • F40 e F41 | Baixa Estatura 
  • F46 | Amputados ou deficiência nos membros superiores; 
  • F51 A F57 | Competem em cadeiras de rodas (sequelas de poliomielite, lesões medulares, amputações). 

Nas provas de fundo, os corredores das classes T11 e T12 podem ser auxiliados por até dois atletas-guia durante a corrida, com a troca feita durante a disputa. No caso de medalha, só recebe o atleta-guia que terminar o percurso. 

Os atletas-guia orientam o atleta até a linha de chegada, informando sobre a prova, tempo de corrida e os arredores da pista. Como existem oito raias na pista, as classes com guia têm somente quatro atletas chegando à final. 

Corrida com atletas-guia sendo disputada – Foto: Instagram/jackson.siiilva

Petrúcio Ferreira 

O atleta paralímpico mais rápido do mundo conquistou suas primeiras medalhas aos 18 anos e elas foram douradas. Ouro nos 100 e 200 metros na classe T47, nos Jogos Parapan-americanos de Toronto em 2015. Um ano mais tarde, Petrúcio disputava a sua primeira Paralimpíada. Foram três pódios: ouro nos 100m, prata nos 400m e no revezamento 4x100m. O lugar mais alto do pódio veio atrelado ao recorde mundial e paralímpico da prova com 10s57. 

A partir daí, Petrúcio virou uma máquina de quebrar o seu próprio recorde. Em 2017, ele diminuiu a meta para 10s53. No ano seguinte, abaixou para 10s50. Mas foi no Mundial de 2019, que Petrúcio se tornou o atleta paralímpico mais rápido do mundo. Na semifinal da prova dos 100m, ele fez 10s42 e superou o irlandês Jason Smith, da classe T13.  

Petrúcio Ferreira no Mundial de Dubai – Foto: Daniel Zappe/Exemplus/CPB 

Delegação brasileira 

O Brasil vai com 64 atletas para Tóquio. São 40 homens e 24 mulheres. Os brasileiros são donos de 18 recordes mundiais, com destaque para quatro brasileiros que são os mais rápidos do mundo da sua classe.  

Há dois anos, no último mundial de atletismo em Dubai, o Brasil conquistou 39 medalhas, sendo 14 de ouro. Ou seja, tem 13 campeões mundiais, já que Petrúcio Ferreira venceu os 400m e os 100m na classe T47. Com os resultados o Brasil conseguiu um inédito segundo lugar no quadro de medalhas. 

Petrúcio Ferreira, Beth Gomes, Rayane Soares, Júlio César Agripino, Thiago Paulino, Daniel Tavares, Thalita Simplício, Jerusa dos Santos, Lucas Prado, Alessandro Rodrigo, João Victor Teixeira e Cícero Valdiran foram campeões 2019 e todos eles estarão em Tóquio. Outras grandes chances de medalhas vêm dos atuais campeões paralímpicos: Silvânia Costa, Ricardo Oliveira, Claudiney Batista, Daniel Silva e Felipe Gomes. 

Confira todos os recordes mundiais dos nossos brasileiros. 

  • Provas de pista 
  • 100m (T11) – Jerusa dos Santos (11s85) 
  • 100m (T45) – Yohansson Nascimento (10s94) 
  • 100m (T46/47) – Petrúcio Ferreira (10s42) 
  • 100m (T63) – Vinicius Gonçalves (11s95) 
  • 400m (T11) – Daniel Mendes da Silva (49s82) 
  • 400m (T20) – Daniel Tavares Martins (46s86) 
  • 400m (T45) – Yohansson Nascimento (49s21) 
  • Salto em distância (T11) – Silvânia de Oliveira (5,46m) 
  • Provas de campo 
  • Lançamento de dardo (F42) – Edenílson Floriani (56,56m) 
  • Lançamento de dardo (F56) – Claudiney Batista dos Santos (42,74m) 
  • Lançamento de dardo (F57) – Cícero Nobre (49,26m) 
  • Lançamento do club (F31) – Rafael Mateus da Silva (30,72m) 
  • Arremesso de disco (F11) – Alessandro Rodrigo (46,10m) 
  • Arremesso de disco (F52) – Elizabeth Gomes (16,89m) 
  • Arremesso de disco (F56) – Claudiney Batista dos Santos (46,68m) 
  • Arremesso de peso (F52) – André Rocha (23,80m) 
  • Arremesso de peso (F53) – André Rocha (8,83m) 
  • Arremesso de peso (F57) – Thiago Paulino (15,26m) 

Local e datas 

O Estádio Olímpico é a casa do atletismo. Local onde são realizadas as cerimônias de abertura e encerramento, também recebe a modalidade que toma quase todo calendário paralímpico. O primeiro evento começa no dia 26 de agosto, às 21h30, e a última sessão começa a partir de 18h30 do dia 4 de setembro. 

Estádio Olímpico recebe o atletismo paralímpico – Foto: Japan Sport Council

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