Foto capa: Senado Federal
Por Ana Carolina Magalhães
No dia 4 de outubro, a população brasileira foi às urnas na tentativa de eleger representantes para seis cargos políticos no país. São eles: deputados estaduais e federais, dois senadores por estado, governadores e o presidente da República. Entretanto, em algumas regiões, a eleição estadual será definida apenas no domingo (25), no segundo turno.
Nesse sentido, o cenário nacional, marcado pela intensa polarização que vem se estabelecendo nos últimos anos, é palco da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no primeiro turno, o atual presidente da República, do PT, alcançou 45,16% dos votos válidos, enquanto seu rival chegou a 47,03%. Essa proximidade percentual evidencia uma disputa acirrada para a etapa final das atuais eleições.

Desde a realização do primeiro turno, diversas estratégias têm sido adotadas por cada um dos políticos para conquistar mais votos e alcançar a liderança do país. Nesse contexto, o ex-senador Flávio Bolsonaro, do PL, tem adotado medidas como:
- Ampliação de alianças com políticos já eleitos: o Partido Liberal foi escolhido majoritariamente em grande parte do Brasil. Com isso, Flávio tenta utilizar a influência desses políticos para pedir votos em suas regiões.
- Aumento da presença em locais estratégicos: a presença frequente em locais nos quais o candidato não obteve tanto apoio tornou-se uma estratégia crucial na busca pela vitória.
- Divulgação de conteúdos nas redes sociais: o fortalecimento da presença digital de Flávio tem como objetivo apresentar seu plano de governo de maneira mais clara e com uma linguagem direta para o público.
Já o candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, tem buscado adotar estratégias como:
- Utilização de jovens influenciadores: nomes de destaque nas redes sociais têm demonstrado apoio ao atual presidente, com o objetivo de ampliar o alcance da campanha entre os jovens.
- Fortalecimento da campanha na região Nordeste: com a ajuda de políticos nordestinos já eleitos, Lula busca mobilizar essas lideranças para pedir votos aos eleitores locais e reduzir a vantagem de Flávio.
- Uso das redes sociais: Lula tem apostado na produção de vídeos mais simples, em formato de selfie, gravados diretamente pelo celular, para estabelecer uma comunicação mais espontânea e direta com seu público.
Nesse cenário, ambos os candidatos à Presidência também têm procurado conquistar os eleitores que, no primeiro turno, votaram em outros concorrentes. Os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) estão entre os principais alvos dos políticos, visto que os votos destinados a esses candidatos podem ser decisivos para o resultado do segundo turno.
Nesse sentido, os ex-candidatos Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado e Augusto Cury já declararam apoio à campanha de Flávio Bolsonaro para a próxima etapa das eleições. Já ao lado do PT (Partido dos Trabalhadores), Samara (UP), Hertz Dias (PSTU) e Edmilson Costa (PCB) oficializaram apoio ao projeto de Lula. Outros candidatos, como Renan Santos (Missão) e Rui Costa Pimenta (PCO), não oficializaram apoio a nenhum dos concorrentes.

Entretanto, a disputa pelo segundo turno não se resume ao apoio de outros ex-candidatos. Para conquistar a vitória eleitoral, cada político precisa apresentar propostas de governo que atendam às necessidades da população e solucionem problemas vivenciados no cotidiano da sociedade brasileira. Diante disso, cada candidato apresenta seu plano de governo, com prioridades e formas distintas de governar.
Algumas propostas de Lula (PT)
- Desigualdade e programas sociais: o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, promete ampliar o Bolsa Família, aumentar a proteção dos povos indígenas e das comunidades quilombolas, expandir as políticas voltadas para mulheres, idosos, pessoas com deficiência e população LGBTQIAP+, além de fortalecer a Política Nacional de Cuidados.
- Educação: o presidente pretende promover a alfabetização de 80% das crianças na idade adequada, priorizar a educação em tempo integral, universalizar o acesso à internet nas escolas do país, fortalecer o programa Pé-de-Meia, valorizar os professores e ampliar e dar continuidade aos investimentos nos institutos e nas universidades federais.
- Segurança pública: Lula pretende promover uma política baseada na integração entre os governos, no uso de inteligência artificial e no enfraquecimento financeiro das organizações criminosas. Além disso, o candidato avalia a criação de um Sistema Nacional de Segurança Pública que amplie a integração entre os governos federal e estaduais.
- Saúde: o principal objetivo é fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso aos serviços em todas as regiões. Além disso, há propostas de investimento em infraestrutura tecnológica e na produção nacional de medicamentos, vacinas e equipamentos.
- Economia: Lula promete dar continuidade à política de desenvolvimento industrial, com estímulo à inovação, à tecnologia e à digitalização, fortalecer o crédito e o financiamento e manter a política de justiça tributária.
A partir da análise das propostas do atual presidente, percebe-se a defesa de um Estado com maior investimento público, políticas sociais e proteção aos trabalhadores, aliada ao crescimento da industrialização, da tecnologia e da ciência. Com essas medidas, Lula pretende reduzir as desigualdades e garantir uma educação de qualidade aos jovens brasileiros.
Algumas propostas de Flávio Bolsonaro (PL)
- Questões sociais: o candidato propõe medidas de proteção social associadas à qualificação profissional e ao empreendedorismo, por meio do programa “Minha Primeira Empresa”. Nesse sentido, busca manter e aperfeiçoar programas sociais, além de estimular a formação escolar e profissional.
- Educação: Flávio pretende criar o programa “Brasil que Prepara”, com o objetivo de priorizar a alfabetização e o acompanhamento pedagógico especializado. Além disso, outras propostas do ex-senador incluem o fortalecimento das escolas cívico-militares, o aumento dos investimentos na formação de professores e a expansão do ensino técnico profissionalizante, com o objetivo de facilitar o ingresso dos estudantes no mercado de trabalho.
- Segurança pública: o candidato defende o aprimoramento do combate ao crime organizado, com foco no enfrentamento das fontes de financiamento das facções. Além disso, propõe a criação de um sistema nacional de fronteiras com a participação das Forças Armadas e a construção de novos presídios federais.
- Saúde: o político apresenta propostas relacionadas à redução das filas e à ampliação do acesso aos serviços por meio do uso de tecnologias. Nesse campo, o candidato também defende a digitalização do SUS e a utilização de inteligências artificiais para agilizar o agendamento de consultas e exames para os pacientes.
- Economia: Flávio Bolsonaro prioriza medidas como a redução de impostos e o controle dos gastos públicos. Além disso, a proposta de revisão da reforma tributária tem como foco reduzir os impostos sobre o consumo e a produção. Essa medida está presente no documento apresentado pelo candidato.
Com isso, no documento “Para o Brasil Vencer o Atraso”, é possível identificar que as propostas de Flávio buscam desenvolver o país por meio de reformas econômicas, como a redução de impostos e o incentivo ao empreendedorismo, além do fortalecimento da segurança pública e da fiscalização. O plano também destaca melhorias na área social, como a modernização do Sistema Único de Saúde (SUS), o aprimoramento da educação e a redução da desigualdade social por meio da qualificação profissional.
Na reta final das eleições, os candidatos ainda contam com mecanismos como os debates. Esses encontros permitem que os concorrentes discutam temas relevantes e de interesse público, além de apresentarem soluções para os principais problemas do Brasil, com o objetivo de conquistar a preferência dos eleitores nas urnas.
Nesse sentido, no último domingo (18), a Band ofereceu aos telespectadores a oportunidade de acompanhar o debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado por discussões frequentes e desentendimentos entre os candidatos. Os políticos terão, nesta sexta-feira (23), mais uma oportunidade de apresentar suas propostas aos eleitores durante um debate ao vivo na TV Globo, a partir das 21h20 (horário de Brasília).

Além da disputa presidencial: os desdobramentos no Rio
Além do contexto nacional, o estado do Rio de Janeiro já apresentava um cenário polêmico no período pré-eleitoral. Em meio à acirrada disputa pelo cargo de governador, protagonizada por Douglas Ruas e Eduardo Paes, o candidato Anthony Garotinho, figura histórica da política fluminense e visto, naquele momento, como uma terceira via, teve sua candidatura contestada judicialmente. O ex-governador enfrentava questionamentos relacionados à sua condenação no caso do programa “Saúde em Movimento”, no qual foi acusado de desviar recursos públicos entre 2005 e 2006.
Com o fim da apuração dos votos, no dia 4 de outubro, a população fluminense soube que, até aquele momento, teria de voltar às urnas no dia 25 para escolher dois representantes políticos: o presidente da República e o governador do estado. No entanto, quatro dias após o resultado do primeiro turno, em 8 de outubro, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acatou o pedido de anulação, o que levou à retotalização dos votos recebidos por Garotinho.
Essa decisão impactou o cenário político do Rio de Janeiro e, por fim, resultou na eleição de Douglas Ruas, do PL, ainda no primeiro turno, com 50,88% dos votos, derrotando seu concorrente Eduardo Paes, do PSD.

Portanto, com o cenário estadual já definido, resta aos cidadãos do Rio de Janeiro irem às urnas no dia 25 de outubro para decidir entre a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e a eleição de Flávio Bolsonaro, do PL, para a Presidência da República.
