Dia Mundial do Teatro: conheça 6 autores imprescindíveis das Artes Cênicas do Brasil e do mundo

Foto de Capa: Divulgação

Por Lucas Holanda e Carlos Belo

Teatro Amazonas. Foto: Alexinaldo Granela Borja

Nunca antes se refletiu tanto sobre o valor do teatro quanto nos tempos pandêmicos. A arte que acompanha a humanidade desde a idade mais remota, com os ritos religiosos e tradições culturais que envolvem o engajamento do corpo, da voz e dos mitos, se viu sofrer, durante a pandemia, a sua crise mais inesperada que com certeza ficará na História da Arte Cênica: a falta do público, o distanciamento do palco e as máscaras que escondem o rosto.
Dois anos, porém, se passaram desde que a pandemia se iniciou, no começo de 2020, onde os atores tiveram de se adaptar ao ‘novo normal’, mas hoje a classe de artistas do campo teatral já retornam aos palcos, com direito a público presencial e a não mais utilização das máscaras, marcando neste domingo (27) mais um ano de vida pelo Dia Mundial do Teatro, com todas as pompas da riquíssima e belíssima produção dramaturga brasileira.
A partir disso, preparamos um material com 6 nomes do Teatro Mundial, incluindo 3 brasileiros, para quem ainda não se identificou com o universo de uma das Belas Artes e quer se aprofundar mais um pouquinho no conhecimento dos baluartes da tal manifestação artística. Portanto, leitores, se acomodem nas cadeiras, estejam com os olhos bem atentos, pois as cortinas já vão se levantar para iniciar uma série de Seis Atos!

I- Ariano Suassuna

Ariano
Ariano Suassuna discursando em evento. (Foto: Divulgação)

Nasceu no Palácio da Redenção, sede do governo do estado da Paraíba em junho de 1927. Seu pai, João Suassuna, era o Governador daquele estado do Nordeste, onde a família viria a morar na pequena cidade de Taperoá, em virtude do assassinato do mesmo durante a Revolução de 1930.
O Auto da Compadecida é uma de suas peças mais conhecidas e uma de suas obras mais admiradas haja vista que se transformou em série de televisão e ganhou as telas de cinema mundo afora, nos Anos 90, através do diretor de TV e cinema, o pernambucano Guel Arraes, filho de um grande amigo do pai de Suassuna, o lendário político de Pernambuco Miguel Arraes.

Selton Mello e Matheus Nachtergaele em O Auto da Compadecida (Foto: Reprodução)

Eleito para a cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras em 1989, foi também imortal das academias pernambucana e paraibana de Letras. Formou-se em Direito em uma das mais prestigiadas faculdades do país, a Faculdade de Direito do Recife, mas, sua paixão sempre foi contar ‘causos’ misturando a cultura popular e o erudito. Fez sua estreia no mundo das Letras nas páginas do Jornal do Comércio, em 1945, com o poema Noturno.
Com o romance A Pedra do Reino (1971), Ariano é aclamado pela crítica e recebe o prêmio de Melhor Ficção Nacional pelo Ministério da Cultura. As cortinas se fecham, no entanto, para o grande nome da cultura popular nordestina em julho de 2014, deixando o teatro e a literatura brasileira mais triste, porém, guardando no imaginário de todos os amantes das Artes um legado de 15 livros e 18 peças teatrais.

II- Hilda Hilst

Hilda Hislt (Foto: Divulgação)

Foi no outono de 1930 que, no interior de São Paulo, nascia Hilda de Almeida Prado Hilst, mais conhecida como Hilda Hilst. Estudou na Universidade de São Paulo o curso de Direito da Faculdade do Largo São Francisco, berço de grandes intelectuais brasileiros.
A peça O verdugo (1969) recebeu o prêmio Anchieta, um dos mais importantes da época. Hilda Hilst também recebeu dois prêmios Jabuti, um em 1984 com a obra Cantares de Perda e Predileção, e em 1994 com o conto Rútilo Nada.
Escreveu poesias, ficção e peças teatrais. Viveu a maior parte de sua vida na Casa do Sol, residência que construiu dentro da fazenda herdada dos pais nos arredores de Campinas, interior de São Paulo, onde recebia amigos e artistas, dentre elas, sua grande amiga e também escritora Lygia Fagundes Telles.

III- Nelson Rodrigues

Nelson Rodrigues (Foto: Divulgação)

Nascido na cidade de Recife, em 1912, Recife Nelson Falcão Rodrigues – o Nelson Rodrigues de A Vida Como Ela É… – tornou-se um dos maiores dramaturgos do Brasil escrevendo ao longo de sua carreira 17 peças teatrais, ensaios e crônicas para os jornais da Cidade Maravilhosa onde veio a residir com sua família aos cinco anos de idade.
Começou sua carreira no jornalismo bem cedo. Aos 13 anos de idade já era repórter policial do jornal A Manhã, fundado pelo seu pai Mario Rodrigues. Além da especialidade em jornalismo policial, era um apaixonado por futebol e suas crônicas tornavam jogadores em heróis e as partidas em batalhas épicas carregadas de drama.
Foi colunista do Jornal Última Hora e escreveu entre 1951 e 1956 a coluna A Vida Como Ela É imortalizada pelos renomados atores globais todos os domingos no programa Fantástico. Seus textos eram carregados de drama e abordavam os dilemas do cotidiano da sociedade carioca causando todo tipo de reação, nunca indiferença.
Nelson transitava entre temas sexuais, tendo sua peça Álbum de Família de 1946 censurada por abordar a questão do incesto, fazendo de Nelson Rodrigues um dos autores mais polêmicos da literatura brasileiras no século vinte.

IV- William Shakespeare

William Shakespeare (Foto: Reprodução)

William Shakespeare, o maior dramaturgo inglês, nasceu em Stratford-upon-Avon. Iniciou seu trabalho em 1589 adaptando peças e atuando, e em 1590 escreveu sua primeira obra Titus Andronicus.
Recebeu o apelido de “Bardo de Avon” em referência aos bardos, que eram poetas, cantores e contadores de história que viajavam pela Europa espalhando seus contos.
Sua obra mais famosa é Romeu e Julieta, recebendo diversas adaptações e paródias ainda nos dias de hoje. Porém, ao mencionar Shakespeare, o primeiro pensamento que surge é a célebre frase “ser ou não ser, eis a questão”, que se encontra em sua obra Hamlet.

O beijo de Romeu e Julieta (Foto: Reprodução)

Shakespeare ainda é muito aclamado nos tempos modernos, suas peças são constantemente reexibidas e sempre impactam quem as assiste. Sua fama é tanta que em 2016 na Inglaterra, houve diversos eventos em homenagem aos 400 anos da morte do dramaturgo, principalmente em sua cidade natal Stratford-upon-Avon, contando com diversas encenações, desfiles e fantasias dos personagens de suas obras.

V- Agatha Christie

Ágatha Christie (Foto: Divulgação)

Condecorada pela rainha do Reino Unido, Elizabeth II, com o título de Dama-Comendadora da Ordem do Império Britânico, Agatha Christie é uma romancista que trouxe em suas obras grandes investigações policiais.
Estudando com professores particulares, Agatha deu início à sua carreira de escritora ainda jovem, com poemas e contos. Porém, profissionalmente seu primeiro livro foi O misterioso caso de Styles, onde seu principal personagem, o detetive Hercule Poirot, surge pela primeira vez, e posteriormente em outros 32 livros.
Como dramaturga, a rainha do crime escreveu 17 peças para o teatro, entre elas A Ratoeira, obra mais famosa e que foi encenada mais de 13 mil vezes na Inglaterra. Seu livro Assassinato no Expresso do Oriente foi um de seus livros mais famosos, ganhando inclusive adaptação para o cinema, teatro e televisão.

VI – Bertold Brecht

Bertold Brecht lendo um livro (Foto: Divulgação)

Bertold Brecht foi um estudante de medicina que se encontrou no mundo do teatro. Suas obras iam contra os interesses da elite dominante, além de esclarecer as questões sociais da época.
A paixão pela dramaturgia impulsionou sua vida e o fez estrear sua primeira obra em 1922, Os Tambores da Noite, que foi vencedora do prêmio Kleist.
Em 1935, Brecht foi exilado da Alemanha por conta do regime nazista, e se encontrava morando na Dinamarca. Durante esse período, escreveu a peça Terror e Miséria do Terceiro Reich, obra que para ser feita contou com a ajuda da resistência alemã que compartilhava com o autor os jornais e relatos dos moradores.
Brecht consegue retornar ao seu país em 1949, e com o apoio do governo da Alemanha Oriental, funda a companhia de teatro Berliner Ensemble, onde expôs suas peças até o ano de sua morte em 1956.

Bis! – Leilah Assumpção

Leilah Assumpção (Foto: Divulgação)

De uma família de educadores, Leilah Assumpção, natural de Botucatu, é uma das mais importantes vozes teatrais dos Anos 60 – e uma das mais censuradas da época da Ditadura Civil-Militar brasileira. Formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, FFLCH/USP, em 1964, a escritora estreou sua primeira peça, Fala Baixo Senão Eu Grito, em 1969, com direção de Clóvis Bueno. Encenada em São Paulo, o espetáculo ainda contou com a presença de Marília Pera e Paulo Villaça no elenco.
Com um enredo que conta a história de Mariazinha, uma solteirona que mora num pensionato de freiras, e que um dia recebe a ‘visita’ de um ladrão, com quem acaba trocando um diálogo sobre os sonhos e decepções da vida, foi uma aclamada tanto pelo público quanto pela crítica. Como consequência, conquistou os prêmios Moliére e APCT – Associação Paulista de Críticos Teatrais, pela categoria “Autoria”.
A trajetória da escritora dramaturga paulista ainda foi responsável por outras figuras femininas, sendo a figura da Mulher um traço marcante em suas obras, que se estendem a Amanhã, Amélia, De Manhã (1973), Roda Cor de Roda (1975) e Seda Pura e Alfinetadas (1981).

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