De A a D: o grupo B da Champions League Feminina conta com o bom time do PSG e o famoso Real Madrid 

Foto de capa: Reprodução/UEFA

Por Rodrigo Glejzer 

UEFA Women´s Champions League teve início entre os dias 5 e 6 de outubro, com as principais equipes femininas se enfrentando na primeira rodada da competição. A maior parte dos jogos foi transmitida de graça pela plataforma DAZN, via seu canal no YouTube, com narrações e comentários em inglês e alemão. 

Em 4 de dezembro de 2019, o Comitê Executivo da UEFA aprovou um novo formato para a temporada de 2021/2022. Agora a competição é dividida em quatro grupos com quatro times cada e os dois primeiros se classificam para as fases de mata-mata. Contendo alguns dos principais times da Europa, conheça os membros do Grupo B. 

  • PSG 

O futebol feminino na França não é nenhuma novidade. Na verdade, segundo a FIFA, vem desde 1917. Enquanto o mundo sobrevivia aos últimos anos da Primeira Guerra Mundial, duas equipes femininas de Paris se enfrentaram em um campo de futebol. De um lado, Therese Brule, do outro, Suzanne Liebrard. O encontro foi reportado por um jornal da época, chamado L’Auto, que fez toda a base estatística da partida. Infelizmente, os dados se perderam no tempo, mas o ímpeto de jogar bola nunca se apagou do coração das francesas.  

O problema é que a Federação Atlética Francesa, na época órgão nacional responsável por reger os esportes no país, se recusava a aceitar o futebol feminino como esporte oficial. Para contornar o problema, as mulheres, lideradas por Alice Milliat, então se reuniram e resolveram fundar sua própria confederação: a Fédération des sociétés féminines sportives de France (FFSF). Entre 1918 e 1932, essa sociedade foi responsável por gerir todos os campeonatos femininos em território francês. Além disso, visto que as moças eram proibidas de participar das primeiras Olimpíadas da Era Moderna, também incumbiu-se de criar os Jogos Mundiais Femininos com sedes em Monte-Carlo (1921), Paris (1922) e Gotemburgo (1926). 

A FFSF durou até 1936. Com a proibição da prática do futebol feminino na década de 1930, Milliat deixou a presidência da federação, e todas as funções do órgão foram suspensas de forma permanente. Por mais de três décadas, as mulheres não conseguiram se organizar de maneira legal para jogar bola. Apenas em 1971, quando os banimentos começaram a ser revogados, as atletas voltaram a se restabelecer nos campos. No ano de 1975, a Federação Francesa de Futebol (FFF) voltaria, oficialmente, com as divisões profissionais do futebol feminino. O Stade de Reims foi o primeiro campeão da nova era que se instalava com a instauração da Division 1 Féminine

Desde então, diversos times franceses participaram do campeonato feminino, incluindo o Paris Saint Germain (PSG). No entanto, apesar de estar presente desde a primeira edição do torneio organizado pela FFF, as “Le Parisiens” sempre foram um time de meio de tabela, que mais flertava com o rebaixamento do que com o título. Foram até mesmo rebaixadas, em 1982, e demoraram uns anos para voltarem à elite. 

A situação só passou a mudar a partir dos anos 2000. Mais estruturada na virada do milênio, a equipe vermelha e azul passou a brigar pela parte de cima da primeira divisão. Em 2009/2010, conseguiu vencer seu primeiro título de peso ao levantar a taça da Copa da França. Na temporada seguinte, ficou com o vice-campeonato nacional. Apesar de conseguir montar boas equipes, o PSG tinha muita dificuldade em bater o Lyon, a grande força local na década.  

Dois anos depois de seu primeiro vice-campeonato, as parisienses receberam uma grande novidade. Um fundo investidor do Qatar, o QSI, comprou o Paris Saint Germain e passou a investir uma fortuna em infraestrutura e contratações. No masculino, Nasser Al-Khelaifi, presidente do clube e representante dos proprietários da equipe, ficou conhecido pelas super contratações de estrelas como Ibrahimovic, Neymar Jr e Messi. Para as mulheres, também houve bastante capital aplicado e, aos poucos, começou a formar-se uma das principais equipes do país.  

As “Le Parisiens” acumularam uma sequência de seis vices seguidos para suas rivais de Lyon. A sequência de segundos lugares só foi quebrada na última temporada, 2020/2021, quando conseguiram vencer, por apenas um ponto, suas algozes e levar o título nacional para casa pela primeira vez. Na Liga dos Campeões, o PSG tem duas medalhas de prata. A primeira veio em 2014/2015, quando foram derrotadas pelo FFC Frankfurt-ALE, e a segunda, em 2016/2017, ao serem batidas pelas “Les Lyonnaises”. 

Jogadoras para se ficar de olho

  • Marie-Antoinette Katoto – É a grande estrela da equipe. Atacante da seleção francesa, Katoto é a goleadora da atual temporada com seis gols em cinco partidas disputadas. Nos últimos anos, disputou uma série de honrarias individuais. Foi eleita duas vezes melhor jogadora jovem do campeonato francês (2017/2018, 2018/2019) e três vezes escolhida para a equipe do ano da D1 Féminine. Também conseguiu o troféu de artilheira do torneio nacional duas vezes (2018/2019, 2019/2020), 
  • Ashley Lawrence – Lateral-esquerda, Lawrence foi eleita a jogadora canadense do ano em 2019. Anteriormente já havia sido escolhida como a melhor de seu país entre as sub-17 em duas oportunidades (2011 e 2012). Por sua seleção, é medalhista de prata (2016) e ouro (2021) nas Olimpíadas.  
  • Kadidiatou Diani – Divide com Katoto a responsabilidade de guiar o ataque parisiense. Menos artilheira que sua colega, Diani é a responsável por armar as jogadas. Foram nove assistências para gol ano passado. Suas performances lhe valeram o prêmio de melhor jogadora da D1 Féminine em 2020/2021. Também atua com regularidade pela seleção francesa.  
  • Grace Geyoro – Capitã do time e prata da casa, foi revelada pelo PSG em 2014 e, desde então, faz aparições regulares no time principal. Atua como volante e tem mais de 30 partidas pela seleção francesa.  
  • Luana Bertolucci – É a brasileira do elenco. Veio ao PSG ano passado, do futebol coreano. Jogando como volante, fez dois gols e deu duas assistências em 12 partidas no total. Vinha ganhando espaço no elenco, mas uma grave contusão no joelho a tirou dos campos em março deste ano. Ainda em fase de recuperação, deve reaparecer no time francês no final do ano. Até se machucar, era presença constante nas convocações da seleção. 
Da esquerda para a direita: Katoto, Lawrence, Diani, Geyoro e Luana – Foto: Reprodução/oGol  
  • Real Madrid 

Da mesma forma que boa parte do velho continente, a Espanha baniu, em 1935, a prática de esporte envolvendo mulheres. Um dos principais alvos foi o futebol. Para se ter noção do tanto de preconceito que existia, José Luis Pérez-Payá, presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) entre 1970 e 1975, uma vez declarou:  

“Não sou contra o futebol feminino, mas também não gosto. Do ponto de vista estético, uma mulher de camiseta e calça não é preferível. Qualquer outra roupa regional lhes caberia melhor”.  

Além disso, a “Falange”, partido político bastante influenciado pela ideologia fascista, chegou a criar “La Sección Femenina”, braço responsável por definir e defender o conceito de “feminilidade espanhola”. Contudo, mesmo com toda a discriminação e repressão pública, as espanholas não se inibiram e passaram a procurar formas alternativas para jogar bola.  

Segundo o site SB Nation, era bem comum a fundação de clubes futebolísticos ilegais na década de 1970. Ironicamente, um dos mais ativos articuladores do futebol feminino foi um homem. Presidente do Mercacredit y Olímpico de Villaverde, equipe voltada à prática esportiva feminina, Rafael Ruiz Muga acreditava, fielmente, que havia espaço nos campos para as moças.  

Confiando em sua visão, Muga organizou importantes partidas por toda a Espanha. A mais icônica sendo o primeiro jogo da seleção espanhola feminina. Enfrentando Portugal, “La Roja” empatou em 3 a 3. Pelo que conta Juan Morenilla, no artigo “El hombre que creyó en el fútbol femenino”, Muga ainda passaria duas décadas inteiras lutando pela legalização do futebol feminino.  

Conseguiu em 1988, quando a Real Federação cedeu às pressões e passou também a administrar o futebol feminino. Formou-se, de maneira oficial, a primeira divisão com nove equipes disputando o torneio. Atualmente, o campeonato conta com 16 clubes e três divisões profissionais.  

Um dos times mais populares e bem-sucedidos no mundo, o Real Madrid só começou a esboçar alguma vontade de montar um departamento feminino em 2017. Florentino Pérez, atual mandatário do clube, tinha o plano de elaborar uma equipe desde a base e formar jogadoras a partir dos valores madrilenhos. Porém não levou o projeto muito à frente. Logo, coube ao CD Tacon a responsabilidade de continuar a representar, de forma completamente independente, os merengues como a equipe feminina. 

Fundado em 2014 pela ex-jogadora Ana Rossell, que por duas vezes tentou convencer o Real Madrid a abrir uma seção feminina, o Tacon tinha como ideologia dar suporte, desde a base, para as mulheres que quisessem ingressar no futebol em Madrid. Depois de algumas temporadas na segunda divisão, a equipe conseguiu o acesso em 2019.  

De olho na vaga direta à primeira divisão nacional, Pérez abandonou o projeto de criar uma equipe do zero e ofereceu uma fusão com o CD Tacon. Com o acordo firmado em 2020, o clube de Rossell foi integrado ao departamento de futebol merengue, e o Real Madrid feminino estava, oficialmente, criado. Em sua primeira temporada na elite espanhola, “Las Blancas” conseguiram um segundo lugar, ficando atrás apenas do Barcelona, e o direito de disputar, pela primeira vez, a Liga dos Campeões.  

Jogadoras para se ficar de olho: 

  • Babett Peter – É a jogadora mais condecorada do elenco. Tem oito títulos da Frauen-Bundesliga, além de ter vencido a Liga dos Campeões em 2009/2010 pelo Turbine Potsdam-ALE. Antes de se aposentar da seleção em 2018, a zagueira alemã acumulou mais de 100 partidas pela Die Nationalelf e obteve um título mundial (2007), um campeonato europeu (2009) e uma medalha de ouro olímpica (2016). Foi duas vezes condecorada com a Silbernes Lorbeerblatt (2007 e 2016), a honraria mais alta do futebol alemão.  
  • Esther González – Na temporada passada, atuou junto ao Levante-ESP e foi vice-artilheira da liga nacional com 29 gols. Pela seleção espanhola, são 13 convocações com 10 bolas na rede. Jogando no Real Madrid, ainda não marcou nos quatro jogos que disputou.  
  • Nahikari García – É uma jovem atacante promissora. Aos 24 anos, a ex-jogadora do Real Sociedad-ESP alcançou a marca de 100 partidas e 74 gols na primeira divisão espanhola. Foi em julho deste ano para Madrid e, por enquanto, não marcou gols ou deu assistências em cinco partidas jogadas. Pela seleção da Espanha, tem passagens bem-sucedidas nas categorias de base e debutou em 2018 no time principal. Tem 17 jogos e três gols por “La Roja”. 
  • Kosovare Asllani – A atacante tem vasta experiência no mundo do futebol. Já atuou na Inglaterra, França e Estados Unidos. Chegou na Espanha para jogar pelo CD Tacon e permaneceu na equipe depois da fusão com o Real Madrid. Seus títulos mais importantes são as duas medalhas de prata olímpicas (2016 e 2020) conquistadas junto à seleção da Suécia.  Individualmente, é dona de uma Diamantbollen (2017), prêmio dado à melhor jogadora sueca do ano. Atualmente encontra-se contundida, com problemas no ligamento do joelho, e deve voltar a jogar apenas em novembro de 2021.  
  • Misa Rodriguez – É jovem, tem apenas 22 anos, e já conseguiu um prêmio Zamora (2020/2021), honraria dada à goleira com o menor índice de gols tomados por partidas jogadas na temporada. É uma das goleiras reservas da seleção espanhola.   
Da esquerda para a direita: Peter, González, García, Asllani e Misa – Foto: Reprodução/oGol/Real Madrid 
  • Zhytlobud-1 Kharkiv 

Hoje país independente, a Ucrânia já foi parte do antigo bloco soviético. Conhecida pela potência de seus atletas, a URSS via o esporte como uma maneira de propagar o seu ideal político. Mas nem sempre foi assim. 

Em 1917, os bolcheviques, um dos grupos dissidentes do Partido Operário Social-Democrata, tomaram o controle da Rússia e fundaram as bases da futura União Soviética. No entanto, estes rejeitaram as primeiras edições das Olimpíadas, por considerarem a necessidade de competir um princípio burguês, e tratavam o esporte de uma maneira mais recreativa. 

Apenas a partir de 1930, principalmente quando Stalin subiu ao poder, a situação esportiva soviética mudou. Como houve um embate com os EUA pela hegemonia no mundo, a URSS começou a entender o desporto como uma forma estratégica de medir sua força. Ao vencer os demais países em competição, a União Soviética não só mostraria sua potência, mas também sua superioridade diante das demais nações do globo.  

Em 1952, durante os Jogos de Helsinque, a URSS tomou a decisão de estrear nas Olimpíadas. Enviou cerca de 250 atletas e, logo de cara, ficou com o segundo lugar geral, perdendo, justamente, para os Estados Unidos. Foram 71 medalhas e 22 delas douradas. Contudo há um fato interessante que deve ser constado. Enquanto os EUA foram quarenta vezes ao topo do pódio, duas no individual (ambas para Pat McCormick) e uma por equipes quanto às conquistas femininas, a União Soviética teve seis mulheres, cinco no individual e uma por equipes, como vencedoras.  

Mesmo que, naquela época, as mulheres não fossem vistas como iguais na sociedade soviética, a URSS não deixou de usá-las para os projetos de propaganda. Não havia um princípio de igualdade entre os sexos, mas uma necessidade em vencer o maior número de pódios. Tanto que as mulheres foram mais relegadas a esportes sem contato físico, como ginástica e atletismo, como grande parte dos demais países fizeram.   

Entretanto o investimento em esportes era prioritário para aqueles que faziam parte do programa olímpico. Como o futebol feminino sequer tinha uma federação, nem mesmo um mundial, acabou sendo preterido, pois não serviria para os propósitos de propaganda. Inclusive, chegando a ser ilegal em 1972, já que a medicina soviética da época não acreditava que o corpo feminino tinha condições de exercer o futebol de uma maneira saudável. 

Apenas cerca de duas décadas depois, quando a Europa começou a organizar os primeiros campeonatos femininos de forma oficial, a situação mudou. Tanto que, em 1990, a URSS não só armou sua própria federação como também montou seu próprio campeonato e seleção. Um ano depois de sua criação, foi aceita pela UEFA para as disputas do Europeu de 1993. Mas, no final de 1991, a seleção, assim como o bloco soviético, foi dissolvida. Em seu lugar, diversas outras nações recém-criadas passaram a disputar as eliminatórias. Uma delas sendo a Ucrânia.  

Depois de integrar durante boa parte da existência do bloco soviético, sendo anexada em 1917, a Ucrânia não demorou para criar sua própria liga feminina de futebol. No mesmo ano do colapso da URSS, as ucranianas já tinham o seu próprio campeonato nacional. O Vyshcha Liha contou com 18 equipes, muitas delas egressas do torneio soviético, e teve o tradicional Dínamo de Kiev como campeão. 

Após 29 edições e diversos formatos ao longo de sua existência, o torneio feminino ucraniano possui hoje dez equipes, com predominância de duas com nomes bem parecidos, o WFC Zhytlobud-1 Kharkiv e WFC Zhytlobud-2 Kharkiv. O primeiro foi fundado em 2002 e é o maior vencedor do local (10 títulos). O segundo foi concebido dois anos depois, sendo o terceiro maior campeão nacional (cinco títulos). Ambos têm nomenclaturas parecidas, pois são da cidade de Carcóvia e patrocinados pela mesma empresa de construções, a JSC Trust “Zhytlobud”. 

Jogadoras para ficar de olho: 

  • Olga Ovdiychuk – Venceu seis ligas e seis taças da Ucrânia, além de ser duas vezes premiada como melhor jogadora ucraniana (2016 e 2017). Também conquistou a artilharia do campeonato quatro vezes (2012, 2013, 2018 e 2019). Em 2020, a atacante jogou pelo Atlético de Madrid-ESP, mas, com apenas oito partidas e sem convencer, teve seu contrato rescindido com menos de um ano. Na atual temporada, tem 18 gols em 11 partidas. Também 40 partidas pela seleção nacional.  
  • Daryna Apanashchenko – Aos 35 anos, a meia-campista fez carreira na Rússia. Depois de jogar por oito anos no Zvezda Perm-RUS, voltou para sua terra natal e, atualmente, é a capitã da equipe. É tricampeã russa (2014, 2015 e 2017) e bicampeã ucraniana (2001 e 2002). Também é a maior artilheira da história da seleção nacional.  
  • Birgül Sadıkoğlu – Estreou aos 14 anos pelo Eskişehirspor, time da elite turca, em 2014/2015. Depois fez três temporadas na terceira divisão, marcando mais de 100 gols em cerca de 40 jogos, e voltou para a primeira divisão da Turquia, no Konak Belediyespor, em 2019/2020. As boas atuações continuaram, e ela rumou para a Ucrânia este ano. A meia-campista tem quatro convocações para a seleção turca.  
  • Olha Boychenko – A meia-atacante conquistou duas ligas (2009 e 2010) e duas copas (2008 e 2010) ucranianas. Participou da Euro 2009 pela Ucrânia e está aposentada da seleção desde o início do ano. Tem sido uma das principais fontes de gols da equipe junto a Ovdiychuk na atual temporada. São 12 gols em 9 partidas.  
  • Lyubov Shmatko – Bicampeã ucraniana (2009 e 2010) e tri bielorrussa (2017, 2018, 2019), a zagueira é um dos destaques defensivos da equipe. Tem pouco mais de 10 jogos pela seleção da Ucrânia.  
Da esquerda para a direita: Ovdiychuk, Apanashchenko, Sadıkoğlu, Boychenko e Shmatko –  Foto: Reprodução/oGol 
  • Breiðablik 

A Islândia é conhecida pela cultura viking, por suas terras geladas e pela luta das mulheres por seus direitos. O girl power é tão difundindo por lá que o The Guardian, jornal independente britânico, atribui o país de Björk como o “mais feminista no mundo” 

E, desde 1975, a Islândia tem feito jus à alcunha. Há quase 50 anos, milhares de islandesas foram às ruas exigir direitos iguais aos dos homens. Não queriam apenas votar, algo que já tinham direito há quase um século, mas participar de maneira efetiva na política local. Recusaram-se a trabalhar, cozinhar e cuidar das crianças por um dia, causando uma grande comoção nacional.  

O movimento deu tão certo que, na eleição seguinte, em 1980, Vigdís Finnbogadóttir assumiu como presidente do país, a primeira mulher na história islandesa no cargo. Como a Islândia é uma república parlamentarista, ainda tiveram Jóhanna Sigurðardóttir (2009/2013) e Katrín Jakobsdóttir (2017-atual) como primeiras-ministras. Em setembro de 2021, as islandesas conseguiram alcançar outro marco ao terem, praticamente, 50% das cadeiras no parlamento (30 de 63), número recorde na Europa.  

O futebol não ficou de fora de toda essa atividade. Apesar de ainda não ter tido a capacidade de atrair megas estrelas, como os campeonatos sueco e norueguês, o torneio na Islândia conseguiu estruturar-se. Existindo desde 1972, quando começou com oito times, o Úrvalsdeild kvenna, campeonato feminino nacional, tem hoje 10 equipes profissionais.  

O Breiðablik não é só um dos maiores times femininos do país, mas também quem ostenta o posto de maior campeão nacional, com 18 títulos no total. Suas atletas também são vencedoras de 11 taças da Copa, além de pertencerem ao único time islandês, em 2005/2006, com passagem pelas quartas de final da Champions League

Jogadoras para ficar de olho

  • Tifanny McCarty – Depois de passar boa parte da sua carreira nos EUA, a atacante estadunidense faz sua segunda temporada na Islândia, jogou a primeira pelo Selfoss-IS. Não teve muito destaque em outros campeonatos, mas é, atualmente, uma das artilheiras do Breiðablik. Neste ano, fez 23 jogos e 11 gols.  
  • Agla Albertsdóttir  Com apenas 22 anos, a meia-campista é uma das promessas da equipe. É bicampeã nacional (2016 e 2018) e autora dos dois gols que levaram o Breiðablik ao título da copa islandesa em 2018. Neste momento, é a artilheira da equipe na temporada com 18 gols em 24 partidas. Tem cerca de 30 partidas pela seleção da Islândia.  
  • Ásta Eir Árnadóttir – Zagueira e capitã da equipe, a islandesa passou toda a sua carreira no Breiðablik. Faturou o bicampeonato em todos os campeonatos locais possíveis, além de conseguir ser convocada algumas vezes pela seleção.  
  • Áslaug Munda Gunnlaugsdóttir – Outra jogadora jovem, com 20 anos, a meia-atacante era a principal fonte de assistências da equipe até agosto deste ano, quando se mudou para os EUA para jogar por um time universitário. Profissionalmente, ainda é ligada ao Breiðablik, mas precisa da autorização da faculdade estadunidense para jogar. Caso consiga retornar à Europa, tem tudo para ser uma das jogadoras mais interessantes.  
  • Karitas Tómasdóttir – Revelada pelo Selfoss-IS em 2013, a meia-campista tem passagens pelo futebol universitário estadunidense entre 2015 e 2018. Veio para o Breiðablik em junho deste ano e tem sete gols em 24 partidas na temporada.  
Da esquerda para a direita: McCarty, Albertsdóttir, Árnadóttir, Gunnlaugsdóttir e Tómasdóttir – Foto: Reprodução/oGol/Facebook

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