Com Hegerberg de volta aos campos, Liga dos Campeões Feminina tem sua primeira rodada de jogos 

Foto de capa: Reprodução/Futebol Stats 

Por Rodrigo Glejzer 

A primeira rodada da Liga dos Campeões Feminina aconteceu entre os dias 5 e 6 de outubro e envolveu os principais times da Europa. O DAZN, serviço de streaming voltado a esportes, transmitiu, de graça e em inglês e alemão, a maioria das partidas em seu canal no YouTube.  

Grupo A 

Atual campeão inglês e vice-europeu, o Chelsea é uma das principais forças do futebol feminino do continente e tem na australiana Sam Kerr seu maior talento. Em busca de seu primeiro título continental, as inglesas tiveram o forte Wolfsburg pela frente. As “Lobas” são bicampeãs europeias (2012/2013 e 2013/2014), hexacampeãs alemães (tendo conquistado o vice-campeonato na última Bundesliga) e uma das equipes de maior peso no velho continente.   

Com dois dos melhores times do torneio em campo, também aconteceu a partida mais movimentada da primeira rodada. No primeiro tempo, Sam Kerr abriu o placar aos 12 minutos. Sem se abater, as alemãs correram atrás do resultado. Cinco minutos depois do primeiro gol, Tabea Waßmuth empatou para as “Lobas”. Aos 33, veio a virada do Wolfsburg com Jill Roord. 

No segundo tempo, o ritmo não diminuiu, e, aos três minutos, Waßmuth marcou o seu segundo gol, o terceiro de sua equipe, abrindo uma vantagem de dois gols no placar. As inglesas despertaram e, dois minutos depois, diminuíram o marcador com Bethany England. A partir deste momento, o jogo esfriou. Nenhum dos times conseguiu criar muita coisa para empatar ou matar a partida. Isso até os acréscimos, quando Pernille Harder aproveitou a última chance da partida e deixou tudo igual em 3 a 3.  

Harder foi a heroína do empate do Chelsea contra o Wolfsburg – Foto: Getty Images 

Completando o grupo, a Juventus conseguiu o feito de ser campeã invicta no campeonato italiano do ano passado. Tricampeã nacional, a “Velha Senhora” ainda não conquistou o mesmo sucesso fora de seu país. Pelas mulheres, nunca conseguiu sequer passar da primeira fase eliminatória do principal torneio europeu de clubes.  

Já o Servette tem uma história bem mais modesta. No último ano, conquistou seu primeiro título suíço e, por consequência, adquiriu, pela segunda vez, o direito de disputar a Liga dos Campeões. Na sua campanha de estreia, as suíças conseguiram chegar até a primeira fase eliminatória, quando foram derrotadas pelo Atlético de Madrid. 

Mais acostumada a disputar grandes campeonatos, a Juventus não teve muitas dificuldades para bater as jogadoras do Servette. Depois de disparar mais de 30 chutes contra a meta adversária e marcar três gols (Caruso, Hurting e Cernoia), as italianas levaram seus três primeiros pontos no torneio.  

Grupo B 

Conhecido pelo alto investimento no futebol masculino, o PSG não deixa de aplicar seu patrimônio na equipe feminina. Tanto que, depois de oito vice-campeonatos nacionais, as parisienses conseguiram conquistar o seu primeiro título durante a última temporada. Agora as francesas também esperam conquistar o inédito campeonato europeu, após ficarem com a medalha de prata em outras duas oportunidades (2014–15 e 2016–17). 

Se por um lado o time do PSG é um dos mais conhecidos no mundo, por outro seu adversário, o Breiðablik, é, praticamente, desconhecido do grande público. Fundado em 1950 como um clube poliesportivo, a equipe islandesa não tem muita tradição no futebol masculino. No entanto, seu time feminino é um dos principais do país, com 18 títulos nacionais e uma campanha histórica até as quartas de final da Champions, quando foi batido pelo Arsenal por 5 a 0. A temporada 2020/2021 celebra a volta do Breiðablik à Liga dos Campeões depois de uma década ausente.  

No embate entre francesas e islandesas, saiu-se melhor o PSG. Depois de uma partida bem disputada em termos de chance, com o Breiðablik conseguindo criar algumas oportunidades mesmo tendo menos de 25% de posse de bola, as parisienses abriram o marcador com Khelife e sacramentaram a vitória em arremate de Grace Geyoro.  

Equipe do PSG garantiu sua primeira vitória na atual Liga dos Campeões – Foto: Sebastião Ferraz 

Maior vencedor da Liga dos Campeões entre os homens, o Real Madrid é uma das mais tradicionais equipes do futebol europeu. Todavia não se pode dizer o mesmo quanto ao time das mulheres, já que, até a atual temporada, nenhum grupo merengue feminino tinha participado de qualquer campeonato europeu. Isso porque o interesse madrileno em manter uma equipe de mulheres veio apenas em 2019, quando “Los Blancos” adquiriram o CD TACON, uma equipe feminina recém- promovida à primeira divisão espanhola. Desde então, o Real Madrid ainda não conseguiu nenhum título feminino, mas já conquistou o vice-campeonato nacional no ano passado. 

Se o Real Madrid não tem tradição no futebol feminino, o mesmo não se pode dizer do Zhytlobud-1 Kharkiv. A equipe ucraniana é nove vezes campeã nacional e, por oito temporadas, atuou nos palcos da Liga dos Campeões. Porém jamais ganhou nenhum título internacional, e sua melhor campanha foi chegar à primeira fase eliminatória em 2018/2019.  

Em campo, melhor para as merengues. Depois de manterem 70% de posse de bola durante a partida, as jogadoras de Madrid conseguiram chutar por 14 vezes no gol, três vezes no alvo. Em uma dessas chances, Lorena Navarro escorou para as redes e garantiu os primeiros pontos de um time feminino do Real Madrid em uma edição da Liga dos Campeões.  

Grupo C 

Principal equipe feminina na Europa atualmente, o Barcelona não só é o atual campeão da Liga dos Campeões como também o é da liga espanhola. Além de dominar o time ideal da última temporada europeia, com sete indicadas, também viu eleitas três de suas atletas como as principais jogadoras do Velho Continente. Alexia Putellas ficou em primeiro, com Jenni Hermoso em segundo e Lieke Martens em terceira, completando o pódio.  

Para enfrentar a forte equipe barcelonista, ninguém melhor que o Arsenal. Maior campeão inglês, com 15 títulos, e campeão europeu em 2006/2007, os “Gunners” também lideram a temporada atual da Premier League feminina. A equipe inglesa ainda conta com duas estrelas mundiais em seu elenco: a holandesa Vivianne Miedema e a estadunidense Tobin Heath.  

O que parecia ser um dos grandes jogos da rodada acabou decepcionando bastante. Sem muita dificuldade, o Barcelona se impôs ao Arsenal e emplacou uma goleada de 4 a 1. Gols de Caldentey, Putellas, Oshoala e Martens, para as espanholas, e Maanum, descontando para as inglesas.  

Atual campeão, o Barcelona não teve dificuldades contra o Arsenal – Foto: Getty Images 

Terceiro colocado na última Bundesliga, o Hoffenheim jamais conquistou qualquer coisa com sua equipe feminina. Também não possui nenhuma grande estrela em seu time e não tem tradição em copas europeias. O time oponente ao alemão, HB Køge, segue quase o mesmo roteiro. A principal diferença é que as dinamarquesas têm um título em sua galeria: o campeonato nacional do ano passado. Outro ponto interessante sobre o time de Køge é que, em 2020, a diretoria do clube entrou em parceria com uma empresa chamada Capelli Sport, baseada em Nova York e voltada ao mercado de produtos esportivos. O objetivo principal da colaboração era levar o time feminino à Liga dos Campeões, algo alcançado logo na primeira temporada.  

Com a bola rolando, não deu muito jogo. O Hoffenheim aproveitou bastante as chances contra o HB Køge e deixou o placar em 5 a 0. Destaque para Tine De Caigny, que marcou dois gols na vitória. Katharina Naschenweng, Nicole Billa e Luana Buhler fecharam o placar a favor das alemãs. 

Grupo D 

Atual campeão alemão, o Bayern de Munique  conquistou o seu quarto título feminino na história. No entanto, o time bávaro continua zerado em títulos europeus entre as mulheres. Por duas vezes, conseguiu chegar nas semifinais, mas acabou derrotado por Barcelona (2018/2019) e Chelsea (2019/2020).  

Vindas de Portugal, as encarnadas do Benfica não têm a mesma experiência na Liga dos Campeões que as alemães. Muito disso porque, até a temporada 2018/2019, as portuguesas estavam disputando a segunda divisão. Há dois anos na elite nacional, conquistaram o título no campeonato passado.  

Debutando no mais alto nível europeu, as “Águias” portuguesas não deixaram as alemãs saírem com a vitória. Apesar de dominar a partida em boa parte do tempo, controlando a posse de bola e conseguindo as melhores oportunidades, o Bayern não teve capacidade de abrir o placar e viu terminar no 0 a 0.  

Embora o Barcelona seja, atualmente, a melhor equipe feminina, é o Olympique Lyonnais que detém o recorde de maior número de títulos na Liga dos Campeões. Com sete “orelhudas” conquistadas, sendo cinco seguidas (2015/2016, 2016/2017, 2017/2018, 2018/2019 e 2019/2020), as “Leoas” são uma das principais forças do futebol feminino. Ainda mais com a volta de Ada Hegerberg à equipe principal. A norueguesa, melhor do mundo em 2018, esteve fora de campo por quase dois anos devido a uma sequência de lesões.  

Para a reestreia de Hegeberg no Lygon, teve o BK Häcken pela frente. Campeão sueco no ano passado, a equipe feminina dos Getingarna quase foi extinta, mesmo com o título alcançado e tendo participado das últimas duas edições da Liga dos Campeões (ambas caindo na primeira fase eliminatória).  

Ada Hegerberg está de volta aos campos – Foto ADAM IHSE/AFP 

Com duas forças muito distintas em campo, o jogo foi bem desigual. O Hacken perdeu na posse de bola (37% a 62%), no número de chances criadas (7 a 22) e de chutes a gol (1 a 9). Em ritmo de treino, Malard e Macario inauguraram o contador a favor do Lyon no primeiro tempo. Na segunda etapa, Larsen marcou contra e fechou a partida em 3 a 0. Hegerberg voltou aos gramados com o relógio marcando 34 minutos e não conseguiu fazer muita coisa.    

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