Será que você realmente conhece os detalhes dentro da vida de um Árbitro de Futebol?

Foto de Capa: Idries Stein/Montagem.

Por Idries Bulkool  

Pode parecer estranho, mas fato é que no início do Futebol o Juiz de Futebol não existia. Com o tempo, na Inglaterra, berço do futebol moderno, foram sendo escolhidas pessoas, em consentimento com ambas as equipes, que estariam próximas ao campo de jogo para avaliar um ou outro lance mais duvidoso e que os times não sabiam julgar de forma neutra. Com o tempo, a função do Árbitro de futebol foi sendo estabelecida e evoluiu muito até chegar aos dias atuais. 

O dia do Árbitro Esportivo é pautado na Lei Nº 14.485, de 19 de julho de 2007. Serve como data comemorativa para ações de divulgação e conscientização para a função. Você provavelmente já se perguntou, talvez até tenha certeza de outras, sobre algumas das características principais de um Juiz de Futebol. Com isso, segue abaixo algumas perguntas e repostas que podem ajudar você a entender melhor quem é esse profissional hoje em dia. Afinal de contas, somos, primeiramente, seres humanos como qualquer jogador ou técnico.

O que é necessário para se tornar um Árbitro de Futebol? 

Para se tornar um Árbitro de futebol, é preciso ter no mínimo 18 anos e se encaminhar à federação de futebol mais próxima. No caso do Rio de Janeiro, essa é a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ). Realizando um curso de capacitação, com diversas disciplinas que vão desde aulas de espanhol e inglês até o aprendizado da regra de fato e sua aplicação na prática em jogos de base. 

Devo estar cursando Educação Física? 

Nesse processo todo muitos podem se confundir. Então, deixando bem claro para o que muitos podem estranhar, mas o Árbitro de Futebol não precisa ter formação em Educação Física. Para o âmbito estadual, não é necessário sequer ensino superior. Já para a CBF, por enquanto, é exigido que o profissional tenha uma faculdade concluída, embora esteja sendo estudada a derrubada dessa exigência. 

Qual o caminho natural de um Árbitro? 

Completada a formação, basta ingressar na Comissão de arbitragem (COAF) e iniciar os passos rumo ao futebol profissional, desde o regional até quem sabe internacional. A primeira etapa é ser um Juiz federado no estado. Subindo de carreira, o profissional pode ser indicado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Chegando à elite do futebol nacional é possível então galgar espaço no quadro da FIFA e, quem sabe, chegar ao ápice de estar presente em uma copa do mundo. 

Quantos somos? 

Números mais recentes mostram, no quadro da CBF, a presença de 781 profissionais, sendo 661 Árbitros (centrais, assistentes e VAR) e 120 analistas de arbitragem. No caso da FIFA, para o ano de 2021, foram nomeados 38 profissionais, entre Árbitros centrais, assistentes e operadores do VAR. É um recorde inclusive, tanto do Brasil como de forma geral. Isso porque o país é, agora, quem mais tem profissionais na FIFA, à frente de Alemanha e México, que tem 33 representantes, e a Espanha que tem 32. 

Termos que você pode não conhecer, mas que todo árbitro conhece

“Geladeira” – Expressão comum no meio da arbitragem, embora não seja muito apreciada. Isso por que o termo significa que o Árbitro ficará sem atuar por um tempo. Caso haja algum incidente ou situação que o Árbitro não tenha atuado da melhor forma, ou que ainda não seja bem visto pelo meio esportivo de forma geral, esse profissional é isolado (dentro de uma geladeira, talvez?) e pode passar por um tempo sem atuar e até ser obrigado a realizar cursos de reciclagem para voltar a apitar ou bandeirar jogos. 

“Picotar o jogo” – O Árbitro, querendo ou não, pode ser uma figura central no andamento de uma partida. No caso do futebol, cada profissional pode ter um estilo próprio de apitar. Ele pode “picotar o jogo”, que seria no caso de marcar muitas faltas e o jogo ficar bastante parado, menos movimentado. Por outro lado, ele também pode ser responsável por “deixar a bola rolar”, para quando o apito não é tão acionado e o jogo flui mais com a bola dentro de campo e rolando. Agora o que é mais preferível hoje em dia, depende muito, afinal, se o seu time estiver ganhando por 1 a 0 na final do campeonato, talvez o torcedor prefira um jogo picotado que acabe logo. Outros muitos dirão que um futebol bem jogado é aquele que a bola corre sem ‘interferência’ da arbitragem. Opiniões a parte, é fato que existem árbitros e árbitros, cada um com seu próprio estilo de jogo dentro das quatro linhas para controlar e fazer valer as regras do jogo. 

“Billy the Kid” – Quanto ao aspecto disciplinar, existe uma gíria não tão comum, mas ainda utilizada pelo menos no Rio de Janeiro. É o caso do Árbitro ‘’Billy the Kid’’, trazida pelo professor Carlos Elias Pimentel no curso de formação de arbitragem do Rio de Janeiro, para os casos em que o Árbitro aplica muitos cartões amarelos e/ou vermelhos. A figura é baseada em um pistoleiro que, assim como o árbitro, sai atirando cartões a torto e à direito. 

“Rezar pouco” – Independente de um Árbitro apitar bem ou mal, existem coisas que as vezes parecem inacreditáveis, que acontecem de vez em nunca em uma partida de futebol. Caso um preparador físico invada o campo e salve o gol adversário em cima da linha, ou um cachorro desviar uma bola que ia para o fundo da rede, ou ainda uma tempestade deixar o campo quase impraticável, dificultando o andamento de um jogo. Para todos esses e outros casos (que sim, já aconteceram), diz-se que o Árbitro “Rezou pouco”. 

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