Foto capa: Carlos Gabriel Toledo
Por Carlos Gabriel Toledo
Diferente do que muitos pensam (e utilizam), as inteligências artificiais não servem como ferramenta de pesquisa e muito menos substituem o Google. Porém, se você estiver atrás de uma maneira de facilitar sua vida pessoal e profissional, o mundo da IA pode ser a resposta para os seus problemas.
A diretora da Sakê Filmes e Produções Digitais, Claudia Miranda, aproveitou seu projeto de pesquisa “Novos cenários e desafios da escrita frente ao uso das ferramentas de IA”, do pós-doutorado, para apresentar o workshop “Minha assistente roubou minha ideia” nesta terça-feira (08), na RioMarket, evento que reúne os principais nomes do cinema brasileiro para uma série de conversas e debates sobre o mercado audiovisual no país e no mundo. Além de Claudia, o professor de mídia da PUC e fundador e diretor da “Mídia1 Comunicação”, Antonio Jorge Alaby Pinheiro, também esteve presente como seu fiel parceiro profissional.
Para abrir a apresentação, Claudia explica que um erro comum entre diversos tipos de pessoas é confundir e não saber diferenciar as inteligências artificiais do ChatGPT. Ela esclarece, também para os presentes, que a IA não se resume somente à ferramenta da “OpenAI”, apesar de ser, atualmente, a maior referência do mercado. Ainda que a conversa sobre inteligência artificial possa parecer recente, a roteirista mostra que o campo da IA começou a ser formalizado há mais de 60 anos, em 1950, com o teste de Turing e a criação do termo “Machine Learning” por Arthur Samuel no fim da década. Desde então, a evolução da IA passou pela criação da ELIZA, a primeira assistente virtual em 1965, o avanço dos algoritmos de aprendizado na década de 1990 (principalmente usados pelas redes sociais atuais), até a versão mais recente do ChatGPT.
Partindo para o foco principal da oficina, Claudia explica que uma das formas mais eficientes de interação com a inteligência artificial generativa é tratá-la como se fosse sua estagiária e sempre ser o mais específico possível. “Não é mais dar um google, é saber escrever um prompt”, relatou a produtora. Já para a escrita de um roteiro, por exemplo, a palestrante também sugere e aponta o uso da ferramenta como uma parceira no processo criativo e não como substituta. Além disso, ela também dá dicas de personalização do ChatGPT para que as respostas sejam mais certeiras ao pedido. Dizer quem você é e o que faz é somente o começo.
Ao tocar na área mais delicada do uso criativo da inteligência artificial, a autoria, a presidente do Conselho de Literatura da FCCE relembra a greve dos roteiristas de Hollywood em 2023, que teve como principal pauta a regulamentação do uso de IA para escrever roteiros. No Brasil, o PL 2338/2023, que tem entre os principais objetivos a transparência, responsabilidade e segurança relacionadas ao uso das ferramentas, também foi mencionado pela professora.
Quando discutido sobre autenticidade ao utilizar o ChatGPT, já que ele aprende, evolui e “se inspira” através das ideias das outras pessoas e não só das suas, Claudia parafraseia a frase de Antoine Lavoisier: “Nada se cria, tudo se transforma” e apresenta diversos sucessos do cinema e da música que se inspiraram e/ou adaptaram produções criadas anos antes, como os créditos iniciais de Star Wars (1977), inspirados no seriado de Flash Gordon de 1936, e a música de Gabriel O Pensador, “2345meia78”, lançada em 1998, que tem uma batida similar ao hit “Rapper’s Delight” de 1979, que nada mais é do que um remix do tema de baixo de “Good Times” do Chic, também de 1979.
Para finalizar, Claudia deixa algumas dicas para os produtores, escritores e roteiristas de plantão que querem surfar na onda das inteligências artificiais, além das mais comuns, claro. Para pesquisa de informações e dados, ela sugere utilizar o Perplexity, já que, diferente do ChatGPT, ele dá fontes de tudo. Para criação de storyboard, o Dall-E é a melhor escolha. Já para o trabalho com voz, Claudia deixa o Eleven Labs como sugestão. E, para o bom e velho ChatGPT, criação, brainstorm, formatação e revisão são o ponto-chave da ferramenta.
O RioMarket vai até o dia 13 de outubro, no Armazém 6 do Cais do Porto, próximo à Estação VLT Utopia Aquário, na Orla do Conde.
