A responsabilidade de ensinar e o privilégio de construir juntos

Por Antônio Carlos Morim

Ser gestor acadêmico de uma instituição de ensino superior é uma responsabilidade enorme. Não apenas pelas decisões administrativas, pelos indicadores ou pelos desafios cotidianos, mas, principalmente, porque temos a oportunidade de influenciar a maneira como o conhecimento chega aos nossos estudantes e como esse conhecimento pode transformar suas vidas.

Na UNIFACHA, tenho vivido essa experiência com uma percepção cada vez mais clara: a qualidade do ensino não é algo que se conquista e simplesmente se mantém. Ela precisa ser construída e reconstruída continuamente. E o mais interessante é poder fazer isso ao lado de professores de alto nível, profissionais que reúnem conhecimento acadêmico, experiência de mercado, pesquisa e, sobretudo, uma enorme dedicação ao ensino.

Há algo particularmente estimulante nessa convivência. Poder discutir, questionar, experimentar e decidir, em conjunto, como podemos ensinar melhor. Porque não basta definir o que ensinar. Precisamos pensar em como ensinar, por que ensinar e, principalmente, como fazer com que nossos alunos aprendam de verdade.

E isso, convenhamos, não é nada simples.

Vivemos um momento em que a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, transforma rapidamente profissões, comportamentos e formas de aprender. Nossos estudantes mudaram, o mercado mudou e continuará mudando. Seria estranho imaginar que a educação pudesse permanecer exatamente como sempre foi.

Mas também não podemos confundir inovação com abandonar aquilo que sempre deu sustentação a uma boa formação. Conhecimento sólido, pensamento crítico, repertório cultural, capacidade de análise e disciplina intelectual continuam fundamentais. A questão é encontrar o equilíbrio entre preservar o que é essencial e transformar aquilo que precisa evoluir.

É nesse ponto que considero fundamental o papel dos professores. Uma instituição não melhora simplesmente porque seus gestores desejam que ela melhore. Ela melhora quando seus docentes participam das decisões, quando suas experiências são valorizadas e quando existe espaço para pensar, discordar, propor e experimentar.

A gestão acadêmica, na minha visão, não deve ser um exercício solitário de autoridade. Muito pelo contrário. Precisa ser um exercício permanente de construção coletiva. E isso exige escuta, confiança, disposição para rever decisões e, naturalmente, coragem para fazer escolhas.

Claro que existem limitações. Orçamento, regulamentações, estruturas, processos e uma infinidade de questões que fazem parte da realidade de qualquer instituição. Mas não podemos permitir que essas dificuldades transformem a gestão acadêmica em uma atividade exclusivamente burocrática. Afinal, nossa razão de existir não é administrar aulas. É produzir aprendizagem.

Tenho defendido que uma instituição de ensino precisa ser, ela própria, uma organização que aprende. Que observa seus resultados, escuta seus estudantes, valoriza seus professores e reconhece que sempre existe alguma coisa que pode ser feita de maneira melhor.

Na UNIFACHA, é essa construção que temos procurado desenvolver. Sem a pretensão de ter todas as respostas e muito menos de promover transformações instantâneas. Mas com a convicção de que podemos avançar continuamente quando reunimos pessoas competentes, comprometidas e dispostas a pensar juntas.

E talvez esteja aí uma das maiores satisfações de exercer a gestão acadêmica: perceber que não precisamos saber tudo, mas precisamos saber reunir conhecimentos, experiências e pessoas para encontrar os melhores caminhos.

Porque, no fim das contas, a responsabilidade de gerir uma instituição de ensino superior não está apenas em garantir que as aulas aconteçam. Está em fazer com que cada aula tenha cada vez mais sentido.

E, nesta semana tão especial, em que celebramos o Dia dos Professores, quero aproveitar para agradecer e parabenizar todos os professores da UNIFACHA pelo brilhante trabalho que realizam. Tenho enorme respeito pelo conhecimento, pela dedicação e pelo compromisso de cada um. É um privilégio poder compartilhar com vocês essa responsabilidade e, principalmente, a oportunidade de construir uma instituição cada vez melhor.

A todos vocês, minha admiração, meu reconhecimento e meu muito obrigado.

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