Com apenas 18 anos, Emma Raducanu brilha em uma emocionante final e é a primeira campeã britânica do US Open em 53 anos

Foto de capa: D. Benjamim Miller

Por Lucas Furtado Isaias

Emma Raducanu é campeã do US Open depois de uma emocionante decisão vencendo a canadense Leylah Fernandez por 2 sets a 0 (6/4 e 6/3) na final mais jovem de grand slam desde Serena Williams e Martina Hings no mesmo torneio há 22 anos. A britânica com origens romena e chinesa também se torna a primeira do país a vencer o major de Nova York desde 1968, com a conquista de Virginia Wade. O jogo teve muita emoção, um primeiro set muito equilibrado e com 58 minutos de duração. No segundo, a britânica conseguiu abrir vantagem e superar a tensão para conquistar o seu primeiro major da carreira.  

O primeiro set começou muito disputado e com games longos. No segundo deles, Emma quebrou o serviço no sexto break point, mas logo em seguida Leylah conseguiu devolver a quebra no quarto break point, e a disputa seguiu com muitos acertos e erros de ambos os lados. A torcida, claramente, estava toda para a canadense, porém o jogo foi bastante nivelado até que, no décimo game, as jogadoras fizeram uma batalha na qual a britânica conseguiu fechar o set em 6/4 após ter dois set points salvos.  

O segundo set começou com um bom desempenho de Laylah, em especial no segundo game, mostrando consistência no jogo, e com a adversária cometendo erros não forçados. No game seguinte, quebrou o serviço da britânica e ficou à frente no placar, mas logo em seguida Emma reagiu e conseguiu virar o jogo. Além de devolver a quebra, superou mais um saque da adversária e abriu uma vantagem de 5/2. No oitavo game, no entanto, ela perdeu dois championship points e começou a sentir a pressão de fechar a partida mais importante de sua vida, cometendo erros não forçados. Acabou tendo sua quebra devolvida por Leilah. 

No nono game, a pressão continuou, e Leylah caminhava confiante próxima de conseguir voltar ao jogo. No ponto que abriu vantagem a favor da canadense, Emma acabou deslizando no chão e teve um arranhão que causou um forte sangramento e, assim, a paralisação do jogo por mais de dois minutos para colocação de curativo. Contudo o tempo foi suficiente para Emma se recuperar, reverter a desvantagem e fechar o jogo com um ace para a glória.  

O jogo contou também com a presença do Original 9, que participou do sorteio de definição do sacador que abre o jogo. O time, que contou com a liderança de Billie Jean King na luta por mais igualdade de oportunidade, foi homenageado pelo torneio dois dias antes e pelo Hall da Fama do Tênis em julho.  

Após o jogo, Emma recebeu o troféu das mãos de Billie Jean King e os cumprimentos de Virginia Wade, que foi a última britânica a vencer o torneio. Virginia e King disputaram a decisão em 1968 com vitória da britânica por 2 sets a 0 (6/4 e 6/3) na primeira final da Era Aberta do tênis. Após a festa de premiação, Emma também se encontrou com os campeões das duplas masculinas de cadeirantes, os compatriotas Alfie Hewett e Gordon Reid.  

Com apenas 18 anos, Emma conseguiu, neste US Open, dois feitos que antes pertenciam a dois grandes nomes do tênis contemporâneo. É a primeira campeã do torneio sem perder um set desde Serena Williams em 2014, com a diferença de que a britânica jogou também as três rodadas do qualifying, tendo atuado uma semana a mais, e é a campeã mais jovem de um slam desde Maria Sharapova em Wimbledon 2004. Com tantas marcas quebradas em uma hora e 51 minutos de partida, Emma escreveu o seu nome na história do tênis britânico.  

Crédito: Lucas Furtado

Disputa de TVs por final e incentivo ao tênis feminino britânico 

A ascensão de Emma Raducanu gerou uma disputa pela transmissão da final do torneio na televisão do Reino Unido, já que os direitos do slam são da plataforma de streaming Amazon Prime. BBC e Channel 4 disputaram pelo direito de cobrir um dos momentos mais importantes da história do tênis britânico. A Amazon decidiu sublicenciar os direitos à Channel 4, que transmitiu a final ao vivo e com exclusividade na televisão britânica. A plataforma de streaming através de um tweet da head de relações da plataforma com a imprensa no Reino Unido, Manisha Ferdinand, anunciou que o dinheiro investido pela emissora pública na aquisição dos direitos será usado no investimento do tênis feminino do Reino Unido. 

A BBC, que iria transmitir a final em compacto de uma hora na tarde do dia seguinte, desistiu após o anúncio da Channel 4 e sua cobertura ficou restrita à BBC Radio 5 Live, que transmite, regularmente, os grand slams de tênis. 

Salisbury e Krawczyk vencem nas duplas mistas  

O britânico Joe Salisbury e a estadunidense Desirae Krawczyk venceram o torneio de duplas mistas derrotando o hondurenho Marcelo Arévalo e a mexicana Guiliana Olmos por 2 sets a 0 (7/5 e 6/2) em uma hora e 14 minutos de jogo. A partida já nasceu histórica, pois Arévalo tornou-se o primeiro tenista da América Central a chegar em uma final de grand slam. O jogo teve sets distintos com equilíbrio no primeiro e domínio de Joe e Desirae no segundo. O britânico, que veio de um excelente desempenho na final de duplas masculinas, com a vitória nas mistas conseguiu ser o primeiro campeão nos dois torneios numa mesma edição desde Mike Bryan em 2009.  

O primeiro set foi muito equilibrado com jogos disputados ponto a ponto até o décimo game, quando Salisbury e Krawczyk conseguiram se manter no jogo salvando três set points. No game seguinte, começaram a dominar a partida quebrando o serviço da dupla adversária e fechando o set em 7/5, com um tranquilo 12° game.  

No segundo set, a dupla da Grã-Bretanha e Estados Unidos conseguiu quebrar o serviço com um jogo atento de Salisbury e uma atuação impecável de Kracyzk durante todo o jogo, em especial nos saques de primeiro serviço e nos winners. Arévalo e Olmos depois confirmaram os dois serviços seguintes com tranquilidade, mas, a partir do sétimo game, cometeram erros não forçados e viram os adversários com winners liquidar a partida e conquistar o título.  

Alfie Hewett e Gordon Reid fazem inédito Calendar Grand Slam nas duplas masculinas com cadeirantes  

No tênis de cadeira de rodadas, neste 11 de setembro, os britânicos Alfie Hewett e Gordon Reid conseguiram uma conquista histórica: fazer o Calendar Grand Slam, ou seja, vencer os quatro grand slams em um mesmo ano. Eles derrotaram o argentino Gustavo Fernandez e o japonês Shingo Kunieda por 2 sets a 0 (6/2 e 6/1) em uma hora e 14 minutos de partida.  

Nas duplas femininas, as holandesas Diede de Groot e Aniek Van Koot conquistaram o terceiro slam de 2021 derrotando a japonesa Yui Kamiji e a britânica Jordanne Whiley por 2 sets a 0 (6/1 e 6/3) em uma hora e dois minutos de jogo.  

Never Forget: US Open relembra 20 anos dos atentados de 11 de setembro   

Quem assistiu às partidas no Arthur Ashe Stadium percebeu que a quadra ganhou o dizer “09/11/2001”. Esse trecho foi adicionado para lembrar os 20 anos dos ataques às torres do World Trade Center, à sede do Pentágono e a uma área livre na cidade de Skansville, que fica no estado da Pensilvânia. Na cerimônia de premiação da final feminina, o CEO da United States Tennis Association (USTA), Michael Dowse, e a vice-campeã, Leylah Fernandez, mencionaram a data em seus discursos e prestaram condolências às famílias das 2.977 vítimas fatais. No momento em que foi entoado o hino nacional, antes da partida, a bandeira dos Estados Unidos foi desenrolada por toda a quadra.  

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